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Fev 23

Calçados… A paixão feminina! – Capítulo XIV

Capítulo XIV

ROCOCÓ – Os excessos também atingiram os calçados.

 

Há exemplos de outros períodos, o Período Rococó originou-se na Europa, mais precisamente na França entre os anos de 1715 e 1775 entre os períodos Barroco e Romântico, sendo também um movimento artístico, porém descrito por alguns como uma forma profana do movimento Barroco, uma vez que teve inspirações intimas deste período, porém com o distanciamento da temática religiosa. O distanciamento de temas religiosos acabou por consentir uma lacuna que veio a ser preenchida pela arquitetura.

O período Rococó é basicamente, ou literalmente o Período Barroco elevado ao extremo, ou ao exagero.

O termo “Rococó” tem sua origem da palavra francesa “Rocaille”, que significa “concha”, isto deve-se as associações de técnicas decorativas e ornamentais de incrustações de conchas e vidros utilizados como revestimentos de grutas artificiais, técnicas dúbias e consideradas muitas vezes de gosto duvidoso.

“Época das Luzes”, talvez seja a expressão mais associada ao século XVIII e conseqüentemente ao Rococó, período este de relativa paz na Europa, depois de tantos períodos conturbados, o final deste período seria marcado pela Revolução Americana em 1776 e pela Revolução francesa em 1789.

Em meio à aristocracia européia envolvida ao Rococó, a ourivesaria (arte de trabalhar com metais preciosos, principalmente ouro e prata, na fabricação de jóias e ornamentos) no mobiliário, na pintura, ou na decoração dos interiores dos hotéis parisienses encontrava-se os elementos que caracterizam o Rococó, como as linhas curvas, delicadas e fluídas, as cores suaves, o caráter lúdico e mundano dos retratos e das festas galantes, em que os pintores representaram os costumes e as atitudes de uma sociedade em busca da felicidade, da alegria de viver, dos prazeres sensuais.

O Rococó é também conhecido como o “estilo da luz” devido aos seus edifícios com amplas aberturas e sua relação com o século XVIII.

Algumas características marcantes Período Rococó foram:

  • Cores claras, dourados e tons pastéis, além de texturas suaves;
  • Representação da vida profana da aristocracia e alegorias;
  • Estilo decorativo, leveza estrutural das construções e unificação do espaço interno, com maior graça e intimidade.

O início o Período Rococó na França tem como marco a morte de Louis XIV e a ascensão ao trono com apenas 5 anos, seu sucessor Louis XV (Louis XV de Bourbon, o “Bem-Amado”, nascido em Versalhes, 15 de Fevereiro de 1710 – idem, 10 de Maio de 1774, foi rei da França entre os anos de 1715 e 1774, filho de Louis, duque da Bretanha e bisneto de Luís XIV). O reinado de Louis XV foi um reinado bem mais flexível, sem a rigidez imposta por seu antecessor, sendo que por volta de 1730 a elegância feminina já era estabelecida pelos preceitos do Rococó.

Já na Inglaterra o marco do Período Rococó foi a mudança da família real da Casa Stuart (é uma família nobre, de origem bretã, com origem no século XI, que deteve o trono da Escócia e depois a coroa de Inglaterra, ambas até 1714), para a Casa Hanôver (é família nobre européia, de origem germânica, que substituiu a Casa de Stuart na coroa britânica em 1714, em virtude da rainha Ana I Stuart não ter descendentes), com a coroação do George I (28 de maio 1660 – 11 de junho 1727, que foi príncipe de Hanôver de 23 de janeiro de 1698, até sua morte e rei da Grã-Bretanha e da Irlanda desde 1 de agosto de 1714 até sua morte).

Enquanto isso na América a rivalidade entre Inglaterra, França e Espanha tem seu auge, devido à grande competitividade na exploração dos recursos na colônia, sendo que a rivalidade entre Inglaterra e França obteve o clímax durante a guerra denominada Guerra Franco-Indígena (é o nome dado ao conflito ocorrido entre 1754 e 1763, entre os britânicos e os franceses, na suas colônias na América do Norte, sendo que ambos os lados possuíam tribos, ou povos nativos americanos como aliados. Os algonquinos e os hurões aliaram-se aos franceses, enquanto os iroqueses se aliaram com os britânicos), por conseqüência das sucessivas vitórias britânicas, os franceses acabaram por perder suas exportações para a América do Norte.

Ao contrário da moda no período anterior, que por conta a rigidez e austeridade imposta pelo reinado de Louis XIV, que influenciou a moda durante seu período de governo, a moda Rococó foi contagiada fortemente pelo mobiliário e pela arquitetura, dando as silhuetas um contorno com menor volume, onde a figura humana adquiriu um ar mais natural com linhas mais soltas. É neste período as perucas tanto dos homens, quanto das mulheres adquirem uma coloração totalmente esbranquiçada que acabam por iluminar toda a figura.

Neste período pôde ser observado que os ciclos da moda começaram a encurtar, onde por volta de 1720, os bicos dos calçados eram arredondados de tal forma que deixavam bem evidentes os dedos dos pés, sendo que estes bicos chegaram por volta de 1740, com formatos mais pontiagudos e levemente elevados, que logo na seqüência perderam esta elevação e já no final deste período, por volta 1770, os bicos dos calçados retomam o formato mais arredondado deixando evidentes os contornos dos dedos dos pés.

Na questão dos saltos, eles permaneceram sendo utilizados tanto nos calçados masculinos, quanto os calçados femininos, porém perdem um pouco de sua elevação, ficando com elevações em torno de 2,5 e 3 cm.

A principal ornamentação foi também o sistema de fechamento predominante na época, as fivelas, estas fivelas durante o período também tiveram seus ciclos, onde foram ganharam tamanhos até por volta de 1730, logo após começaram a terem seus tamanhos diminuídos e novamente voltam a ganhar volume por volta de 1760, a estas fivelas foram empregadas algumas variações de formato e os mais diversificados e rebuscados, além do emprego de materiais nobres, como ouro e prata e pedras preciosas, tornando-as objetos de valores bem consideráveis, sendo que estas fivelas ocuparam diferentes regiões no calçado, em momentos mais à frente próximos aos bicos, em outras ocasiões bem mais elevadas ao dorso do pé, além de algumas poucas variações nas laterais dos dorsos na parte externa do pé.

Os mules continuaram sendo modelos bastantes populares, principalmente entre os homens, no entanto, há relatos da utilização deste modelo por mulheres, mas na privacidade de seus lares. Inicialmente estes mules eram confeccionados em tecidos nobres como brocados e sedas, além de serem adornados com bordados elaborados, metais nobres e pedras preciosas, suas modelagens apresentavam gáspeas menores, ou mais decotadas dos que os modelos do período passado, essa modelagem seguiu assim até por volta de 1730. Porém as ruas cada vez mais enlameadas dos grandes centros europeus tornavam a utilização dos mules de tecidos cada vez mais difíceis, logo optou-se pela confecção do modelo em couros leves e macios, sendo que no final deste período a modelagem dos mules sofreram nova alteração, deixando-os mais decotados ainda e adquirindo tiras sobre o dorso dos pés.

Os calçados femininos do início do período até por volta de 1760, tinham seus bicos alongados e ligeiramente curvados para cima chegando ao final deste período já sem essa curvatura, porém permanecendo com formato alongado, ou afunilado, onde já constavam lingüetas inteiriças desde os bicos.

Os saltos dos calçados do início deste período continham altura e robustez considerável, porém já por volta de 1760 havia a predominância dos saltos Louis XV, saltos estes, com suas bases amplas e afuniladas, tendo um estrangulamento em seu meio, porém já no final do período, os saltos ainda modelo Louis XV perderam robustez e tornaram-se mais finos e altos, se não bastasse acabaram tendo um deslocamento para trás, o que ocasionou na perda da estabilidade, pois acabou por gerar uma perda de rigidez sob o arco do pé, já que não existiam as almas de aço (almas de aço são filamentos metálicos, como o próprio nome já diz de aço, que são conformados a fim de obter a curvatura da fôrma, para serem fixadas nos saltos e palmilhas de montagem por meio de parafusos e rebites estendendo-se até a planta solar dos calçados), este fato exigiu dos sapateiros da época, uma solução que compensasse esta falta de rigidez e equilíbrio, logo acabou por alongar e dar mais robustez à bandeja do salto, muitos acabaram descrevendo como uma cunha sobre o salto o que é um erro de relato.

As fivelas também foram os destaques em relação à ornamentação dos calçados femininos, fivelas estas que muitas vezes adquiriram status de jóias requintadas, uma vez que eram empregados metais nobres como prata e ouro, além de serem cravejadas com diamantes, brilhantes e outras pedras preciosas.

Outros ornamentos de menor valor, mas não de menor beleza como bordados com fios de ouro, florais, rendas de bilro e laços de cetim e seda, muitas vezes atados com peças metálicas e pedrarias ao centro.

O material mais utilizado na confecção dos calçados foram às sedas, para os calçados mais finos e delicados, além dos brocados, muitos destes tecidos eram remanescências dos vestidos, além da modesta utilização dos veludos, principalmente utilizados em calçados para a dança.

Durante o Período Barroco, as tradicionais festas de casamento eram tão grandes quanto à família da noiva pudesse proporcionar, assim como os vestidos brancos das noivas, no entanto os calçados não proporcionavam essa combinação, pois seguiam a moda do período, pois eram comuns os sapatos de brocados bordados em sintonia com a moda local.

A utilização das galochas ainda era algo comum, porém já não visto com tão bons olhos, no entanto elas sofreram modificações para que pudessem acomodar os pés calçados com os calçados da época, que continham um salto considerável. Também a utilização dos desgastadas pattens ainda eram toleradas, só que neste momento, mais pelas classes menos favorecidas.

As cores predominantes do calçados masculinos ainda eram as cores escuras, principalmente o preto, porém ainda podiam ser encontrados alguns saltos na cor vermelha, saltos estes utilizados pelo pertencentes as cortes, prática esta que permaneceu até por volta de 1760.

A vasta utilização dos tecidos para a confecção dos calçados foram bem mais amplas nos calçados femininos que utilizaram-se de muita seda, seda esta que não foi muito vista nos calçados masculinos, devido à rapidez de desgaste, sendo que para os calçados masculinos houve maior utilização dos brocados e posteriormente couros leves e finos, que acabaram introduzindo maiores variações de colorações, enquanto isso os calçados femininos utilizavam-se além das sedas, os brocados, as lãs muito comum nos invernos e bem menos dos veludos, raramente encontravam-se calçados de couro, ou camurça nos closets femininos, porém a maioria dos calçados de tecidos eram forrados de pelica branca (pelica é couro bovino devidamente curtido e bastante fino e muito macio, couro muito utilizado nos dias de hoje para produzir calçados finos e com alto valor agregado).

As botas masculinas ainda eram destinadas a equitação e aos militares, sendo praticamente sempre confeccionadas nas cores preta, ou marrom, alguns pequenos detalhes em branco eram admitidos no topo do cano, para combinar com as camisas da época. Havia um crescente interesse pelas corridas de cavalos e a prática deste esporte difundia-se e por conseqüência, as botas também passaram a fazer parte dos uniformes dos Jockeys.

A utilização de botas femininas não era uma prática muito constante, mas podiam ser encontradas belíssimas botas em seda ou brocado, com a parte frontal do cano mais alta do que a parte traseira deste, sendo que os bicos destas botas acompanhavam o formato dos bicos dos sapatos femininos, que eram mais afunilados e dispunham de saltos tais como os sapatos, mas na maioria das vezes um pouco mais baixo, os formatos dos bicos não acompanhavam os formatos dos bicos da botas masculinas, que quase na totalidade eram amplos e arredondados.





Dez 14

Calçados… A paixão feminina! – Capítulo XIII

Capítulo XIII

BARROCO – Os novos conceitos também chegam aos calçados.

O Período Barroco ao exemplo do Período Renascentista teve um destaque especial dentro da Idade Moderna, o Barroco foi um período que obteve destaque filosófico e estilístico, talvez muito mais pelo estilo do que por sua filosofia. Sua ocorrência é considerada entre meados do século XVI e meados do século XVIII, este período foi inspirado pelo fervor religioso que teve surgimento na Itália, por volta de 1600, como resultados da tentativa da Igreja em renovar a fé católica, utilizando-se das artes como forma de divulgação dessa renovação da fé, logo originou a Contra-Reforma (também denominada Reforma Católica é o movimento criado pela Igreja Católica em resposta à Reforma Protestante iniciada com Lutero, a partir de 1517. Em 1543, a Igreja Católica Romana convocou o Concílio de Trento estabelecendo entre outras medidas, a retomada do Tribunal do Santo Ofício, também conhecido como Inquisição, a criação do “Index Librorum Prohibitorum”, com uma relação de livros proibidos pela igreja e o incentivo à catequese dos povos do Novo Mundo, com a criação de novas ordens religiosas dedicadas a essa empreitada incluindo aí a criação da Companhia de Jesus. Outras medidas incluíram a reafirmação da autoridade papal, a manutenção do celibato, a criação do catecismo e seminários e a proibição das indulgências).

O termo “Barroco” advém da palavra portuguesa homônima que significa “pérola imperfeita”, ou por extensão jóia falsa. A palavra foi rapidamente introduzida nas línguas francesa e italiana.

Sob muita turbulência política, econômica e cultural, o Período Barroco pôde ser dividido em dois momentos, para alguns bem distintos, já para outros nem tanto.

Em um primeiro momento o chamado Proto-Barroco, há um período mais extravagante considerados por alguns com muitos excessos, aproximadamente entre meados do século XVI e meados do século XVI, sendo este, marcado pelas maiores turbulências.

Este primeiro período Barroco (Proto-Barroco) foi de intensa agitação social, com esforços permanentes em busca do restabelecimento da vida econômica, política e cultural, perdidas devido a tantas turbulências geradas por guerras e conflitos constantes. A Guerra dos Trinta Anos (denominação genérica de uma série de guerras que diversas nações européias travaram entre si a partir de 1618, especialmente na Alemanha, por motivos variados: Rivalidades religiosas, dinásticas, territoriais e comerciais. As rivalidades entre católicos e protestantes e assuntos constitucionais germânicos foram gradualmente transformados em uma luta européia. Apesar de os conflitos religiosos serem a causa direta da guerra, ela envolveu um grande esforço político da Suécia e da França, que procuraram diminuir a força da dinastia dos Habsburgos, que governavam a Áustria. As hostilidades tiveram fim com a assinatura, em 1648, de alguns tratados, que em blocos são chamados de Paz de Vestfália, causando sérios problemas econômicos e demográficos na Europa Central).

O Barroco neste primeiro período emergente teve estilo apaixonado, colorido, extravagante, teatral e musical, pois foi neste momento que nasce a Ópera (gênero artístico, muitas vezes confundido com o gênero musical clássico, mas que na verdade trata-se de um gênero artístico dramático encenado com música).

A Alemanha arrasada pela Guerra dos Trinta Anos foi retirada do cenário artístico e cultural, até século XVIII.

Os ingleses enredados politicamente em uma Guerra Civil originada durante a Revolução Inglesa, devido a embates entre os partidários do rei Charles I e o Parlamento, liderado por Oliver Cromwell (Oliver Cromwell foi militar e político britânico, conhecido como um dos líderes da Guerra Civil Inglesa). A guerra iniciada em 1642 e finalizada em 1649 com a condenação à morte de Charles I (19 de novembro, 1600 – 30 janeiro 1649 foi rei da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda desde 27 de Março de 1625, até sua morte), que trouxera um período de puritanismo que teria fim somente em 1660, com a ascensão ao trono de Charles II.

Na França Louis XIII incumbiu seu ministro-chefe de consolidar todo o poder no governo central, preparando o caminho para a autoridade de Louis XIV.

As colônias do Novo Mundo (Américas) cresciam e prosperavam torando-as, fontes de riquezas e alternativas para o excesso de população na Europa.

Em contraste ao período anterior, a primeira fase do Período Barroco foi marcada por tecidos com maior maleabilidade e fluidez expandindo-se para fora da silhueta humana, o que acarretou por conseqüência um ganho de volume corporal, o contraste das cores também foi bastante evidente, com amplo emprego das cores quentes. Foi durante este período houve a ampla utilização dos Rufos (elementos dos vestuários que poderiam causar estranheza nos dias atuais, mas que para a época estavam associados á estética da rigidez, o intuito rufos eram as de serem grandes golas que tornassem o visual empertigado e austero).

Os calados masculinos, por volta de 1620, os formatos arredondados dos calçados advindos dos chinelos do século anterior trouxeram muito conforto, não só pelo formato, mas também pelos materiais utilizados na confecção, porém estas formas arredondadas começaram a ceder espaço para os modelos com formatos de bicos quadrados, não tão acentuado quanto os ancestrais Bicos de Patos renascentistas, estes modelos demonstraram-se mais comedidos e sensatos, especialmente durante os anos de guerra.

Os modelos com laterais e calcanhares abertos como: Chinelos, mules, ou tamancos são deixados de lado e dão espaço aos modelos fechados, ideais aos tempos turbulentos de guerra e as ruas e estradas cobertas por lama.

Os laços utilizados para atar os calçados, proveniente do Renascimento do período Elisabetano ou Período Isabelino continuaram a ocupar espaço tornando-se ainda mais populares e ganhando novas versões, como os assemelhados as flores elaboradas a partir de fitas, sedas, rendas, cetins e outros tecidos podendo estes serem adornados por pérolas, jóias, ou ainda mesmo simples laços de fitas, sendo este último utilizado por todas as classes sociais ficando apenas, os laços na cor vermelha reservado aos mais pobres, já os laços dos calçados dos mais afortunados podiam combinar com as cores das meias, cintos, ou outros acessórios.

Desta vez os calçados que utilizam-se destes tradicionais laços perderam suas Línguas, ou Lingüetas, que deram espaços há recortes ovais sobre as gáspeas.

Os calçados propriamente ditos foram decorados com bordas picotadas e bordados florais, sendo que ocasionalmente estes bordados poderiam coincidir, ou combinar com os bordados do gibão (peça do vestuário masculino muito comum entre a Idade Média e meados do século XVII, uma espécie de casaco curto, justo e geralmente acolchoado, que cobre do pescoço à cintura utilizado sobre as camisas).

É também neste período, por volta de 1640 que surgiu na Inglaterra os primeiros calçados de amarrar, sendo estes fixados aos pés por atacadores que transpassam gáspea ligando ambas as partes dos talões (partes laterais dos calçados onde são fixadas as gáspeas e os trazeiros), esses modelos caíram nos gostos principalmente dos estudantes da Universidade de Oxford, surgindo daí o nome para o modelo, chamado de Oxford. Este modelo também é conhecido como modelo inglês. As principais características deste modelo é seu trazeiro e a gáspea sobrepostas ao talão, sendo que a gáspea é composta por duas partes, uma destas partes é a biqueira reta, que fica sobreposta à outra, possuindo um fechamento por amarrações.

As primeiras galochas fizeram-se presentes neste período, neste momento as galochas surgem com uma simples estrutura em plano único, sem a utilização de qualquer tipo de salto, pois isto poderia fazer com que as galochas afundassem na lama, aos poucos em uma gradual evolução as galochas acabaram por incorporara biqueiras e reforços nos calcanhares, uma espécie de contrafortes.

Neste período os calçados dos colonos, também seguiram as formas levemente quadradas dos bicos, com a utilização de uma lingüeta reforçada e salto baixo, porém não acompanharam a utilização de laços para a fixação aos pés, uma vez que esses demonstravam-se pouco usuais nos dias duros de trabalhos, para o fechamento, ou fixação destes modelos chamados de Coloniais, que mais tarde seriam chamados de Cromwell, foram utilizadas fivelas presas a correias, ou tiras que eram fixadas nas laterais dos cabedais, que encontravam-se sobre os centros das gáspeas.

Foi também durante este período que os calçados da realeza passaram a utilizar a cor vermelha nos saltos, este fato serviu para demonstrar a condição de realeza até por volta de 1800.

Os calçados femininos eram bastante semelhantes aos masculinos em diversos aspectos, tais como o formato, além de possuírem os calcanhares ligeiramente elevados, porém a realeza feminina não utilizava-se de calçados com saltos na cor vermelha, como assim faziam a realeza masculina. Já os chinelos, mules ou tamancos, que compunham muitos trajes utilizados pela corte eram também, muitos parecidos para ambos os sexos. Há alguns indícios que tiras de linho enceradas eram atadas aos pés a fim de torná-los menores do que realmente eram. Ao exemplo do que já ocorrera, em alguns países do extremo Oriente.

Os sapatos comuns as mulheres que não dispunham de muitas posses, lembrava muito os calçados masculinos dessa classe, que eram calçados pesados confeccionados em couro preto, com saltos médios e atados sobre o peito do pé com laços de fitas. Algumas mulheres ao utilizarem vestidos calçavam chinelos, ou tamancos semelhantes aos utilizados pelos aristocratas, mas só que estes feitos em madeira.

Neste período algumas mulheres ainda utilizavam as desgastadas chopines, para proteger seus calçados da lama e poeira, está prática na utilização destes calçados acabaram por ser incorporadas pelas colônias do Novo Mundo.

As botas predominaram amplamente entre o público masculino, algo muito comum em períodos de guerra e inquisição, já entre o público feminino há pouquíssimos relatos da utilização deste tipo de calçado. As botas com altura até as coxas, muito populares no Período Elisabetano ou Período Isabelino, também perpetuaram-se durante esta época, sendo muito utilizadas na equitação e caça. Estas botas eram confeccionadas com os melhores couros da época, sendo estes macios e flexíveis, seus fechamentos davam-se logo abaixo dos joelhos, para facilitar os movimentos, também apresentavam pequenas rugas, ou pregas próximas aos tornozelos, além das esporas que facilitavam a montaria.

As tradicionais botas de couro e canos longos, com saltos baixos e esporas que foram utilizadas até 1630, eram muito similares as botas atuais de equitação, ou montaria dos dias de hoje, porém a partir de 1630, estas botas começaram a terem seus canos diminuídos e alargados, que acabaram por mostrar os laços, rendas e debruns das meias.

Não só nos fervores dos conflitos, batalhas e cavalaria que as botas fizeram-se presentes, elas também foram empregadas no dia-a-dia dos trabalhadores braçais, logicamente que em versões mais modestas, uma vez que os calçados continuam tendo valores elevados, essas versões econômicas começaram a surgir por volta de 1630, onde pequenos pedaços de couros agora costurados, também foram utilizados na confecção destes modelos, o mesmo artifício também foi utilizado na confecção de botas destinadas a caminhadas, sendo que em algumas destas foram decoradas com franjas, rendas, ou picotados.

O couro foi sem dúvida alguma o material mais utilizado, não só o tradicional couro com flor, mais também o camurça, sendo estes utilizados tanto nos calçados masculinos quanto femininos, havendo também referências aos couros encerados principalmente nas confecções das botas. Os tecidos finos, como sedas e cetins e similares foram muito empregados como foros, para os chinelos muito utilizados pela aristocracia.

As cores predominantes de um modo geral foram às claras, com ênfase ao branco, porém esta regra não aplicou-se as botas, que por sua vez, eram mais comumente encontradas em tons terrosos, com predominância do marrom, embora fossem encontras alguns poucos pares em tons acinzentados.

Com as ampliações das colônias do Novo Mundo e o crescente número de colonos nestas, muitos sapateiros deslocaram-se principalmente para a América, para trabalharem nas mais ricas casas, embora os pobres colonos confeccionassem seus próprios calçados e de seus familiares. Por sua vez estavam sendo enviado ao velho continente, um calçado típico dos índios americano os mocassins.

O Mocassim é originário da América do Norte, criados pelos índios peles-vermelhas americanos, para proteger os pés das baixas temperaturas. As principais características deste modelo são suas costuras nas partes superiores dos bicos, que circunda todo o peito dos pés estendendo-se até os dedos deixando estas costuras a mostra, possuindo fechamento por meio de cadarços, além é claro de se tratar de um modelo fechado, tanto na gáspea, quanto no trazeiro.

Em um segundo momento no Período Barroco, ele é denominado por muitos como: Barroco Clássico, este período teve início com a retomada do trono de Charles II em 1660, após a restauração da monarquia na Inglaterra, Escócia e Irlanda, pouco depois da morte de Oliver Cromwell, este fato trouxe um alivio ao puritanismo imposto por Oliver Cromwell, que governou com o título de Lord Protector da Inglaterra, Escócia e Irlanda, uma vez que Charles II, não implementou uma rígida regência, logo isso também refletiu numa cultura mais eclética e maleável do que a francesa, que seria imposta pelo Rei-Sol, porém após a morte de Charles II, o reinado William e Mary e Anne Queen foram marcados por uma virada para a moral burguesa. Assim nas artes e nos vestuários entre 1690 e 1710 foram mais comedidos e formais do que haviam sidos sob o reinado de Charles II.

O Período Barroco Clássico, também foi marcado na França, com o início da regência de Louis XIV, também conhecido como Rei-Sol, que em virtude de seus gastos desenfreados com o custeio da corte, quase levou o tesouro da corte a falência, porém estes gastos acabaram por financiar diversos artistas como: Pintores, dramaturgos e compositores. Louis XIV também efetuou melhorias no antigo Palácio do Louvre, que acabou por abandonar em favor da nova fundação de Versalhes, construído sobre um antigo pavilhão de caça de Luís XIII, por estes motivos, o centro cultural da Europa começou a mudar da Itália para a França.

Durante o logo imperialismo do Rei-Sol, que na prática exerceu de 1661 a 1715 (54 anos), reorganizou e equipou o exército francês, tornando-o o mais poderoso da Europa e iniciou suas investidas militares contra Rússia, Dinamarca, Países Baixos Espanhóis e outros menores atritos, também iniciou a Guerra pela Sucessão Espanhola, a qual julgava ter direitos, pois considerava ser herança de sua esposa.

Neste período a arte barroca passou por sua fase clássica, onde foi bem mais contida do que o período anterior, o Proto-Barroco, que era bastante extravagante, pois seguirá os princípios da Alta Renascença

Na questão de vestuário o período é marcado pelo abundante uso de fitas, bordados e passadores ricos em detalhes, estes passadores muitas vezes são confundidos com fivelas, também houve uma redução na silhueta, onde muitas estruturas utilizadas por baixo das vestimentas foram reduzidas ou abolidas, essas mudanças podem serrem percebidas mais claramente no corte dos vestuários, do que na decoração superficial. Os trajes ingleses tinham como base os franceses, mas eram menos estruturados e com uma aparência mais suave.

Na França de Louis XIV ocorreu um fato importante no que tange os calçados masculinos, o Rei-Sol descrito como muito belo e elegante era desprovido de grande estatura, tendo cerca de 1,60m, logo utilizava-se dos artifícios dos calçados de saltos, onde foi criado para ele, um modelo que mais tarde seria conhecido como Louis XV, o qual recebeu o nome de seu sucessor, ou seja, o salto Louis XV foi criado para, ou por Louis XIV, o modelo inicialmente tratava-se de um calçado com uma lingüeta avantajada, na qual ostenta uma fivela, ou passador sobre o peito do pé, onde geralmente é transpassada uma fita, ou tira que podia terminar em laço, o modelo ainda possuía saltos de madeira com altura entre 5 e 8 centímetro, esses saltos tinham estrutura semelhante ao que hoje podemos chamar de carretel, porém com a parte trazeira do salto levemente arredondada e com a palheta, ou parte frontal interna do salto na cor vermelha.

Estes saltos eram considerados altos para os padrões até então utilizados pelo público masculino, eles eram bem delgados e confeccionados em madeira e forrados, ou cobertos com o mesmo material e cor do cabedal, ou não… Podendo criar contrates com o cabedal. Estes saltos fizeram-se presentes nos calçados masculinos até por volta de 1700.

Com a volta do exilo, Charles II trouxe da França a moda dos calçados com bicos quadrados, mas por volta de 1670, os calçados começaram a migrar dos bicos quadrados, para os bicos arredondados clássicos. Os saltos com as palhetas (parte frontal interna) vermelhas, lançadas por Louis XIV e muito populares na França, foram direcionados aos magistrados do tribunal inglês deste período.

Durante algum tempo os calçados com laços continuaram a serem utilizados, principalmente nos modelos com aberturas laterais, os laços de fita foram muito populares durante o reinado de Charles II, mais aos poucos foram sendo substituídos pelos modelos dotados de fivelas sobre o peito do pé.

Já volta de 1690 durante o reinado James II sucessor de Charles II e irmão do mesmo, a utilização dos modelos com fivelas eram muito intensa, fossem estas fivelas arredondadas, ou quadradas, sendo que as de formatos quadrados vinham sob intensa utilização e ganhando tamanho chegando por volta de 1710, a serem projetadas para fora da silhueta lateral dos pés, assim ganhando certo arqueamento a fim de compor melhor o visual.

Foi também durante o reinado de Charles II, que surgiu um modelo que inicialmente utilizado por camponeses, que utilizavam-se também de uma ampla fivela sobre uma lingüeta considerável, feitos de couro preto e com salto baixo, um calçados de bico largos, que em alguns momentos foram quadrados e em outros arredondados, porém com largura considerável para proporcionar conforto nas árduas tarefas dos campos, a estes modelos foi dada a denominação de Cromwell, ou Colonial, muitos atribuem a denominação Cromwell, ao líder da Guerra Civil Inglesa Oliver Cromwell.

As substituições dos laços pelas fivelas acabaram por criar a necessidade de cintas, ou tiras que passavam pelas fivelas, fivelas estas que inicialmente possuíam apenas um pino central, que era utilizado para travar a tira e proporcionar o aperto necessário, para que o calçado não caísse dos pés, com o ganho de tamanho das fivelas e com a predominância do formato quadrado, ou retangular acabou-se por perceber a necessidade de não mais apenas um pino para travar as tiras, mas sim, de dois pinos, nesta época já durante o reinado de George I (rei da Grã-Bretanha e da Irlanda desde 1 de agosto de 1714 até sua morte, em 11 de Junho 1727), as fivelas já tinham tamanhos considerados por muitos exagerados, estas por sua vez estavam fixadas sobre lingüetas extravagantes, muitas vezes forradas com tecidos contrastantes.

Os mules neste período foram utilizados por ambos os sexos em lugares fechados, principalmente dentro dos lares, sendo os tecidos finos, como seda e outros os preferidos na forração interna destes calçados.

As cores que demonstraram mais vitalidade foram os tons de pretos e marrons nos calçados masculinos, já nos calçados em couros brancos, com solados e palheta de saltos vermelhas foram bastante utilizados por toda a Europa, além do couro tradicional, os com flor brilhante e acamurçada foram utilizados por todo período.

Até por volta de 1860, os calçados femininos quase sempre seguiam as formas, ou pelo menos, os traços estruturais dos calçados masculinos, mas a partir do momento, em que os calçados masculinos passaram a terem seus bicos mais arredondados e serem implementadas as fivelas sobre os peitos dos pés, os calçados femininos iniciaram um distanciamento entre os modelos masculinos, sendo neste momento que começam a surgir uma silueta mais alongada para os calçados femininos, onde muitos deles passaram a ter um bico alongado e estreito, ou seja, um bico fino, embora algumas mulheres optassem pelos modelos mais tradicionais, semelhantes aos caçados masculinos.

As fivelas muito presentes nos calçados masculinos, não foram incorporadas pelos calçados femininos, uma vez que dificilmente estes calçados eram vistos, por estarem quase sempre cobertos pelos vestidos e também por um motivo prático, pois os pinos das fivelas acabariam por enroscar nas bainhas dos vestidos tornando-se inconvenientes.

Ao exemplo dos saltos dos calçados masculinos, o saltos dos calçados femininos também mantiveram-se bastante delgados e elevados, porém os calçados femininos perderam as laterais abertas, tornando-os totalmente fechados, desde o início do período do Barroco Clássico, ao contrário dos alçados masculinos que mantiveram as laterais abertas até por volta de 1680, já os laços foram encontrados nos calçados femininos durante todo o período.

Durante este período ainda podiam ser encontradas algumas poucas mulheres que ao trafegarem nas ruas enlameadas, ou empoeiradas utilizavam-se das chopines, porém eram mais comuns as Pattens.

Pattens eram muito semelhantes às galochas e tiveram sua origem na idade média, tratava-se de uma espécie de tamanco de madeira, com uma correia que servia para envolver o pé já calçado elevando–o sobre uma plataforma, plataforma está de altura mais modesta, que na maioria das vezes possuíam dois pontos de apoio uma no calcanhar e outra na planta do pé, diferentemente das chopines que havia um único ponto de apoio central. Neste momento houve uma adaptação nas pattens, onde foi criado um cunho que escacharia entre os dois pontos de apoio, tornando-as mais próxima ainda das galochas, isto deveu-se ao fato de que mesmo as cidades já possuírem um crescimento considerável, o problema na pavimentação das ruas piorará e as já enlameadas ruas estavam ainda piores, isso fazia com que os dois pontos de apoio das pattens ficassem enterrados na lama, logo este cunho tornava o solado plano dificultando o atolamento das pattens. Houve algumas adaptações, ou variações nas pattens, aonde algumas chegaram a ganhar um anel metálico interligando os dois pontos de apoio.

As galochas em si haviam tornado-se muito impopulares entre as mulheres deste período, então muitas mulheres trataram de reaproveitá-las de forma que não tivessem a tradicional aparência e trataram de amarrar uma larga tira de brocado, ou de material igual ao dos calçados, a fim fixá-las sob os calçados.

Os materiais mais utilizados nos calçados femininos eram os veludos, sedas e cetins, utilizando-se de muitos bordados, laços e apliques que produziam efeitos listrados.

As botas deste período eram principalmente utilizadas para caminhadas, logo eram confeccionadas em couros resistentes e impermeabilizados por uma espécie de cera.

Por volta de 1660 os canos das botas voltam às formas tradicionais como os conhecemos, onde a boca dos canos não mais era dobrada, porém o comprimento destes canos continua a atingir as coxas. Os bicos destas botas foram dos quadrados no inicio do período aos arredondados do final deste.

Neste período surgem as soft boot, ou as botas acolchoadas, que também tem seus canos com altura até as coxas e são atadas por laçadas em sua frente, ou mesmo ao lado.

As mulheres utilizavam-se das botas apenas para a equitação.

No Novo Mundo, a indústria calçadista americana já tinha estruturado-se e já produzia calçados de couro, havendo registros também de que as sedas eram utilizadas nas confecções de poucos calçados femininos, embora os colonizadores mais afortunados continuassem utilizando calçados provenientes da Inglaterra.