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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Tag: xix

Tipos de Botas: Hessian – O modelo foi muito utilizado no século XVIII tornando-se o padrão utilizado pela maioria dos exércitos, sendo o modelo destinado inicialmente para os oficiais de maiores patentes, posteriormente o modelo acabou incorporando também os militares de patentes inferiores e ainda um poço mais tarde já no século XIX, também pelos civis.

As principais características deste modelo eram os baixos saltos, seus bicos levemente afunilados, canos com alturas próximas aos joelhos, características estas que as tornavam ideais para a montaria, facilitando o encaixe dos pés aos estribos e protegendo as pernas das calçados dos desgastes provenientes do atrito com a cela. Estes modelos ainda possuíam as partes frontais dos canos um pouco mais altas do que as partes traseiras, sendo que no centro destas partes frontais dos canos encontravam-se geralmente um par de pingentes por cano, sendo estes pingentes muito semelhantes aqueles de cortinas mais antigas.

Muitos consideram as botas hessian, como precursoras das galochas, como as conhecemos hoje e das botas de cowboy.

 











Tipos de Botas: Doc Martens / Docs / DMS / Dr. Martens – Modelo bastante similar ao coturno criado pelo médico do exército alemão Klaus Märtens durante a 2ª Guerra Mundial. O Dr. Märtens de licença enquanto esquiava nos Alpes da Baviera em 1945 machucou o tornozelo e ao calçar seu coturno descobriu que o padrão das botas militares eram muito desconfortáveis e machucavam ainda mais, seu tornozelo ferido, antão enquanto recuperava-se em sua licença médica, ele projetou melhorias para as botas, como o couro macio e solas por amortecimento aerado. Quando a guerra terminou e alguns alemães saquearam suas próprias cidades, Martens pegou couro da loja de um sapateiro e com ele fez um par de botas, com solas amortecidas.

Märtens não obteve muito sucesso na comercialização de seus calçados, até que 1947, em Munique se reencontrou com um velho amigo da universidade, o Dr. Herbert Funck, que ficou intrigado com o design dos novos modelos de calçados e os dois entraram em negócio em Seeshaupt – Alemanha, usando borracha descartada de aeroportos da Luftwaffe (força aérea alemã). As solas confortáveis e duráveis foram um grande sucesso entre as donas de casa, sendo que 80% das vendas foram para mulheres com mais de 40 anos.

Em 1959, a empresa tinha crescido tanto, que Märtens e Funck iniciaram a venda no mercado internacional de calçados. Quase que imediatamente, o fabricante de calçados British R. Griggs Group Ltd. comprou os direitos de patente para fabricação do calçado no Reino Unido. O grupo inglês Griggs acabou mudando seu nome para Martens & Martens, logo fizeram algumas mudanças no traseiro (calcanhar), para melhor, acrescentaram a vira amarela com costura e patentearam a sola como AirWair.

Então a marca inglesa incluiu calçados, vestuários e acessórios e que foi adotada nos anos 1960 e 1980 pela contra cultura juvenil, principalmente pelo movimento punk rock entre eles os skinheads, punks e grungers. Os modelos por serem considerados bastante confortáveis também foram adotados pelos carteiros, policiais e muitos operários.

As principais características originais deste modelo eram de serem botas de meio canos, produzidas em couro macio, geralmente napa cereja, com amplos bicos arredondados, com sistema de fechamento por atacadores, com fileiras de 8 ilhoses, com solado em borracha macia aerada (sistema conhecido como AirWair), com viras de costuradas amarelas e uma pequena alça na borda no cano na parte traseira.

Atualmente existem variações do modelo, onde muito já possuem mais de 8 ilhoses em cada fileira, os canos podem ser mais, ou menos avantajado, sua paleta de cores é bastante ampla e as viras costuras já não muitas vezes amarelas. Em algumas versões femininas os modelos perderam as viras e ganharam saltos.

 











Patten / Patyns / Galochas / Clogges – este modelo teve sua origem na Idade Média e foram utilizadas até o século XIX, sendo utilizadas sobre outros calçados, onde tinha a função de elevar os pés para proteger os calçados da lama e da sujeira muito comum nas ruas não pavimentadas da época.

As principais características deste modelo eram seus solados grossos solados de madeira em peça única, que continham tiras, ou correias que circundavam os pés e aram fixadas nas cepas de madeira, a fim de acomodar os pés já calçados. Houve variações nestes modelos, onde as plataformas de madeira adquiriam estrutura metálica circular sob estas cepas, outra variação era as cepas de madeira com duas elevações uma sob o calcanhar e outra sob o metatarso.

A denominação Patten teve sua origem provavelmente do francês antigo, que refere-se a “Pata”, ou a “Casco”. O modelo tratava-se de um calçado unissex e muito utilizado no século XV, em conjunto ao modelo muito popular na época a Polaina, que eram aqueles calçados com bicos afunilados e extremamente compridos.

Este modelo também é conhecido em outros países como: Patyns,  Galochas e Clogges.

 












Entrevista concedida a repórter Roberta Gerhard Döring do jornal Exclusivo e revistas Lançamentos, que ajudou a compor a matéria, sobre tendências em fitas e fios para Primavera / Verão 2010-2011 e Outono Inverno 2011

http://www.exclusivo.com.br/LancamentosIndustriaDigital

Integra da entrevista

Falar um pouco da história da utilização de fitas e fios na confecção de calçados e bolsas e como hoje esse é mercado é considerado para a indústria da moda?

 Os Fios e Fitas confundem-se em meio à história da indumentária e obviamente dos calçados, uma vez que se considerarmos que os fios são: Fibras naturais, ou sintéticas finas e delgadas entrelaçadas preferencialmente para a produção têxtil e para junção destes artefatos, logo podem e dão origem também as fitas. Há resquícios de que desde o período paleolítico, onde são observados alguns artefatos que podem ser considerados como os primeiros calçados, já há tramas e tiras trançadas de fibras vegetais e peles de animais, para a fixação destes ao pé, então pode-se presumir que desde a Idade da Pedra Lascada, estes dois componentes estão presentes nos calçados.

Um pouco mais adiante, ou melhor, bem mais adiante também tivemos registros da utilização de fitas ou tiras, sejam estas de couro e papiro nos calçados do Antigo Egito e também nos calçados Gregos e Romanos além das tiras e fitas de couro e linho, uma vez que os senadores romanos utilizavam calçados marrons atados por fitas de couro macio e preto, até este momento os fios utilizados nas costuras eram produzidos com fibras de algodão e pêlos de alguns animais.  

Já na Idade Média as Ghillies, um modelo semelhante à sapatilha de balé, que possui bico arredondado moldado ao formato do pé, pois são confeccionadas em couro bastante macio, sendo que alguns destes modelos possuíam, ou possuem como atacadores fitas coloridas (este modelo é originário da Irlanda na Idade Média, hoje muito utilizadas pelas mulheres na tradicional dança irlandesa e pelos homens na Scottish Country Dance), neste momento já havia o emprego de fios para costuras de algodão, lã e o início de poucos fios de seda.

As fitas também fizeram-se presentes no período do Renascimento, com mais intensidade no vestuário onde tornavam-se flores e laços de seda, renda, cetim, e outros tecidos, que além de ornamentos, também serviam para atacar as roupas, mas estas fitas, também tiveram presença marcante nos calçados, tanto nos masculinos, quanto nos femininos e nas classes sociais como nobres, burgueses e plebeus, onde os laços sobre o peito do pé além de atacar os calçados servia como principal ornamento, neste momento os fios deixam de compor apenas os tecidos, fitas e costuras, mas passam a ter a função ornamental através dos bordados, fios estes que nos bordados tinham em sua maioria a seda como matéria-prima, devido a sua maleabilidade e brilho, no entanto pôde ser notado fios de ouro, que tiveram uma aplicação nos Períodos Barroco e Rococó, neste momento os fios de lã, seda, ouro, algodão e algodão encerado, que criava boa resistência, já eram amplamente empregados nas costuras e bordado de roupas e calçados.

Foi nos Períodos Barroco, Rococó e Neoclássico que os fios de ouro e seda tiveram grade destaques na elaboração de bordados tanto das roupas, mas principalmente nos calçados, uma vez que estes perderam os laços junto ao peito dos pés e buscou-se substituir a ornamentação com belas fivelas, pedrarias e ricos bordados.

Um dos grandes saltos da humanidade foi sem dúvida alguma a 1ª Revolução Industrial, que dentre muitas máquinas criadas neste período estava à máquina de costura, que segundo historiadores creditam a Thomas Saint, embora seja praticamente impossível afirmar com exatidão, uma vez que muitos indivíduos trabalham em projetos para a criação da máquina de costura nesta época, o fato é que as invenções das máquinas de costuras além de proporcionar diversos benefícios exigiram uma melhora significativa na produção dos fios, que deveriam ser mais compactos, resistentes e de modo geral mais finos, a partir deste momento, o cenário permitia qualidade nos acabamentos e ornamentação, que possibilitou inclusive durante o século XIX a ampla utilização de fitas de cetim e seda costuradas sobre os tecidos e couros e não apenas transpassadas como na maioria dos casos até então, proporcionando um visual praticamente inusitado.

Já no século XX, mais precisamente no ano de 1935, o químico Wallace Hume Carothers daria uma contribuição de extrema importância para a indústria de um modo geral, principalmente para a indústria da moda, com a invenção da primeira fibra têxtil sintética; o nylon, ou poliamida. A poliamida logo passou a ser utilizada na produção de tecidos que necessitavam elasticidade, leveza, brilho, impermeabilidade entre outros, logo um tecido que tenha elasticidade necessita de uma linha que também possua esta qualidade, caso contrário acabaria por reduzir e danifica a fibra elástica, obviamente tiveram a idéia de produzir linhas de poliamida que proporciona elasticidade, com efeito, memória, resistência, leveza e praticidade de produção da mesma, desde então a utilização deste tipo de linha teve e tem lugar cativo nas indústrias de moda/calçado. A poliamida por tratar-se de um fio impermeável, leve, resistente, elástico e com brilho utilizou-se desta fibra também na produção de fitas, tiras, cadarços, cordões etc..

Atualmente na indústria da moda, já existem algumas técnicas que descartem as tradicionais costuras a fio, principalmente na indústria do vestuário e até mesmo na indústria calçadista, em alguns tipos de calçados específicos como os fullplastic, alguns esportivos e casuais, no entanto, a indústria de fios/linhas ainda são de profunda importância devido ao fato que não conseguiu-se e durante um bom tempo não conseguiremos abolir as costuras a fio nem no vestuário, bolsas e nem nos calçados, pois estas acabam proporcionando recortes, detalhes, moldagens que a princípio seriam muito difíceis se não impossíveis de criar.

As fitas por sua vez, têm na moda seu espaço quase que cativo, embora saibamos que a moda seja cíclica e que em horas, estas se farão mais, ou menos presentes, embora tenhamos algumas regras que praticamente definem a utilização destas nas coleções, onde podemos associá-las as tendências românticas, folks, renascentistas, barrocas e rococós.

 

Quais as principais matérias-primas hoje utilizadas para a confecção de fitas e fios para uso em calçados e bolsas?

Linhas:

  • Poliamida – É a mais utilizada devido à boa resistência à tração e ao atrito, alto brilho, elasticidade e memória, além de ter ótima aceitação aos couros e sintéticos;
  • Poliéster – A segunda mais utilizada devido à boa resistência ao atrito, menos resistência a tração, opaca e pouca memória, ótima aceitação aos tecidos e boa aceitação em couros e sintéticos. Havendo uma variação da linha Poliéster, conhecida como Poliéster Trilobal com alto brilho, sendo esta ideal para bordados;
  • Algodão – Pouco utilizada devido à baixa resistência à tração e ao atrito, opaca, baixa elasticidade e memória, aceitação considerável em costuras domésticas. Há também uma variação neste tipo de linha conhecida como Algodão Merceirizado, tendo como diferencial maior intensidade de cor, estabilidade dimensional, resistência a tração e abrasão, além de ser mais lisa, tendo ótima empregabilidade em costuras artesanais;
  • Seda – Tem boa resistência a tração e ao atrito, elasticidade e memória moderada e não sofre alteração sob calor, tendo uma ótima empregabilidade na confecção de vestuário, ou calçados finos.

Fitas:

As fitas podem ser produzidas a partir das mesmas matérias-primas das linhas como: Poliamida, Poliéster, Algodão e Seda, além das fitas de Cetim muito utilizadas hoje, no entanto como sabemos o Cetim é proveniente da seda tramada.

 

Quais as características tecnológicas que esses produtos precisam ter para que tenham qualidade e durabilidade?

As principais qualidades que proporcionam qualidade e durabilidade são as seguintes:

  • Resistência a tração;
  • Resistência ao atrito;
  • Elasticidade;
  • Memória.

O brilho ou opacidade podem ser características intrínsecas as tendências da moda.

 

Como os fabricantes de fitas e fios devem estar preparados para isso (precisam se modernizar e seguir as tendências da moda, para não perderem competitividade?).

Bom… Primeiramente os fabricantes devem sai da zona de conforto, de forma alguma podem ficar estacionados achando que pelo fato de que nas últimas décadas não tenham surgidos novas fibras, havendo apenas o agregamento de algumas propriedades que tenham melhorado a performance, principalmente das fibras sintéticas, acredito que haja espaço para pesquisa na área da nanotecnologia, que poderia, por exemplo, corrigir possíveis problemas na questão da fusão das fibras sintéticas sob calor e pressão, embora que em ambiente neutro o ponto de fusão das fibras sintéticas seja consideravelmente altas, mas que no uso diário dos calçados os intempéries climáticos e em condições extremas da utilização acabam por danificar estas fibras ressecando-as e diminuindo a vida útil destas.

Acredito que possa ainda existir espaços para pesquisas de novas tramas que criem efeitos mais dinâmicos que acompanhem a efemeridade da moda.

O importante para o fabricante é não ficar parado, oferecendo sempre algo mais do que o esperado pela indústria da moda, possibilitando assim aos designers a ampliação do leque de criações e desenvolvimentos.

 

Quais as tendências em fitas e fios em calçados e bolsas para o verão e o inverno 2011?

Em relação aos fios/linhas, para as coleções verão e inverno 2011, as tendências são bastante diversificadas, uma vez que a ampliação do leque de inspirações tendem a crescer a cada coleção em virtude das constantes ampliações destas, no entanto podemos apontar algumas tendências como as diversidades de cores, uma vez que teremos o verão, que por si só, já é uma estação colorida salvo algumas raras exceções e logo na seqüência um inverno que promete também ser bastante colorido, algo que já não é tão comum para a estação, salvo também algumas exceções.

No verão a ampla utilização dos tecidos, que na sua maioria tende a ter ampla paleta de cores e estampas, as linhas mais utilizadas serão as de poliamida que já são muito utilizadas para a costura de couros e sintéticos devido a sua resistência, elasticidade e memória (só para ficar bem claro, a tão falada memória é a propriedade pela qual os materiais tendem a expandir, ou contrair, seja devido às variações de temperaturas, ou pelo uso). Nos calçados estilo festa, a linha 90 é a mais indicada por sua baixa espessura, onde a intenção é a de não deixar a costura em evidência. Nos estilos casual chic e esporte são ideais para as linhas de espessura 60, de preferência de poliamida, ou mesmo a de poliéster, que é um pouco mais opaca, vale ressaltar que a linha 60 é um pouco mais grossa do que a 90 por exemplo. Nos bordados que deverão se fazer presentes, as linhas de poliéster trilobal, que possuem alto brilho serão as ideais e em cores vivas.

Para o inverno as inspirações como: Rock, militarismo e até o folk, geralmente admitem costuras mais amostra, ou em evidências sejam em linhas mais espessas, ou em costuras duplas, ideais para costuras de materiais mais rústicos como jeans, brim e couros mais grossos, em virtude de tudo isso, as linhas mais grossas com as 60, 40 20 e até a 16, para bordados/costuras em máquinas retilíneas deverão ter uma melhor aceitação em vários estilos como: Casual, esporte e até o estilo festa, claro que os calçados mais requintados e delicados continuaram a exigir linha com espessura 90. Em relação às cores, elas ainda estão mais para um tradicional verão, do que para um tradicional inverno, que geralmente requerem uma paleta de cores mais sóbrias.

Em relação às fitas, elas também se farão presentes acredito que mais no inverno 2011, do que no verão 2011, porém com a ampla utilização dos tecidos no verão, as fitas são uma boa opção, seja apenas na ornamentação em acabamentos de bordas, ou tiras transpassadas por fitas, ou dos pequenos aos exagerados laços, ou ainda como uteis cadarços para fechamento e atacadores aos tornozelos, vale ressaltar que os cadarços também podem ser considerados fitas, pelo menos aqueles mais chatos, cadarços estes que andavam sumidos, mais voltam a dar o ar da graça. As fitas ainda podem compor ornamentos em conjuntos a pedrarias, ou metais, logicamente em tramas mais resistentes e em fibras como as poliamida e poliéster, obviamente que as fitas de cetim podem e serão ótimas opções para calçados mais requintado e d valores agregados.

As fitas do inverno 2011 devem encontrar mais espaço nas inspirações românticas, que devem contrapor inspirações mais austeras como o militarismo, ou o rock, mas devem encontrar espaço nas inspirações folk também, sendo que as fitas com mais intensidade de brilho como as de cetim e poliamida devem encontrar maior aplicação nas inspirações, ou temas românticos, sejam em pequenos, médios e grandes laços, transpassados, ou em criação de flores, já as fitas mais opacas como poliéster e algodão devem adaptar-se melhor aos temas relacionados as inspirações folk.

 

 











Os calçados nascem da necessidade prover proteção aos pés dos homens, para que estes pudessem locomover-se sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. Ao longo da história, com a evolução humana os calçados também ganham novas formas, materiais, cores, ornamentos, solados etc. A utilização de diversos modelos passam a ser sinônimo de status e podem definir classes sociais, estilos de vida, ou até mesmo classe de trabalhadores. Logo os calçados passaram a ser itens comuns nos vestuários contemporâneos.

A exemplo da interessante história dos calçados, ou até mesmo da história de seus os saltos, os calçados esportivos também tiveram uma interessante história ao longo dos tempos. Há vestígios históricos que remetem a Antigüidade Clássica, termo este utilizado para definir um longo período da história da européia, que estende-se aproximadamente do século VIII a.C. com o surgimento da Poesia Grega de Homero e a queda do Império Romano do Ocidente no século V d.C., mais precisamente no ano 476. O que diferencia esta época das demais são os diversos fatores culturais das civilizações mais marcantes de toda a história, as civilizações Gregas e Romanas.

A Antiguidade Greco-Romana não havia qualquer diferenciação entre arte e técnica, ou mesmo entre artista e artesão. A técnica grega, bem como a arte latina, referiam-se não só a uma habilidade, a um saber fazer, a uma espécie de conhecimento técnico, mas também ao trabalho, à profissão, ao desempenho de uma tarefa. O técnico era aquele que executava um trabalho, fazendo-o com uma espécie de perfeição ou estilo, em virtude de possuir o conhecimento e a compreensão dos princípios envolvidos no desempenho. Sempre associada ao trabalho dos artesãos, a arte era susceptível de ser aprendida e aperfeiçoada, até se tornar uma competência especial na produção de um objeto. Por não resultarem apenas de uma competência ou mestria obtidas por aprendizagem, mas sobretudo um talento pessoal, a composição musical e a poesia não faziam parte da arte.

Os calçados esportivos têm relação direta com as competições realizadas na Grécia, os Jogos Olímpicos da Antigüidade. Foi durante uma das competições, que alguns atletas se utilizaram de sandália feitas a partir de tiras de couro e obtiveram maiores êxitos do que outros que correiam descalços, pois até então, os grandes percursos e trajetos eram feitos descalços. Mais adiante, todos os competidores começaram a se utilizar destas sandálias e acabaram tornando-as comum entre a população.

Logo não demoraram a aparecer modificções nestes calçados, sendo que as primeiras modificações foram atribuida aos estruscos, povo este que viveu onde hoje é a Itália, na região ao sul do rio Arno e a norte do rio Tibre, então denominada Etrúria, mais ou menos onde hoje encontra-se a atual Toscana e partes da Lácio e a Úmbria.

Não há uma exatidão de quando este povo instalou-se nesta região, mas alguns historiadores datam entre 1200 a 700 a.C.. Nos tempos antigos, o histiador Heródoto acreditava que os estrucos eram originários da Ásia Menor, mas outros escritores consideram-os Italianos.

A Etrúria era composta por várias cidades-estados como: Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veio, Tarquinia entre outras, todas estas cidades altamente civilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos. Há resquícios de prologadas lutas entre Etrúria e Roma, terminado coma vitória de Roma próximos aos anos 200 a.C.

Aos estruscos é atribuída a invensão das palmilhas, que foram aplicadas nas sandálias gregas derivadas das competições, estas modificações nestes calçados, além de garantir maior conforto garantiam também, uma maior aderencia do salado dos pés aos calçados. Também é atribuido aos estruscos, a utilização de tachas de metal na sola dastas sandálias oferecendo assim melhor tração e durabilidade.

Os romanos já no século II utilizavam tiras de couros, que por meio de um conjunto de pinças fixavam melhor as sandálias. Nesse período, elas já tinham fins de uso cotidiano e esportivo.

A Idade Média foi tradicionalmente delimitada com ênfase em eventos políticos. Esse período teria sido iniciado com a desintegração do Império Romano Ocidental, no século V (em 476 d.C.) e finalizado com o fim do Império Romano Oriental, com a queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 d.C.), sendo que neste período os calçados esportivos não obtiveram significativas mudanças. A vida nos campos limitava os camponeses a utilizarem sapatos e botinas apropriados às atividades rurais.

A Idade Moderna é um período específico da história do Ocidente. Destaca-se das demais por ter sido um poríodo de transição por excelência. Tradicionalsmente aceita-se o início estabelecido pelos historiadosres franceses em 1453, quando ocorreu a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos e o término com a Revolução Francesa em 1789, ainda neste momento os calçados esportivos ainda não eram alvo de nenhum, ou quase nenhum tipo de inovação. Os calçados desta época diferenciavam as condições sociais da população e quase nehum destes, tinham a função exclusiva na prática esportiva.

Com o ressurgimento da prática esportiva no Reino Unido no final do século XVIII, obrigou o desenvolvimento de calçados leves e flexíveis e com capacidade de tração, sugindo então no século XIX o sapato em couro com bicos/tachas para tração.

Somente no século XIX, os calçados esportivos voltariam à tona, a Spalding foi a primeira empresa a produzir um calçado designado especificamente para a prática esportiva, onde os atletas utilizavam um calçado com solado e cabedal em couro macio, com atacadores (cadarços), sendo que nos solados havia uma estrutura onde eram fixadas tachas para uma melhor tração.

O inventor norte-americano Wait Webster, patenteou em New York o processo de “aplicar sola de borracha índia em sapatos e botas”, assim esta novidade diminuía significamente o impacto causado pela prática esportiva e aumentava em muito a aderencia ao solo.

Charles Goodyear em 1839 nos Estados Unidos, com intúito de melhorar a qualidade dos pneus que sua empresa fabricava, descobriu a fórmula de preservação da borracha. Esta fórmula deu origem a vulcanização, que consiste geralmente na aplicação de calor e pressão à uma composição de borracha, a fim de dar forma e propriedades ao produto final. Sem dúvida é a fase mais importante da indústria da borracha.

Na vulcanização a borracha é aquecida na presença de enxofre e agentes aceleradores e ativadores. A vulcanização consiste na formação de ligações cruzadas nas moléculas do polímero individual, responsáveis pelo desenvolvimento de uma estrutura tridimensional rígida, com resistência proporcional à quantidade destas ligações.

A vulcanização também pode ser feita a frio, tratando-se a borracha com dissulfeto de carbono (CS2) e cloreto de enxofre (S2C12). Quando a vulcanização é feita com quantidade maior de enxofre, obtém-se um plástico denominado ebonite ou vulcanite.

A determinação exata do método e das condições de vulcanização (tempo, temperatura e pressão), deverá ser feita não só tendo em vista a composição empregada, mas como também as dimensões do artefato a ser fabricado e sua aplicação. O estado de vulcanização afeta as várias propriedades físicas do artefato.

Algumas indústrias de calçados começaram então a substituir seus solados de couro pelos de borracha. Os novos calçados, mais leves e confortáveis, passaram a ser utilizados pelos bem-nascidos cidadãos da Costa Leste do país, em seus jogos de Críquete. Eram conhecidos como Cricket Sandals.

Entre 1860 e 1870, duas outras modificações apresentaram avanços nos calçados esportivos conhecidos atualmente. O invento dos cadarços e da sapatilha, originalmente desenvolvida para a prática do ciclismo, oferecia grandes vantagens aos praticantes de esportes.

O desenvolvimento dos esportes e o “boom” da Revolução Industrial abriram portas para a criação da primeira empresa especializada em calçados esportivos. Em 1890, a Reebook foi criada pela família do empresário Joseph William Foster.

Nenhuma revista de moda, estilista, ou quem quer que seja teve faro para distinguir que uma revolução no setor estava a caminho, ninguém atreveu-se a fazer qualquer comentário a respeito, simplesmente porque não parecia uma revolução, achava-se que era apenas um tipo diferente de calçado, que por certo, seria incorporado como outro modismo ao guarda-roupa da elite da época. Mas não se tratava de um caso de amor passageiro, o novo calçado também conhecido como SNEAKER (o equivalente ao “tênis” ou “sapatilhas” em português), já em 1873, teve seu couro substituído por tecido. Com um preço mais acessível, o sneaker era vendido em lojas de departamentos e logo tornou-se popular, aparecendo no catálogo “Peck and Snyder Sporting Goods” a seis dólares o par. E em 1897 aparecendo no catálogo da “Sear’s”, contribuindo para que fossem considerados calçados esportivos por excelência.

Ao mesmo tempo não perdeu a classe e em pés femininos, passou a ser usado nas quadras de tênis, era o calçado perfeito para acompanhar saques e corridas à rede. O tênis conquistou então seu nome definitivo, legenda e estandarte de um estilo de vida.

Já no século XX, o aparato tecnológico da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu a criação de calçados impermeáveis feitos a partir de lona. O novo material propiciou maior conforto aos atletas e diminuiu o peso do tênis esportivo.

Em 1920, surge o primeiro calçado de corrida do mundo, mais leve e confortável, até então as pessoas corriam, jogavam rúgbi e futebol com seus sapatos de todos os dias, pesados e desconfortáveis. Nesta época dois irmãos que moravam na cidadezinha de Herzogenaurach, na Alemanha. Adolf era introvertido e artesão nato. Rudolf era mais expansivo e com grande talento para vendas. Por serem tão diferentes, eles se odiavam e também por causa disso, não conseguiam se separar. Trabalhavam juntos na pequena fábrica Gebrüder Dassler Schuhfabrik, que em alemão significa “Fábrica de Sapatos dos Irmãos Dassler” e dia após dia, as brigas entre os dois irmãos se seguiam.

Mas nos negócios a união da qualidade do trabalho de Adi (diminutivo de Adolf) e do tino comercial de Rudi (Rudolf), dava muito certo. Eles tinham criado um tênis mais leve e anatômico do que os modelos pesadões existentes até então no mercado, esta invenção estava deixando a dupla muito rica, por isso, conseguiam se tolerar.

Foi assim até 1943, época do 3º Reich. Adolf era apolítico, filiado ao partido nazista por pura conveniência, uma vez que Hitler incentivava o esporte na Alemanha e isso fizera crescer as vendas de tênis, já Rudi era um nazista fanático. Em1943, a cidade de Herzogenaurach foi bombardeada pelos Aliados, chegando ao abrigo antiaéreo, Adolf encontrou a família do irmão e comentou: “Os sujos bastardos voltaram”. A esposa de Rudi ouviu e achou que o comentário era endereçado a ela e ao marido. Não adiantou explicar a confusão: A relação entre os irmãos ruiu de vez.

Essa não é a única versão dos motivos da separação, há quem diga que: Com o fim da guerra, Adi teria entregado o irmão aos Aliados, mas não há nada confirmado. Certo mesmo é que em 1948, Adolf Dassler aproveitou uma brecha legal para dissolver a parceria familiar e re-nomeou a Gebrüder Dassler Schuhfabrik para Adidas (contração de “Adi” e “Dassler”).

Rudolf deu o troco e criou outra fábrica de tênis “Ruda”, mais tarde rebatizada de Puma. A criação das marcas dividiu a cidade de Herzogenaurach, cortada por um rio. Em uma das margens ficava a fábrica da Adidas e na margem oposta, a da Puma. “O rio virou uma espécie de Muro de Berlim”, escreveu Bárbara Smit, autora de uma biografia dos irmãos. O ASV Herzogenaurach, um dos times de futebol da cidade, passou a ser patrocinado pela Adidas. O 1 FC Herzogenaurach, pela Puma. Quem estivesse com peças Adidas, não entrava nos bares freqüentados por fãs da Puma e casamentos “mistos” passaram a ser malvistos.

A competição entre Adi e Rudi, era tão grande que nos anos 70, eles não perceberam a aproximação de sua verdadeira inimiga: A americana Nike, que desbancou as duas marcas alemãs. Rudolf morreu em 1974, e Adolf em 1978. Os dois estão enterrados no cemitério de Herzogenaurach, em lados opostos do terreno, é claro!

Estas desavenças ou competições entre Adi e Rudi, proporcionaram alguns fatos esportivos interessantes como, por exemplo:

  • Em 1936, durante a Olimpíada de Berlim, os Dassler ofereceram um par de tênis para um corredor chamado Jesse Owen e ele ganhou quatro medalhas de ouro, essa jogada dos irmãos inaugurou o marketing esportivo;
  • Na Olimpíada de 1960, o corredor Armin Hary firmou contratos separados com a Adidas e a Puma. Foi a única vez que os irmãos concordaram em alguma coisa: Armin nunca mais foi patrocinado por eles;
  • Em 2004, Frank, neto de Rudolf (Puma), assumiu um cargo na Adidas. “Muitos familiares meus consideraram isso uma traição”, disse Frank.

Na década de 50, os tênis tornaram-se populares entre os jovens e calçaram os pés dos símbolos da juventude rebelde tipo, James Dean, o pop star Buddy Holly e Elvis Presley.

Em 1960, os calçados esportivos mais populares como os Converse ou Keds, possuíam apenas uma sola rasa e uma estrutura superior em lona. As escolhas dos atletas variavam entre uma bota para basquetebol, ou um sapato para tênis/corrida.

Na década de 70, os calçados esportivos começaram a passar por transformações, com a vitória do americano Frank Shorter na maratona de Munique nos Jogos Olímpicos de 1972, o boom começou, forçando o desenvolvimento de novas tecnologias. Quanto mais pessoas começavam a correr, maior era a procura por calçados confortáveis e resistentes ao mesmo tempo, outros esportes tornavam-se populares, houve necessidade do desenvolvimento de calçados cada vez mais específicos. Estas mudanças forçaram ao aparecimento de novos materiais e tecnologias. O desenvolvimento tecnológico mais avançado foi o aparecimento da sola intermédia.

“A indústria do calçado esportivo, é uma indústria de materiais!”

No basquetebol por exemplo: Passamos de sapatos de sola em borracha látex com estrutura superior em lona (Converse All Star), para sapatos em couro ou materiais sintéticos, com solas intermédias em poliuretano ou E.V.A. de compressão moldada, com tecnologias de amortecimento como, Nike Air, Asics Gel ou Reebok DMX, solas específicas para Indoor ou outdoor, com estruturas de apoio como faixas de velcro, reforços em carbono etc. Muito diferente do que era chamado calçado de basquetebol nos anos 70.

Os calçados para corridas, também evoluíram de forma muito intensa. No inicio dos anos 70, apenas possuíamos um tipo de formato (o semi-curvo), com uma espécie de cunho geralmente de E.V.A. na sola intermédia. Hoje temos três formatos:

  • Direito;
  • Semi-curvo;
  • Curvo.

Além de vários tipos de construções, densidades de sola intermédia, tipos de sola de acordo com o terreno, ou mesmo, características de apoio para compensar o ciclo mecânico do usuário.

Mesmo os calçados de tachas/pinos/travas evoluíram, hoje temos calçados com tachas/pinos/travas moldados, removíveis para pisos macios ou duros, de acordo com as necessidades dos praticantes, sejam de futebol, basebol, futebol americano, rúgbi e outros.

Existem hoje uma série de categorias de calçados que não existiam, como os calçados para walking, fitness, handebol e outros, permitindo ao consumidor selecionar os calçados de acordo com as suas necessidades específicas.

A durabilidade das solas foi melhorada na década 80.

Ainda na década de 80, a Nike inundou o mercado com uma linha popular de calçados esportivos, ultimamente as empresas vinculam suas marcas a atletas famosos e equipes esportivas, além é claro de popularizarem a prática esportiva, esse tipo de calçado reformulou a estética desse acessório do nosso vestuário.

A sola intermédia é o componente que ainda tem que evoluir bastante, pois as solas intermédias atuais são o elo mais fraco do calçado esportivo, pois geralmente são feitas em PU – Poliuretano de baixa densidade, formando uma espécie de espuma que tende a comprimir e perder a eficácia com o uso.

Tecnologias como o Nike Shox, são tentativas de reduzir ao máximo a dependência das espumas de PU, nas solas intermédias.

Como a indústria dos calçados esportivos, são indústrias de materiais, as grandes revoluções ainda poderão estar por vir.

Com todas as marcas, escolhas, materiais e tecnologias que existem hoje em dia, uma escolha acertada é cada vez mais difícil, pois para isso, o consumidor teria que ser um verdadeiro perito em tecnologias e materiais e isso não é muito provável.

Juntando todos estes itens, o tênis não é hoje em dia só um calçado, nem para quem fabrica, nem para quem usa. Pequena nave espacial urbana, o tênis exibe naqueles poucos centímetros e gramas de tecido, borracha e outros, tudo o que a tecnologia tem contabilizado como avanço, materiais, design, funções, tudo amadurece com cuidado nas pranchetas dos seus criadores e a imaginação parece não ter limites. Embora a conta jamais tenha sido feita oficialmente, podemos arriscar a afirmação de que: “Hoje em dia em todo o planeta, há milhares de modelos de tênis, com finalidades específicas”, todos procurando cada vez mais, envolver os pés de maneira suave e confortável, assim existindo como exemplo, estruturas em forma de pirâmide no solado, que absorvem impactos e os distribui de maneira uniforme, mecanismos que permitem movimentos independentes das partes dianteiras e traseiras do pé, modelos que podem ser chamados de múltiplos, uma vez que servem tanto para a prática de esportes como para a ginástica aeróbica e para corridas, no entanto, sabemos que só uma pequena parcela destes calçados são realmente utilizados para a prática esportiva como jogos de tênis propriamente ditos, ou basquete, ou até mesmo para a “malhação”.

Tênis é um calçado do dia-a-dia e está nos pés de celebridades e de gente anônima, pois afinal, tudo seria exatamente igual no mundo sem alguns mitos que a moda implantou ao longo dos tempos, desde a invenção do tênis.

A área que ainda deverá evoluir muito é o do conforto, isto para acomodar a geração “baby boom” que envelhece (75 milhões de pessoas nasceram entre 1948 e 1964 nos Estados Unidos), esta população vai querer calçados cada vez mais confortáveis, forçando as indústrias a procurarem novas soluções, como novos materiais ou várias larguras.

 

Evolução Cronológica dos Calçados Esportivos

 

1866 – Produção do primeiro calçado com sola de borracha;

1873 – Surge o termo “Sneaker” (Tênis – Calçado);

1890 – Josefh William Foster produz os primeiros calçados com “tachas/pinos/travas” na sola (mais tarde a sua companhia torna-se a Reebok);

1892 – Fundação d a “Us Rubber Company”;

1897 – O catálogo “Sear’s” apresenta “sneaks” de lona branca a um dólar;

1908 – Marquis M Converse funda a sua indústria;

1909 – Surgem os calçados para basquetebol em couro;

1915 – A Marinha americana encomenda os primeiros “Sneaks” para os soldados “1ª Guerra Mundial”;

1917 – Aparecem os Keds e os Converse “All Star”;

1920 – O Duque de Windsor lança a moda dos tênis brancos na sua visita aos Estados Unidos;

1925 – É fundada a “Dassler Sport Shoes” (mais tarde daria origem à Puma e a Adidas);

1929 – A Spalding apresenta o apoio para a Arcada e a Keds solas coloridas;

1934 – A Keds apresenta os calçados de lona colorida;

1935 – Os calçados de lona azul são aceitos nos campos de tênis;

1942 – Desenvolvimento da borracha sintética;

1948 – Adi Dassler funda a Adidas e Rudolph Dassler funda a Puma;

1949 – Onitsuka Tiger fabrica os primeiros calçados esportivos no Japão (ASICS);

1950 – Surgem os ilhoses nas laterais dos tênis para a transpiração;

1961 – A New Balance apresenta o “Trackster”, o primeiro calçado esportivo disponível em diferentes larguras;

1968 – O “Boom” dos calçados esportivos;

1971 – Phil Knight e Paul Bowerman fundam a Nike;

1972 – A sola “Waffle” revoluciona os tênis para corrida;

1979 – Paul Fireman compra os direitos da Reebok;

1981 – A Reebok apresenta o primeiro tênis para atividades aeróbicas para senhoras;

1989 – A Reebok lança o Pump por 175 dólares;

1992 – A Nike introduz a tecnologia Huarache (tênis com uma meia embutida em neoprene);

2000 – A Nike introduz um conceito novo: O shox (tênis com sistema de amortecimento em forma de molas);

2004 – A Adidas lança o primeiro calçado com chip na sola intermédia (A1), que adapta o sistema de amortecimento conforme as condições do solo;

2006 – A Adidas em parceria com o fabricante de monitores de freqüência cardíaca, apresenta o primeiro calçado capaz de aceitar um sensor de velocidade e distância, fazendo parte de um conjunto calçado/têxtil monitor de freqüência cardíaca, capazes de comunicar com o relógio do usuário;

2006 – A Nike lança o tênis Air 360, tornando-se assim, a primeira empresa a fabricar um par de calçado esportivo, cujo amortecimento da sola intermédia é totalmente não baseada em espuma de PU;

2007 – Isaac Daniel lança uma linha de calçado esportivo com GPS incorporado, este calçado permite ao usuário utilizar um botão de “pânico” caso esteja em situações de perigo;

2008 – A Brooks lança a tecnologia BioMogo, um composto da sola intermédia 100% biodegradável em apenas 20 anos, em lugar dos 1000 que tarda uma sola convencional;

Futuro – A indústria do calçado desportivo é uma indústria de materiais.

 











A real origem dos saltos dos calçados confunde-se ou perde-se, ao longo da própria história dos calçados. Até onde sabe-se, os primeiros resquícios de calçados com saltos foram encontrados em tumbas do Antigo Egito e datam aproximadamente de 1.000 A.C.. Provavelmente estes calçados com saltos distinguiam a alta posição social do quem os utiliza.

Na Grécia Antiga, também houve a utilização de saltos, sendo que o primeiro grande dramaturgo trágico da história grega o autor Aeschylus, exigia dos atores que encenavam suas peças, a utilização de calçados plataforma feitos inicialmente de cortiça, estas plataformas tinham diferentes alturas, as quais indicavam a posição social qual personagem pertencia.

Isto também ocorreu na história recente do Oriente, mas precisamente no Japão, quando o Imperador Hirohito assumiu o trono em 1926, este utilizava calçado com plataforma de aproximadamente 30 cm de altura.

A história nos revela que os saltos altos também estiveram associados à sexualidade, uma vez que as prostitutas na Roma Antiga eram identificadas pelos saltos que utilizava já as cortesãs japonesas utilizavam tamancos com altura que variavam entre 15 e 30 cm, já as concubinas chinesas e as odaliscas turcas eram obrigadas a utilizarem sandálias altas provavelmente para dificultar a fuga dos haréns.

Mas é somente na Idade Moderna, mais precisamente durante o Renascimento o período da história da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida, que iniciou-se a utilização do salto que foi criado para elevar a altura das mulheres, os primeiros saltos foram confeccionados em cortiça em forma de cunha, acompanhando o formato do arco do pé, elevando a altura apenas no calcanhar. Existem diferentes opiniões a respeito dos saltos altos, alguns como origem das “chopinas” (blocos de madeira utilizada como base/solado, onde o calçado era confeccionado), provenientes da China ou Turquia, eram sandálias com plataformas onde a altura dos solados apontava o nível social e chegava a atingir 40 cm. Havia casos de senhoras da corte que elevaram suas plataformas até 70 cm e precisavam às vezes de dois criados, um de cada lado para conseguir o equilíbrio, as chopinas foram inicialmente utilizadas pelos nobres, passando pela burguesia e chagando as camadas sociais mais baixas, daí foram desprezadas pela elite, sendo que as últimas as utilizarem as chopinas foram às prostitutas.

As plataformas e os saltos altos estão desde a Antigüidade associados a situações solenes e rituais, quando todo o universo gestual e os movimentos corporais, na época bastante contidos, estão relacionados a reverências e comportamentos formalizados. As mulheres mais observadoras imaginaram que suas silhuetas poderiam ganhar contornos mais sensuais com o calcanhar elevado, projetando o tórax para frente e dessa maneira ressaltando os seios. Até 1.600 não havia nada que realmente pudesse ser chamado de salto, nos anos de 1.590, até já tinham produzido alguns saltos baixos de madeiras ou cortiças, antes disso foram utilizados cunhos de cortiça ou empilhamento de camadas de couros, mas sem muito sucesso devido à dificuldade no caminhar. Uma vez com o surgimento do verdadeiro salto, com o conceito que conhecemos hoje, as outras formas de saltos desaparecem rapidamente. Em pleno século XVII, a fabricação de calçados com saltos originavam calçados com pouca estabilidade, causando freqüente falta de equilíbrio durante a utilização destes, isto devido às falhas na fabricação dos calçados principalmente na região de encaixe do salto, causando também problemas de emparelhamentos. Embora o desenvolvimento dos calçados desde o período Romano, já vinha sendo produzidos para pés direitos e esquerdos, porém a parte traseira dos calçados não havia diferenças entre os dois pés, então para dar mais estabilidades aos calçados com saltos, iniciou-se uma maior preocupação com detalhes e diferenciações entre pés esquerdos e direitos também na parte traseira.

A invenção do salto é atribuída a Catarina de Médicis (1519 a 1589), Rainha da França pelo casamento com o Duque Orléans (Henrique I), ficou viúva aos 40 anos, mas controlou o poder durante os reinados de seus filhos Francisco II, Carlos IX, e Henrique III. Apoiou o massacre dos protestantes na trágica noite e São Bartolomeu. Estudiosa da astrologia e magia, seus inimigos a acusavam e procurar auxílios de demônios.

Catarina de Médicis ao desembarcar em Paris, trazia em sua bagagem vários calçados de saltos, produzidos exclusivamente para ela com o único intuito de deixá-la mais alta, calçados estes, confeccionados por um artesão italiano. Logo seu gosto por saltos, acabou sendo absorvido pela aristocracia européia influenciando a moda, que incorporou o salto alto.

No século XVII, as mulheres que se utilizassem saltos altos para seduzir ou atrair os homens para os casamentos, eram punidas pelo parlamento inglês como feiticeiras. Em sua biografia Giovani Casanova, declarou sua tração pelos saltos altos, que segundo ele, levantavam as armações da saias-balão, utilizadas na época, sendo que assim mostravam as pernas femininas.

Durante o século XIX, importados do bordéis de Paris, os saltos altos foram introduzidos nos Estados Unidos. Nesta época em Paris eles já eram um grande sucesso, uma vez que os clientes preferiam contratar os serviços de prostitutas que utilizam os saltos. Ainda nesta épca não existia a figura do estilista ou designer de calçados, onde só seriam criadas durante o seculo XX, portanto, a criação destes calçados era apenas mais um ofício dentre muitos e ficavam a cargo dos modestos sapateiros.

A produção em larga escala dos calçados teve sua origem nos Estados Unidos, onde começous como uma tividade familiar e exclusiva de coloos do leste do país (Nova Inglaterra). Contudo a tradição do calçadoconfeccionado a mão não extigue-se e e um grande fenômeno europeu, especialmente em países como a Inglaterra, Itália e França, onde o design de calçados estava intimamente associado ao design de moda.

A indútria francesa ou parisense de moda foi fundada por CharlesFrederick Worth, em 1846. Worth foi o mais destacado estilista do mundo da moda na época, a ponto de ter sido ele o responsável por vestir toda a realeza da Europa. Trilhando o caminho de Worth, outros estilistas sugiram, como Paquin, Chernit e Doucent, tornando assim Paris a capital da moda. Alguns estilistas que trabalharam para estes mestres, com o passar do tempo foram granado independência e granhado destaque, podendo ser citado Pinet, que chegou em Paris em 1855, para trabalhar para Worth e acabou criando o salto que leva seu nome, o salto Pinet, que é mais fino e mais reto que o popular salto Luiz XV. Outro estilista importante desta época foi Pietro Yanturni que se auto-denominava ” O mais caro estilista de calçados do mundo”, com uma clientela exclusiva de apenas 20 clientes, sendo que atualemte seus calçados encontram-se expostos no Metropolitan Museum of Art de New York. André Perugia também seguiu os passo s Pietro Yanturni, sendo que seus claçados estão expostos no Musee de la Chaussure em Romans ne França.

No nício do século XX, requícios de pré-conceitos do século anterior, faziam muitos indivíduos considerarem indecentes mulheres que deixavam a mostra partes de seus pés ou pernas. Por isso, o conforto prevaleceu em dentrimento do estilo, que ficava restrito a privacidade dos lares. Ficando as apertadas botas e botinas para a utilização em público.

Após a Primeira Grande Guerra a história mudou, com o desenvolvimento da economia, os calçados de tiras entram em cena, com seus bicos alongados e saltos altos estilo “Luiz XV”. Houve uma ampla utilização de cores e os saltos eram tilizados até para dançar.

Junto com os anos 30, chegará a Grande Depressão, o que também repercutiu na moda, sendo que nos calçados os saltos se tornaram mais baixos e mais largos, nestas época muitas mulheres condenavam a utilização de saltos altos. Mas foi a partir de Segunda Grande Guerra, que os saltos passaram por uma fase de despreso total, devido a racionalização de várias matérias-primas, dentre elas o couro, que que tinha sua utlização exclusivamente para fins miltares.

No entanto, o italiano Salvatore Ferragamo encontrou a solução ao desenvolver um modelo de calçado com salto anabela em cortiça. Logo após o fim da guerra este modelo tornou-se moda, então muitos estilistas passaram a copiá-lo. Mas já em 1914, Salvatore Ferragamo já exportava calçados femininos feitos a mão para os Estados Unidos, onde ficou conhecido como o estilista dos calçados das estrela de Hollywood.

Durante algum tempo Salvatore Ferragamo, Charles Jourdan e André Perugia travaram uma competição para desenvolver o mais refinado e elegante salto, mas no processo de produção não podiam utilizar materiais frágeis como madeira, pois poderia não suportar o peso de uma mulher e partir.

O inglês David Evins, continuou o trabalho de Salvatore Ferragamo e durante 40 anos, continuou criando coleções para os mais famosos estilistas de New York, entre eles Bill Balss e Oscar de la Renta.

Muitos estilistas desenvolveram saltos em forma de pinos de aço recobertos com materiais plásticos, buscando solucionar os problemas de resistência ao peso pelos saltos. Os italianos Del Co e Albanese criaram uma sandália para a noite, com duas minúsculas tiras e um salto baixo sob o arco do pé. Roger Viviee, que então trabalhava para Christian Dior em paris, aperfeiçoou este salto, dando-lhe a forma de uma vírgula e acabou por receber todo o créditopela invensão do salto Stiletto, isso em 1955.

Contudo, enquanto os franceses de fato, não tinham competidores à altura no que diz respeito à moda de vestuário, os italianos por sua vez, eram os mestres da produção em massa da moda calçadista. Graças aos contatos de Salvatore Ferragamo em Hollywood, esses calçados italianos se tornaram muito populares entre as estrelas hollywoodianas nos anos 50 (Jane Mansfield tinha mais de 200 pares). O salto stiletto, era então, sinônimo de “sex appeal”. Enquanto isso, os médicos responsabilizavam os sapatos de salto alto por todos os tipos de problemas. E não só quanto à saúde da mulher. Muitos atribuíam o crescimento da delinqüência juvenil aos saltos altos.

Nos anos 60, teve início a transferência da moda de Paris para Londres e a moda das ruas ditava o que era para ser usado. Com o preço do couro em alta, os materiais sintéticos entraram em cena. Roger Vivier, Herbert Levine e Miller foram os pioneiros na utilização de material plástico transparente.

No início dos anos 70, as plataformas retornaram por um breve período, especialmente aquelas botas extravagantes de cano alto. Muitas destas botas tinham desenhos psicodélicos. Era o estilo andrógino do “Glam Rock”. Foi o estilista Terry de Havilland, quem as popularizou e encontrou adeptos não apenas entre as mulheres, mas também entre gays e lésbicas.

Nos anos 80, mulheres executivas passaram a adotar o salto stiletto, como um complemento aos seus vestuários para projetarem uma imagem de eficiência e de autoridade. Os saltos altos simbolizavam glamour e extravagância, além de um modo de expressar feminilidade nunca antes vista na história dos saltos altos.

Na última década do século XX, as plataformas reapareceram pelas mãos de Vivienne Westwood e Jean-Paul Gaultier. Nos anos 90, conceitos antigos foram reciclados. Assim como os estilistas de moda, os estilistas de calçados femininos passaram a ser estrelas do mundo fashion, com Manolo Blahnik, sendo então, o maior expoente. Como na década anterior, o nome da marca era a coisa mais importante.

Atualmente, existe uma nova geração de designers. Requisitados por clientes e por estilistas de moda, os sapatos de salto alto de designers como Joan Halpern, Maud Frizon, Beth e Herbert Levine, Andrea Pfister, Jan Jansen, Patrick Cox e Christian Louboutin algum dia serão apreciados como autênticas obras de arte. A tecnologia tem acrescentado novas opções de materiais (microfibras, tecidos elásticos etc.) o que aperfeiçoa o processo de produção. Tudo parece indicar que os sapatos e sandálias de salto alto continuarão a fazer muito sucesso na história da moda.

 











Os calçados nascem da necessidade prover proteção aos pés do homem para que estes pudessem se locomover sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. Embora alguns historiadores datem os primeiros calçados entre 3.000 A.C. e 2.000 A.C. no Antigo Egito, mas resquícios históricos encontram evidências no Período Paleolítico, também conhecido como Idade da Pedra Lascada, sendo que estas evidências datam entre 14.000 A.C. e 10.000 A.C., uma vez que pinturas rupestres encontradas na Europa em países como França e Espanha, fazem referencias a utensílios utilizados para a proteção dos pés deste homem pré-histórico.

Durante um longuíssimo tempo os calçados não seguiram qualquer padronização de numeração, o que nos leva a crer que até o início do século XIV, os calçados fossem feitos sobre medida para seu usuário.

Mas isto começou a mudar durante o reinado de Eduardo I de Inglaterra (17 de Junho de 1239 – 7 de Julho de 1307), cognominado Longshanks, foi um Rei de Inglaterra da dinastia Plantageneta entre 1272 e 1307. Era filho de Henrique III de Inglaterra, a quem sucedeu em 1272, e de Leonor da Provença. Durante o seu reinado, a Inglaterra conquistou e anexou o País de Gales e adquiriu controle sobre a Escócia. Eduardo mostrou ter uma personalidade e estilo de governo bastante diferentes do seu pai, que procurava reinar por consenso e resolvendo crises de forma diplomática.

No início do século XIV, mais precisamente no ano de 1305, O Rei Eduardo I, decretou que fosse considerada uma polegada a medida de 3 grãos secos de cevada, colocados lado a lado (não devemos nos esquecer que no Brasil utilizamos o ponto Frances e na Inglaterra, utiliza-se o ponto inglês, mas isso iremos tratar mais adiante). Este decreto visou padronizar as medidas, o que acarretou novas possibilidades negócios, pois a partir daí, com a padronização dos tamanhos passou a ser possível a confecção de calçados para vendas posteriores. Os sapateiros ingleses gostaram da idéia e passaram a fabricar pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanho padrão, baseados no grão de cevada. Desse modo, um calçado medindo 35 grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 35 e assim por diante.

Oficialmente a primeira descrição de um sistema de medidas para os calçados, foi publicada na Inglaterra no século VXII, no ano de 1688. A publicação foi feita no manual The Academy Of Armory And Blazon desta época, onde Randle Holme menciona um acordo entre sapateiros para utilizar um sistema de 1/4 de polegada (0,635 cm) como padrão. Mais de um século depois, uma nova medida foi instituída pelos fabricantes ingleses, que passaram a utilizar 1/3 de polegada (0,846 cm), o equivalente a um grão de cevada, que era justamente a medida decretada pelo Rei Eduardo I, lá no século XIV. Essa medida virou uma unidade métrica chamada “Ponto“.

Com a Revolução industrial, período que consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. Iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX, e segundo alguns historiados, este processo estende-se até os dias atuais. Durante este período, a era agrícola foi superada, a máquina foi suplantando o trabalho humano, uma nova relação entre capital e trabalho se impôs novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa, entre outros eventos. Essa transformação foi possível devido a uma combinação de fatores, como o liberalismo econômico, a acumulação de capital e uma série de invenções, tais como o motor a vapor. O capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente.

É neste período que entra em vigor a utilização do primeiro sistema de numeração para fábricas de calçados, criado em 1800 pelo americano Edwin B. Simpson. O sistema incluía também medidas de “Meio Ponto“, usadas até hoje nos EUA e na Inglaterra. Os fabricantes só passaram a utilizar o método em 1808, mas ele sobreviveu e dura, com pequenas variações, até hoje. Outros países como o Brasil, adotaram sistemas diferentes, mas sempre baseados na idéia de ponto. O sistema brasileiro usa o ponto francês, com 2/3 de centímetro, que é muito próximo do padrão em toda a Europa Continental. No Japão o padrão é mais simples, pois 1 ponto mede 1 cm.

 

PONTOS

Existem vários PONTOS, mas abaixo estão os principais, vale lembrar, que há variações nas tabelas de equivalência de numeração entre os países.

Ponto Francês:

Baseia-se no centímetro;

1 Ponto Francês corresponde a 2/3 de 1 centímetro, ou seja, 0,666 cm.

Ponto Inglês:

Baseia-se na polegada;

1 Ponto Inglês corresponde a 1/3 de uma polegada, ou seja, 0,846 cm.

Ponto Americano:

Baseia-se na polegada;

1 Ponto Americano corresponde a 1/3 de uma polegada, ou seja, 0,846 cm.

Ponto Japonês:

Baseia-se no centímetro;

1 Ponto Japonês corresponde a 1 cm.

 












Nós humanos somos extremamente jovens se comparados com alguns animais. Por algum motivo desconhecido, a natureza não foi tão generosa com nossos pés quando se comparado com as patas de outros animais, como as macias patas dos gatos e cachorros, ou a resistência dos cascos de cavalos e outros. Assim sendo, o calçado nasce da necessidade prover proteção aos pés do homem para que estes pudessem se locomover sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. É bastante provável que os calçados pré-históricos eram compostos por folhas de plantas, cascas de árvores, cipós, peles e couros de animais.

Não há dúvidas de que os calçados são uma das grandes paixões femininas. A preocupação com o adorno dos pés acompanha a humanidade desde períodos pré-históricos. Em muitas culturas ou sociedades, os calçados foram e são sinônimos de indicadores de posição social e status econômicos, pois não nada mais desagradável do que um pé mal calçado, mesmo que se esteja vestindo uma roupa de milhares de dólares. Os pés são além de ponto estético, uma área de grande sensualidade em todas as culturas. Freud postulava que o calçado feminino simboliza a vagina. O ato de calçar os sapatos, portanto, seria uma simbologia do ato sexual.

Há países ao redor do mundo, que a maioria da população ainda não utiliza o calçado em seu dia-a-dia, ficando este associado a ocasiões especiais.

Alguns historiadores datam os primeiros calçados entre 3.000 A.C. e 2.000 A.C. no Antigo Egito, mas resquícios históricos encontram evidências no Período Paleolítico, também conhecido como Idade da Pedra Lascada, sendo que estas evidências datam entre 14.000 A.C. e 10.000 A.C., uma vez que pinturas rupestres encontradas na Europa em países como França e Espanha, fazem referencias a utensílios utilizados para a proteção dos pés deste homem pré-histórico.

Estas datas entre 14.000 A.C e 10.000 A.C. podem ser atribuídas à divisão do Período Paleolítico, como Paleolítico Superior, onde o homem já era obrigado a morar em cavernas, devido ao intenso resfriamento da Terra, principalmente no norte da Europa que ficava coberto pelo gelo em conseqüência da 4ª Era Glacial. O Homem deste período é o Homem de Cro-Magnon, que já é o homem propriamente dito. Caçava animais de grande porte como mamutes e renas, utilizando para isso armadilhas montadas no chão. Já nesta época utilizavam-se de alguns utensílios de pedra que serviam para raspar as peles, o que mostra que a arte de curtir couros e peles é muito antiga.

Já no Egito por vola de 7.000 e 6.000 A.C. nos Hipogeus (monumentos funeráriossubterrâneos do período pré-Cristão) câmaras subterraneas utilizada para enterros, foram descobertas várias pinturas que representavam os diversos etágios do preparo do couro e do calçado.

No Antigo Egito que inicia-se em cerca de 3150 A.C., altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egipto, e termina em 30 A.C. quando o Egipto, já então sob dominação estrangeira, transformou-se numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha de Ácio, as sandálias dos egípcios eram feitas de palha, papiro ou de fibra de palmeira e era comum as pessoas andarem descalças, carregando as sandálias e usando-as apenas quando necessário. Sabe-se que apenas os nobres da época possuíam sandálias. Mesmo um faraó como Tutancamon usava sandálias e sapatos de couro simples, apesar dos enfeites de ouro.

Na Mesopotâmia eram comuns os calçados de couro cru, amarrados aos pés por tiras do mesmo material. Os coturnos eram símbolos de alta posição social. A Mesopotâmia nome grego que significa “entre rios” (meso – pótamos), é uma região de interesse histórico e geográfico mundial. Trata-se de um planalto de origem vulcânica localizado no Oriente Médio, delimitado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, ocupado pelo atual território do Iraque e terras próximas. Os rios desembocam no Golfo Pérsico e a região toda é rodeada por desertos. Os principais povos que habitaram as Mesopotâmia foram: Sumérios e Acadianos (antes de 2.000 A.C.); Amoritas (2.000 A.C.-1.750 A.C.); Assírios (1.300 A.C.-612 A.C.); Caldeus (612 A.C.-539 A.C.).

Na Grécia Antiga, os gregos chegaram a lançar moda, como a de modelos diferentes para os pés direito e esquerdo. Grécia Antiga é o termo denominado para descrever o período clássico antigo do mundo grego e áreas proximas como França, Sul da Itália, Anatólia, Costa do Mar Egeu e Chipre. Não existindo uma data fixa, ou se quer um consensso que consiga definir um período que marque o início ou o fim da Grécia Antiga. Alguns escritores atribuem o período minóico e o micênico entre 1.600 A.C. a 1100 A.C.. Tradicionalmente a Grécia Antiga abrange desde os primeiros Jogos Olímpicos em 776 A.C., sendo que alguns historiadores estende o começo para 1.000 A.C., até a morte de Alxandre, O Grande em 323 A.C.. O dramaturgo Aeschylus, exigia que seus atores que encenavam papeis heróicos nas tragédias gregas, utilizassem calçados com grossos solados de cortiça, para parecem grandes e imponentes, sendo que a partir daí, os artesões da Grécia Antiga criaram as sandálias artísticas.

Na Roma Antiga o calçado indicava a classe social. Os cônsules usavam sapato branco, os senadores sapatos marrons presos por quatro fitas pretas de couro atadas a dois nós, os calçados tradicionais das legiões eram as botas de canos curtos que descobriam os dedos, existiam também os “caligaes” uma espécie de sandália bastante rústica de couro pesado e solado grosso, muitas vezes presas com taxas de bronze, estes calçados permitiram a estas legiões marcharem por toda Europa, Norte da África e Ásia Ocidental. Após os combates eram comuns os caligaes receberem camadas de peles das faces de seus inimigos, que eram adicionadas aos seus solados, essa tradição foi herdada dos egípcios, onde eles assim podiam literalmente pisar nas cabeças em seus inimigos. Os soldados vitoriosos ao voltarem das guerras, substituíam as taxas e adornos de seus caligaes de bronze por peças de ouro e prata.

Roma Antiga é o nome dado à civilização que se desenvolveu a partir da cidade de Roma, fundada na península Itálica durante o século VIII A.C.. Durante os seus doze séculos de existência, a civilização romana transitou da monarquia para uma repúblicaoligárquica até se tornar num vasto império que dominou a Europa Ocidental e ao redor de todo o mar Mediterrâneo através da conquista e assimilação cultural, no entanto, uma série de fatores sócio-políticos causou o seu declínio e o império foi dividido em dois.

A metade ocidental, onde estavam incluídas a Hispânia, a Gália e a Itália, entrou em colapso definitivo no século V e deu origem a vários reinos independentes.

A metade oriental, governada a partir de Constantinopla passou a ser referida, pelos historiadores modernos, como Império Bizantino a partir de 476 D.C., data tradicional da queda de Roma e aproveitada pela historiografia para demarcar o início da Idade Média.

Com a desintegração do Império Romano do Ocidente, no século V (em 476 D. C.), é terminado com o fim do Império Romano do Oriente, com a Queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 D.C.).

O período da Idade Média é marcada por uma grande mudança de compotamento, atingindo também a indumentária, onde os ensinamentos cristãos pregavam a não exposição dos corpos, diferentemente dos povos que os antecedoram, como os egípcios, gregos e romanos, os quais exibiam constantemente seus corpos. Essa drástica mudança na idunmentária atingiu também os calçados, onde as sandálias que esibiam os pés deixam de ser usadas, danado espaçosbotas altas e baixas, atadas à frente e ao lado para os homens, já para a mulheres, sapatos abertos que tinham uma forma semelhante a das sapatilhas. O material mais utilizado era o couro de gado, mas as botas de qualidade superior eram feitas de couro de cabra, embora pudessem ser bem mais desconfortáveis do que se possa imaginar, mesmo assim, os calçados estavam entre os presentas mais procurados neste período.

Tendo início as Cruzadas, veio o contato com o Oriente e a influência deste, causou mudanças nos estilos dos calaçdos, originando um calçado mais coerente e decorado. Surge neste momento os sapateiros, profissionais responsáveis por promover calçados de qualidades.

Durante a Idade Média, que sugiu a padronização da numeração dos calçados, tendo sua origem na Inglaterra durante o reinado de Eduardo I (1.239 a 1.307), por volta de 1.305, ele decretou que fosse considerada como uma polegada a medida de 3 grãos de cevada, colocados lado a lado. Os sapateiros ingleses gostaram da idéia e passaram a fabricar, pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanho padrão, baseados no grão de cevada. Desse modo, um calçado infantil medindo treze grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 13 e assim por diante.

O Renascimento identifica o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida humana assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.

É durante o Renascimento que os calçados tamam formas e alturas bastante interessante, chegando a ser descrito por muitos como extremamente ridículos. Entre os séculos XIV e XV, surgem as “poulaines”, difundidas em toda a Europa e principalmente na França e Inglaterra, este calçado caracterizava-se pelo estreitamento e alongamento das pontas, bicos. O comprimento do bico do calçado era proporcional à posição do indivíduo na sociedade, quanto mais alto o nível na escala social, maior o bico e se tornou uma competição hierárquica. Eram fabricados em couros, veludos, brocados e bordados em fios de ouro. Até as armaduras seguiram esse gênero com sapatos de ferro e bico revirado. Foi rei Francisco I (1.515 a 1.547) da França, quem decretou o fim deste tipo de calçado e ainda no século XV, este tipo de pontas aguçadas foi proibido pelo rei da Inglaterra Henrique VIII (1.509 a 1.547), por ter pés largos e inchados, achava esse tipo de calçado achava inconveniente e doloroso. A partir daí, são aceitos os chinelos rasteiros com base larga e muito mais confortáveis.

A ascensão da burguesia nos séculos XV e XVI, devido ao desenvolvimento do comércio originou nova classe social. O desenvolvimento deste comércio trouxe diversidade de peças do vestuário, inclusive os calçados, tornando-os mais diversificados, refinados e complexos. O calçado aparece como peça bastante trabalhada e passa a ser peça indispensável no vestuário. Quase sempre cada roupa exige um calçado e este é fabricado com os mesmos tecidos e ornamentos.

Os calçados masculinos têm as formas quadradas e largas, mais cômodas que no século anterior permitindo assim, maior transpiração e conforto para os pés. As botas que inicialmente exclusivo de uso dos exércitos, chegavam a atingir a coxa.

Iniciou-se neste período o uso do salto que foi criado para elevar a altura das mulheres, os primeiros saltos foram confeccionados em cortiça em forma de cunha, acompanhando o formato do arco do pé, elevando a altura apenas no calcanhar. Existem diferentes opiniões a respeito dos saltos altos, alguns como origem das “chopinas” (blocos de madeira utilizada como base/solado, onde o calçado era confeccionado), provenientes da China ou Turquia, eram sandálias com plataformas onde a altura dos solados apontava o nível social e chegava a atingir 40 cm. Havia casos de senhoras da corte que elevaram suas plataformas até 70 cm e precisavam às vezes de dois criados, um de cada lado para conseguir o equilíbrio, as chopinas foram inicialmente utilizadas pelos nobres, passando pela burguesia e chagando as camadas sociais mais baixas, daí foram desprezadas pela elite, sendo que as últimas as utilizarem as chopinas foram às prostitutas.

As plataformas e os saltos altos estão desde a Antigüidade associados a situações solenes e rituais, quando todo o universo gestual e os movimentos corporais, na época bastante contidos, estão relacionados a reverências e comportamentos formalizados. As mulheres mais observadoras imaginaram que suas silhuetas poderiam ganhar contornos mais sensuais com o calcanhar elevado, projetando o tórax para frente e dessa maneira ressaltando os seios. Até 1.600 não havia nada que realmente pudesse ser chamado de salto, nos anos de 1.590, até já tinham produzido alguns saltos baixos de madeiras ou cortiças, antes disso foram utilizados cunhos de cortiça ou empilhamento de camadas de couros, mas sem muito sucesso devido à dificuldade no caminhar. Uma vez com o surgimento do verdadeiro salto, com o conceito que conhecemos hoje, as outras formas de saltos desaparecem rapidamente. Em pleno século XVII, a fabricação de calçados com saltos originavam calçados com pouca estabilidade, causando freqüente falta de equilíbrio durante a utilização destes, isto devido às falhas na fabricação dos calçados principalmente na região de encaixe do salto, causando também problemas de emparelhamentos. Embora o desenvolvimento dos calçados desde o período Romano, já vinha sendo produzidos para pés direitos e esquerdos, porém a parte traseira dos calçados não havia diferenças entre os dois pés, então para dar mais estabilidades aos calçados com saltos, iniciou-se uma maior preocupação com detalhes e diferenciações entre pés esquerdos e direitos também na parte traseira. Durante a Guerra Civil Americana as botas dos exércitos passam a ser fabricadas com essa diferenciação entre os pés também na parte traseira e foi muito bem aceita.

É também neste período que é conhecida da manufatura do calçado na Inglaterra é de 1642, quando Thomas Pendleton forneceu 4.000 pares de sapatos e 600 pares de botas para o exército. As campanhas militares desta época iniciaram uma demanda substancial por botas e sapatos.

No apogeu veneziano, durante o século XVII, luxo e riqueza da influência oriental marcaram os materiais empregados na fabricação de calçados como os brocados, veludos e adamascados fartamente ornamentados. Neste momento surgem as “ciopines”, que são calçados com as solas aumentadas com a invenção do “pattino”, uma proteção para os delicados sapatos em contato com o solo e a água.

Na França, acontece um fato importante e particular, durante o reinado de Luiz XIV e de Luiz XVI, há introdução nos modelos de calçados masculinos de um salto mais alto e quadrado e também de fivelas e fartos ornamentos.

No século XVIII, a moda se estabeleceu de maneira sistemática e organizada como fenômeno cultural, social e de costume. São estabelecidas as variações do “gosto”. Período de muita evolução e os calçados em produção artesanal passa a atender as novas exigências de praticidade e funcionalidade que a sociedade exigia. Ficam caracterizados diferentes ambientes como: Cidade, campo e estrada. Desta maneira, surgem os calçados para o trabalho, para o passeio e várias novas exigências que este novo consumidor necessita.

O estilo predominante dos calçados femininos neste período são as botas em couro ou cetim e trabalhadas de maneira intensa, com saltos robustos e fechamentos laterais, nos quais aparece quase sempre uma carreira de pequenos botões ou amarrações com laços. Nos masculinos todos em couro preto e com a presença do elástico, invenção deste período, que torna o calçar mais confortável. Neste momento a sola ainda era presa ao corpo do sapato com pregos e toda costura era feita à mão.

Com a chegada das Máquinas de Costuras Américas de Isaac Merrit Singer, Elias Howe e Walter Hunt no século XIX, o processo de costura não só acelerou o processo de produção como levou à confecção de um calçado melhor e mais barato. Durante a Revolução Industrial surgem as operatrizes especializadas, como a de McKay. Um fluxo incessante de máquinas sofisticadas revolucionou a indústria dos calçados, de tal modo que, no alvorecer do século XX, ela já entrara na era da produção em massa.