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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Tag: vermelho

Assim como alguns contam carneirinhos para dormir, há quem diga que Carlota contava sapatos. Carneirinhos aparentemente são iguais, sapatos  existem tantos quantos propõe o imaginário. Haja tempo para dormir! Carlota os tinha, sem exagero, em dezenas. Sua nobre mãe, como presente de casamento, lhe dera um par de sapatos para cada dia do ano. O noivo Real não deixou por menos, presenteou-a com uma quantidade inesquecível de sapatos, onde destacavam-se os vermelhos e os de salto alto. Homem sábio este, porque, os estudiosos do assunto juram que a cor vermelha é a cor da sedução. Mas, certamente não levou isto tão a serio, já que os mesmos estudiosos ainda nos lembram que o vermelho é também a cor do poder e da dominação. Carlota com seu instinto aguçado aprendeu desde menina que os sapatos de salto alto  e ainda vermelhos, eram muito poderosos.

Como a cor  possui uma intensa força de comunicação, a vaidosa Carlota  preferia os vermelhos acima de qualquer outra cor e os usava – altos -  impedindo que  alguém esquecesse quem ela era. Como se fosse possível. Então, o vermelho da Imperatriz do Brasil evidencia sua posição, comanda atitudes, ordena aos que a rodeiam. Segundo os especialistas ainda, o vermelho também é uma cor erótica e,  talvez seja  a mensagem  de cor mais direta  que  se pode enviar,  paixão e poder são claramente comunicados.

Em contraste ao traje da Imperatriz Carlota, as senhoras da Côrte calçavam  sapatos  brancos; e quase sempre estavam de vestido preto. È possível que este traje estratégico deve-se ao temperamento da Imperatriz. Cronistas da época, sugerem uma personalidade determinada e um  temperamento  absolutista espanhol muito bem incorporado.

Quanto aos sapatos brancos das  senhoras portuguesas,  vale lembrar  que o branco sugere pureza e feminilidade, e é também  o tom  da inocência,  da  claridade. A cor que   inspira  confiança. O branco imaculado e limpo como uma senhora deveria se manter. No início do século XIX,  cor de status, transmitindo a mensagem de que se está livre dos afazeres domésticos, trabalhos duros  ou atividades subalternas, enfim tornava evidente a posição social de quem o calçava. Começando pelos pés, é possível afirmar que o branco fora a cor da distinção entre  as senhoras  e   Dona Carlota Joaquina.

Como outras peças do indumentário, o sapato se expressa, fala, grita. Tanto ele como o pé comunicam o visível e o não dito. Neste sentido, para alguns, os calçados são o  barômetro  de uma pessoa, de uma época; para outros, as peças mais sutis  do quebra cabeça de um  indumentário.
 
Viajantes, surpreendiam-se com a quantidade de sapatarias existentes no Rio de Janeiro – capital do Império Português na América -  repletas de trabalhadores  nesta cidade onde, de cada seis habitantes, cinco andavam descalços. Mais ainda, ao observarem que as senhoras brasileiras, usavam sapatos de seda para andar em qualquer tempo nas calçadas de pedras desniveladas e  mal cuidadas, esgarçando em pouco tempo o delicado tecido do calçado. Não esquecendo que naquele momento, também este tecido era tido como  erótico conseqüentemente, os sapatos confeccionados com ele,  representavam peças   insinuantes. Assim, as senhoras também tinham objetos  que por elas falavam. Apesar dos extremos das cores, as senhoras da Corte tinham sua munição e com ela comunicavam suas intenções, esperado  serem  admiradas como  mulheres desejáveis, sem apelos diretos, que podiam estar sendo compreendidos como ameaçadores à sua posição de “senhora” numa sociedade patriarcal como da época, bem como de enfrentamento à Carlota. Um sapato de seda, mesmo sendo branco pode destacar cada detalhe do pé  e sutilmente transformá-lo  num objeto de desejo. Os sapatos, bem como o material do qual são feitos forneciam estas  indicações.

Mas, como sabemos, a população da época não era só formada pela Corte. Havia também os trabalhadores e trabalhadoras. Para os escravizados havia o Estatuto da Escravidão, que entre outros, obrigava os mesmos a deixarem os pés descalços. Podiam vestir calças, paletó, usar relógio de algibeira, anel com pedra, chapéu e até fumar  charuto, mas tinham que andar descalços,  literalmente: de pés no chão. Uma das muitas maneiras  de deixar o estigma bem exposto. O  calçado reservado  aos livres, e senhores, simbolizava fortemente a distinção entre as classes.
 
Para os senhores, pé desnudo não esconde segredo, estar sem calçados é como estar nu. Certamente, segundo eles, um pé coberto  torna-se misterioso, proibitivo,  aguça o reservatório de imaginário. Aos olhos do proprietário, o escravo, “objeto falante” estava excluído do ato de comunicar. Quando  seus pés, gritavam sua posição social.

Como cada classe também  tem suas divisões internas, suas contradições; as escravas que acompanhavam sua rica  senhora às atividades externas da casa, esse luxo, o sapato de seda, era obrigatório.  O mesmo Estatuto  obrigava as senhoras  a calçarem suas escravas  como ela própria,  suas seis ou sete  negras que com ela iam à igreja ou  passeios. No andar desta carruagem nada mais revelador do que as palavras: “Me digas o que calças e eu te direi quem és.”

E assim, pés e calçados levam-nos para as mais infindas memórias e vestem nossa imaginação dos mais diversos matizes.

 

Autora: Claudia Kiewel

 

Gostaria de agradecer a amiga Claudia por sua colaboração. Muito obrigado!



Os Papas possuem modelos exclusivos que são denominados como:

Múleo – Um calçado vermelho próprio dos papas, que muitos atribuem sua origem na Roma Antiga, os múleos eram os calçados do tipo borzeguim (sapato de cano médio, com cadarços trançados), ou coturno utilizado pelos patrícios e pelos senadores que tivessem exercido alguma magistratura curul, ou seja, de primeira ordem.

A cor vermelha dos múleos papais é atribuída pela Igreja Católica como simbolismo do sangue dos mártires e a completa submissão do papa à autoridade de Jesus Cristo. Os múleos papais são sempre feitos à mão, com o cetim, veludo, ou couro vermelhos, os cadarços quando presentes são de ouro e as solas feitas do couro.

Assim como os nobres, o papa também utilizava calçados distintos quando em ambiente interno ou externo. Em ambientes internos, os calçados eram feitos de veludo ou seda vermelhos, decorados com galões de e uma cruz ouro na pala. Já em ambientes externos, os papas utilizam sapatos vermelhos lisos, feitos com couro do Marrocos, com a cruz de ouro na pala, por vezes ornada com rubis. Inicialmente esta cruz era grande, atingindo as bordas do sapato, porém no século VIII, suas extremidades foram encurtadas.

 Quando estes calçados eram feitos com solados muito finos, eram chamados pantofolas levis.


As imagens foram uma contribuição do amigo Marcelo Gostinski.

Modelo: Sandália

Material: Couro vegetal orange dirty – Couro napa orange dirty – Forro sintético PU salmon – Fivela prata velha com pedra resinada laranja  – Salto em ABS pintado.

Material: Couro napa blood – Couro pyton red – Forro sintético PU aço polido – Fivelas prata jateada com pedra resinada blood – Salto em ABS pintado.

Coleção: Primavera / Verão 2009 – 2010


Modelo: Sandália / Cut-Out Boot

Material: Couro box fio indigo vazado a laser – Sintético forro PU acqua – Enfeite laço em cetim ferro escovado, ilhóses e rebites em níquel – Salto mola dupla aspiral aço inox, cepa em ABS pintado.

Material: Tecido cetim dublado preto poá  vermelho – Tecido dublado blood – Enfeite laço em cetim vermelho, ilhóses e rebites em níquel – Salto mola dupla aspiral aço inox, cepa em ABS pintado.

Coleção: Primavera / Verão 2009 – 2010


Modelo: Scarpin / Toe Cleavage

Material: Sintético estampa abstrata vermelho e branco – Debrum branco – Forro sintético PU cereja – Salto pintado.

Material: Tecido dublado oncinha– Debrum brown – Forro sintético PU rose – Salto pintado.

Coleção: Outono / Inverno 2009


Modelo: D’Orsay / Toe Cleavage

Material: Couro napa vestuária vermelha – Tecido cetim xadrez – Forro sintétco PU prata – Salto pintado.

Material: Couro napa vestuária chocolate – Couro croco chocolate – Forro sintético PU marmore perolizado – Salto pintado.

Coleção: Outono / Inverno 2009