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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Tag: sola

Brothel Creeper / Trepadeiras de Bordel – este modelo foi característico dos soldados que serviram durante a 2ª Guerra Mundial nos desertos do Norte da África, onde estes militares utilizavam botas de combates específicas para o clima e meio ambiente, também conhecidas como desert boots. Quanto ao nome dado a este tipo de calçado, o Brothel Creeper ou Trepadeiras de Bordel deveu-se segundo muitos, ao fato de que: Muitos destes militares que serviam ao Norte da África, ao deixarem suas unidades militares encaminhavam-se para as casas noturnas em Londres, ainda utilizando as mesmas botas de combate com grossos solados de borracha crepe, assim sendo ficaram conhecidas como “Trepadeiras de Bordéis”.

Este modelo originalmente possuía como características principais solados de maciços de borracha crepe com espessura entre 3 e 5 centímetros e na sua maioria de altura única, ou seja, sem elevação na base traseira do solado, por muitos chamados de tacão ou até saltos, essa espessura acentuada do solado em borracha crepe servia como isolante térmico das areias escaldantes do deserto e outros terrenos áridos e escaldantes. O modelo ainda tinha como característica seus cabedal confeccionado em couro camurça, tendo seu fechamento efetuado por cadarços e canos não muito elevados.

Logicamente durante o decorrer dos anos e décadas, estes calçados ganham diversas variações de modelos e formatos, mas sua característica marcante é sem dúvida alguma, seus grossos solados de borracha crepe.

Nos anos de 1950, com a subcultura britânica da décadas de 1950 e 1970, que era tipificada pelos jovens masculinos que utilizavam-se de vestuário inspirados nos estilos da era Eduardiana (corresponde ao período de 1901 a 1910 no Reino Unido, durante o reinado do Rei Eduardo VII), que estilistas como Savile Row haviam tentado re-introduzir, após a Segunda Guerra Mundial, o estilo  espalhou-se rapidamente pelo Reino Unido, ficando associada ao rock and roll e ao rockabilly tocado por músicos norte-americanos. . Este estilo de calçado foi desenvolvido em 1949 por George Cox e comercializados sob a marca “Hamilton”, nome do meio do conhecido George Cox Jr.

Os Brothel Creeper recuperam sua popularidade nos anos de 1970, quando Malcolm McLaren vendeu de sua “Let it Rock” loja em London Road Kings. Os Teddy Boys eram seus clientes óbvios, mas a Brothel Creeper ou Trepadeira de Bordel, provaram ser mais populares entre os clientes regulares, isto quando a McLaren e sua parceira Vivienne Westwood mudaram a loja de moda mais rocker-oriented.

Estes calçados ainda foram utilizados por outras subculturas como: Indie, ska, punk, new wavers, psychobilly, greasers, goth e a japonesa visual kei.

Com o aumento da popularidade da cultura ou subcultura grunge, estes calçados tiveram destaques na década de 1990 e até mesmo durante 2011, quando a cantora Rhiana utilizou-se de um destes modelos.

 











Toe Shoes /Calçados de Dedos – trata-se um modelo de calçado bastante peculiar, uma vez que ao ser visualizado pela primeira vez, com certeza não passa por despercebido. Este tipo de calçados surge na primeira década do século XXI, sendo até chama por alguns de: “O calçados do século XXI”, num mercado onde quase todas as opções de novos modelos parecem esgotadas, eis que surge por volta de 2006, o Toe Shoe ou Calçados de Dedos.

O modelo em questão trata de calçado com uma forma muito, mas muito semelhante a dos pés, tal qual nenhum outro modelo aproxima-se tanto, pois este é composto de compartimentos individuais para cada um dos dedos, ou seja, “um calçado com cinco dedos em cada pés”, isso mesmo, um calçado com cinco dedos por pé, geralmente produzido em neoprene ou semelhantes o que facilita o calce devido a elasticidade, já que na maioria dos modelos não existe sistema de fechamento, embora alguns modelos já utilizem tiras de velcro, ou engates rápidos com presilhas, além de um solado muito fino e flexível e antiderrapante de borracha ou termoplásticos, Logicamente muitas variações ainda surgirão. Estima-se que hoje exista cerca de uma dezena de empresas que produzem este tipo de calçado, porém acredita-se que isto será uma crescente para os próximos tempos, porém ainda é difícil definir se isto é, ou será apenas um modismo, ou se realmente veio para fica, mas alguns dos grandes fabricantes de calçados esportivos já incorporaram em suas linhas de produção tal modelo, como por exemplo, a Fila.

Uma recente campanha publicitária da Fila, inicialmente em outdoors onde é exibido um modelo do Toe Shoes, pergunta : “ Que diabos é isto?”. É bastante provável que a campanha queira despertar no público, a curiosidade em conhecer melhor este novo produto.

O fato é que trata-se de uma forma inovadora para os calçados e isso despertou o interesse por alguns esportistas amadores adeptos a corridas que relatam uma sensação muito agradável de correr ou caminhar descalços, mas com uma proteção para as solas dos pés. Também despertou o interesse por muitos militares americanos, que vinham aderindo a este tipo de calçado com bastante intensidade, porém o comando das forças armadas americana proibiu a utilização destes calçados pelos integrantes de suas forças militares, alegando que tratava-se de um modismo bastante descontraído e os militares deveriam manter a impressão de seriedade na composição de seus trajes e personalidades, logicamente isto tem gerado muita controvérsia nas forças armadas e mesmo fora dela.

 


 











Boat Shoes /Sapatos de Barco – sendo este modelo tão semelhante ao aos mocassins dos indígenas pele-vermelhas norte americanos fica difícil dizer que este modelo de calçado não seja derivado deles, porém este modelo de calçado é atribuído ao norte americano Paul Sperry em 1935, Paul era o irmão mais velho do autor e ilustrador Armstrong Sperry. O modelo em questão foi criado com a marca Top-Sider, que passou a ser desde então a marcar original do Boat Shoes ou Sapatos de Barcos.

Sperry era um ávido velejador, que como tantos outros sofriam frequentes riscos de lesões durante o deslocamento no convés escorregadio de seu barco. Porém durante um dia de intenso inverno na cidade de Connecticut – EUA, Paul observou a incrível capacidade de seu cão de equilibrar-se e deslocar-se sobre o gelo do intenso inverno, sem muitas dificuldades. Foi a partir desta percepção, que Sperry passou a observar melhor o padrão das fissuras, sulcos e textura das patas de seu cocker e  ocorreu-lhe a ideia de projetar um calçado específico para velejadores.

Então destas percepções e necessidade de Paul surge o projeto de um calçado com:

  • Cabedal com perfil bem baixo, o que facilita a transpiração, confeccionado em couro resistente a água, tendo costuras que circundam o peito do pé, semelhantes aos mocassins;
  • Amarração feita através de cadarços, também de couro que promovem o fechamento do talão por um conjunto de quatro ilhoses, sendo duas fileiras de dois por pé e tiras de couro que simulam cadarços em couro que circundo ambas bordas laterais dos calçados;
  • Solado de borracha bastante flexível, com ranhuras e sulcos que imitavam a padrão das espinhas de peixes, o desenvolvimento desta textura do solado seguiu o padrão criado por Jonh F. Sipe em 1923, que consistia em de corte fendas finas através de uma superfície de borracha, para melhorar a tração em condições molhadas ou congeladas. Este processo foi fundamental para maximizar a tração e desempenho do Authentic Original Sperry Top-Sider introduzido pela primeira vez em 1935.

Logo o calçado de Sperry rapidamente tornou-se popular entre velejadores não só para o seu solado antiderrapante exclusivo, mas também pela sua cor branca, o que impedia o caçado de deixar marcas no convés de um barco, que na sua ampla maioria são na cor branca.

O sapato permaneceu um produto de nicho até 1939, quando a Marinha dos EUA negociou o direito de fabricar o sapato para os seus marinheiros. Como resultado do contrato com a Marinha, negócio Sperry foi adquirido pela empresa Rubber Co. EUA, que em seguida comercializou o calçado em todos os Estados Unidos.


 









As constantes evoluções dos calçados esportivos, principalmente o tênis têm sido bastante ampliada, desde a última década do século XX e principalmente nesta primeira década do século XXI.

Dentre as evoluções estão às segmentações, que buscam produtos cada vez mais específicos para cada modalidade esportiva, onde muitas modalidades são novamente subdivididas para a criação de calçados ainda mais específicos, como por exemplo, no caso dos “Tênis Running/Corrida”. Tudo isto possibilita uma melhoria de desempenho, conforto e durabilidade.

Estes investimentos em pesquisas sejam biomecânicas, inovação em materiais e componentes e outros acabam por gerar altos investimentos, que tendem a serem repassados aos produtos finais, o que acabam por gerar calçados com preços relativamente altos se comparados com outros segmentos de calçados.

Todas estas evoluções geradas pelos maciços investimentos resultam em calçados de alta tecnologia, que proporcionam aos usuários melhores performances e uma maior integridade física.

Diante de tantas opções disponíveis em calçados esportivos é primordial identificar o tipo de calçado ideal para cada atividade física e para isto, existem sete características básicas inerentes às marcas ou tecnologias aplicadas aos calçados, que devem ser levadas em consideração, que são:

  • Ajuste – Esta característica dentre as outras é a mais subjetiva, pois cada usuário pode ter percepções diferentes de conforto, que são originadas por outra característica básica, a estabilidade biomecânica proporcionada pela atividade física. Logo esta característica é a responsável pelo conforto e desempenho, que é proporcionado pelo ajuste de forma correta (tamanho, largura, fixação, inclinação, flexibilidade e outros);

  • Amortecimento – Esta característica é responsável pela redução ou absorção de impacto, que pode reduzir entre 1/3 e 2/5 da pressão gerada pela atividade esportiva sobre as articulações, principalmente sobre joelhos e tornozelos. Alguns estudos com determinados atletas mostram que corredores têm em média um impacto sobre as articulações de 2 a 3 vezes o peso do corpo, tenistas em média 4 vezes o peso do corpo, e jogadores de basquete e de vôlei cerca de 10 vezes o peso do corpo.

  • Durabilidade – Esta característica determina basicamente o tempo de vida útil dos materiais e componentes integrantes do conjunto “calçado esportivo”, sempre levando em consideração o desgaste proporcionado pelo uso e sua eficácia, até a substituição necessária do calçado. Logicamente há de ser levado em consideração o tipo de material/componente aplicado para cada tipo de calçado para cada modalidade, onde, por exemplo, calçados de um maratonista deve ter uma forração/revestimento resistente, o que não é necessário em calçados para provas de velocidades/curtas como 100 metros rasos, onde dificilmente o atleta utiliza o mesmo calçado mais de uma ou duas vezes devido a pouca resistência dos materiais/componentes dos calçados;

  • Estabilidade – Esta característica básica é determinada pela neutralização da pisada (Neutra, Pronada ou Supinada), conforme a atividade esportiva praticada, sendo responsável pela firmeza do pé junto ao solo durante a pisada nas diversas situações e tipos de solo e terreno. Esta estabilidade é proporcionada principalmente pelos entressolados e solados com suas ranhuras, que são compostos por materiais elastoplásticos. Terrenos acidentados e com variações de solo requerem calçados com sistema de estabilidade bem mais acurado, como nas atividades de montanhismo e trekking;

  • Flexibilidade – Esta característica basicamente influência no conforto, tanto quanto características do ajuste e estabilidade, mas a flexibilidade é uma característica determinante em atividades esportivas que requerem elasticidade nos deslocamentos. A flexibilidade nos calçados esportivos é requerida em vários esportes como, por exemplo, 100 e 200 metros rasos, onde o velocista necessita de uma inclinação acentuada dos pés na base de apoio/partida das raias, o que facilita a largada e contribui para o aumento da velocidade.

  • Leveza – Esta característica básica é determinada pelo peso do calçado e de qual forma este peso influencia na performance do atleta, onde, por exemplo, um calçado de corrida de aventura por suas características de ser a prova d’água e capacidade de retenção térmica é mais pesado que um calçado de montanhismo indoor, onde o último não necessita desses recursos, pois tem a única finalidade de proteger os pés, sem prejudicar a percepção tátil do atleta;

  • Tração – Esta característica basicamente define o deslocamento ideal sem deslizes/derrapagens desnecessárias e ou fixação necessária do calçado ao solo/terreno, em termos técnicos seria, o coeficiente entre a força empregada para vencer o atrito de acordo com o nível de força empregada para realizar determinada tarefa. A tração é uma característica bem distinta para cada tipo de esporte, sendo um fator determinante para um bom desempenho e integridade do atleta, como por exemplo, os deslizes praticados pelos tenistas no saibro, conhecidos como “Surfing in the Clay” ou as lesões de cunho permanente como as relacionadas aos péssimos solados de algumas novas chuteiras de futebol, que contribuem para que haja cada vez mais lesões nos ligamentos cruzados devido ao excesso de tração lateral.

 











Tipos de Botas: Spat Boot – Este tipo de bota origina-se do acessório Spat, que por sua vez é a junção das botas a este acessório em uma única peça. Spat foi muito utilizado no final do século XIX e início do século XX e consistia em um acessório que semelhante a uma polaina que era introduzida sobre as botas, ou sapatos fossem eles masculinos, ou femininos e tratam-se de espécie similar as polainas, só que mais curtas e com aberturas nas laterais externas, que possuem fechamento por botões, sendo o modelo mais tradicional com uma coluna de três botões por peça. As Spats são utilizadas até hoje é utilizado como um acessório sobressalente a muitos calçados de segurança, como por exemplo, muitas fundições de metais, em soldas elétricas, serralherias e serrarias, logicamente estas Spats são confeccionadas em materiais resistentes, para que proporcionem a devida proteção. Em virtude de tudo isto não demorou a moda incorporar este acessório diretamente aos calçados e principalmente às botas, tenham elas as mais variações de tamanhos de canos.

As principais características destes calçados estão em seus fechamentos laterais, que partem das partes internas dos pés e pernas e transpassam estes chegando as partes externas, sendo seus fechamento efetuados por colunas simples de botões, botões estes, muitas vezes em cores contrastantes aos materiais predominantes dos cabedais, independente das alturas dos canos. Muitos afirmam que o detalhe trata-se de uma sobre lingueta, que transpassa o dorso do pé e fixa-se na parte externa deste através de botões contrastantes. É muito comum encontrarmos não somente modelos onde os botões sejam em cores contrastantes, mas também estas espécies de linguetas em cores diferentes aos bicos, ou traseiros, o que torna estas modelos bicolores.

Este estilo é de calçado é muito relacionado ao período Vitoriano, sendo considerado um retro bastante requintado devido à riqueza do período relacionado. Até hoje este estilo de calçado, ou o acessório Spat é utilizado em fardas e uniformes de gala em vários países em suas forças armadas, além de bandas e fanfarras.

 

Tipos de Botas: Wetsuit Boot – Este tipo de bota é destinado aos esportes aquáticos, tais como: Surf, windsurfe, canoagem, mergulho e outros e tem como objetivo de proteger os pés de superfícies ásperas, pontiagudas, ou ainda de superfícies lisas, a fim de evitar escorregões, o calçados ainda tem a propriedade de absorver a água e mesmo assim ainda manter a temperatura dos pés.

As principais características destes calçados está na confecção em neoprene, que em temperaturas mais frias varia em torno de 5 a 6 mm, já em climas mais amenos a variação de espessura gira em torno de 2 a 3,5mm, em seu solado geralmente há um reforço que pode ser apenas formado por uma camada mais espessa de neoprene, ou mesmo uma película de borracha, com ranhuras, ou superfície irregular a fim de proporcionar maior estabilidade em superfícies lisas, ou ásperas como corais, rochas, ou em decks de embarcações a base de fibra de vidro, ou similar. Muitas vezes podemos encontrar modelos com reforço nos calcanhares, os modelos mais altos que avançam sobre a perna podem conter fechamentos por zíperes, ou mesmo velcro, já as que não ultrapassam o tornozelo, geralmente não tem sistema de fechamento, uma vez que o neoprene proporciona flexibilidade que permite a entrada dos pés, sem a necessidade de um sistema de abertura e fechamento.

Este tipo de bota deve proporcionar um mínimo de proteção aos pés, além de manter a temperatura destes, não devendo interferir, ou no mínimo interferir o mínimo possível na mobilidade do atleta, ou usuário.

 











Tipos de Botas: Hobnailed Boot / Tackety Boot – Não pode ser dito exatamente que trata-se de um tipo de bota, mas talvez de um tipo de solado de bota, uma vez que desde a antiguidade até hoje, este tipo de solado pode ser encontrado. Na antiguidade este tipo de solado podia ser encontrado nos calçados dos soldados romanos, na idade média nos calçados mais simples dos camponeses e posteriormente nos pés dos operários, uma vez que, além de trazer mais aderência e tração, também tornava estes calçados mais duradouros. Mas recentemente no início do século XX, estes tipos de calçados, ou solados foram muito comuns nas botas de combates dos militares entrincheirados da 1ª e 2ª Guerras Mundiais, principalmente nas tropas alemãs, que utilizavam estes calçados e juntamente com a marcha chamada “passo de ganso” caracterizavam as entradas marcantes de suas tropas nas ruas cobertas por paralelepípedos nas cidades europeias.

As principais características destes calçados estão em seus solados, que detém uma série de pregos, ou tachas metálicas dispostas em determinados padrões regulares ao longo de todos os solados.  Os solados geralmente dispõem ainda de duas estruturas básicas em forma semelhante a ferraduras, que ficam dispostas nas extremidades das bordas das solas na parte no bico e no calcanhar. Vale ressaltar que a intenção dos Hobnailed é não só fornecer tração terrenos lamacentos, mas também em neve, gelo firme, terrenos pedregosos e mesmo em superfícies duras, pois afirmam que os Hobnaileds proporcionam um deslizar suave sobre estas superfícies.

Há inclusive os que afirmam que este tipo de calçados, foi o percursor das sapatilhas de atletismo e mais tarde das chuteiras e muitas botas de alpinismo, ou montanhismo.

 











Tipos de Botas: Mocassim – Estes tipos de botas, assim como os sapatos mocassins, são oriundos da cultura dos índios peles-vermelhas da América do Norte, mas precisamente dos Estados Unidos, estes tipos de calçados tinham como única função, a de proteger os pés, fosse das baixas temperaturas, ou dos terrenos mais inóspitos.

As principais características das botas mocassins, são suas costuras nas partes superiores das gáspeas, que circundam todo, ou quase todo o peito do pé, costuras estas que ficam bem evidenciadas na parte externa dos calçados, seus canos variam de curtos a longos, que podem chegar até as alturas dos joelhos, sendo que muitos dos modelos possuem franjas nas bordas destes canos, ou outros adornos como bordados, a ampla dos canos possuem um sistema de fechamento por atacadores, sejam na parte frontal, ou lateral. Originalmente os cabedais eram confeccionados em diversos tipos de couros, com e sem flor, além de muitas utilizarem forros com peles de animais selvagens, seus solados eram rasteiros e bastante flexíveis, na maioria das vezes feitos de couro cru.

 











Tipos de Botas: Engineer ou Motorcycle /Motociclista ou Motoqueiro – Este tipo de bota passou a ser utilizada por volta da década de 1950, mas entre seus diversos modelos, o modelo mais tradicional pode-se dizer que este tipo de bota é uma descendente direta da Riding Boot, ou Bota de Montaria/Equitação datado do Período Barroco, entre meados do século XVI e meados do século XVIII.

Desde a década de 1950 surgiram muitas variações deste modelo, com o intuito de adaptar estas botas aos diversos esportes que utilizam motocicletas e fazem necessidade das botas para proteção do usuário, assim surgiram:

  • Engineer ou Motorcycle / Engenheiro ou Motociclista – Modelo original utilizado desde a década de 1950, onde seus canos possuíam em torno de 30 cm, bicos arredondados, os solados possuem saltos, ou tacões que geralmente não ultrapassam os 2,5 cm, estes saltos, ou tacões facilitam o encaixe dos pés nos estribos da motocicleta, impedindo que os pés escorreguem dificultando o equilíbrio do motociclista, geralmente os cabedais destes modelos são compostos por 3 partes, uma longa gáspea, traseiro e cano e são confeccionados em espessos couros quase sempre impermeáveis, para proteger as pernas e os pés do calor do motor, da chuva, de impactos e atritos, seu fechamento dá-se geralmente por correias afiveladas ajustáveis, não havendo a incidência de atacadores (cadarços), a fim de evitar o entrelaçamento em peças da motocicleta.

 

  • Racing Boots ou Botas de Corrida – Modelo projetado para corridas de motocicleta em pavimentação rígida (pista de corrida em asfalto ou concreto), seus canos geralmente têm entre 25 e 35 cm de altura, sendo estas confeccionadas em um misto de couro, metal, plástico e outros materiais que possam possibilitar o melhor encaixe entre pés, botas e motocicleta da forma mais confortável e segura possível, estes modelos não utilizam-se saltos e sim de solas únicas injetadas e antiderrapantes, já com a elevação necessária para os calcanhares. Nestes modelos há inúmeras partes blindadas superiores a qualquer outro tipo de bota, isso devido ao grande potencial de lesões proporcionado pela alta velocidade da atividade esportiva. Os fechamentos destes modelos dão-se por velcros nas laterais internas dos canos. A cor mais utilizada nestas botas é a preta, mas há inúmeras cores utilizadas, geralmente em detalhes, ou mesmo em todo o cabedal, uma vez que muitos procuram personalizar suas botas tais quais suas motocicletas.

 

  • Touring Boots ou Streets Boots / Botas de Turismo ou Botas de Rua – Modelo projetado especificamente para andar de motocicleta em pavimentos rígidos (rodovias ou estradas de asfalto, concreto ou similar), seus canos geralmente têm entre 25 e 35 cm de altura, sendo estas confeccionadas em um misto de couro, metal, borracha, plástico e tecidos artificiais que possam possibilitar o melhor encaixe entre pés, botas e motocicleta da forma mais confortável e segura possível, estes modelos não utilizam-se saltos e sim de solas únicas injetadas e antiderrapantes, já com a elevação necessária para os calcanhares. Nestes modelos não existe a necessidade de tantas áreas blindadas quanto as Racing Boots, uma vez que não são dedicadas as pistas, mas sim as estradas e rodovias. Os fechamentos destes modelos dão-se por velcros nas laterais internas dos canos. Em relação às cores, estas botas são bem mais discretas dos que as botas de corrida, sendo estas quase na suas totalidades pretas.

 

  • Motocross Boots / Botas de Motocross – Modelo projetado especialmente para Off-Road, Motocross (fora das estradas, ou todo tipo de terreno). Como estas botas são indicadas para o motociclismo em terrenos inóspitos, estando o usuário sujeito a galhos, pedras, terra e outros fragmentos que podem ferir não apenas os pés, mas também as pernas, estas botas são geralmente bem mais rígidas do que qualquer outro modelo de bota destinado ao motociclismo, assim sendo estas botas tem seu cano quase até a altura dos joelhos, ou seja, em torno de 40 cm de altura e são confeccionadas a partir de uma combinação de couro, metal, borracha e outros materiais sintéticos como plásticos e outros polímeros, a fim de proporcionar uma forma bem justa e confortável e não menos firme, os fechamentos destas botas se dão verticalmente e na parte externa do dano, por meio 4, ou 5 de tiras, ou correias ajustáveis com fivelas, ou outros mecanismos de fechamentos mais rápidos e práticos, neste modelo também há várias parte blindadas como bicos, traseiros e partes frontais dos canos, além saltos baixos que não ultrapassam os 2 cm, as bordas das solas geralmente são protegidas por chapas metálicas parafusadas aos solados. As cores mais comuns destas botas são as pretas ou brancas, mas outras cores como vermelho, azul, amarelo e verde (possivelmente combinado com preto ou branco), também estão disponíveis, muitos pilotos às vezes optam por usar botas brancas por que são mais facilmente visíveis.

 

  • Police Boots / Botas de Policiais – Modelo projetado para policiais motociclistas e são as mais semelhantes às Riding Boots, ou Botas de Montaria/Equitação, onde seus canos entre 45 e 53 cm costumam alcançar as alturas dos joelhos, os solados são produzidos em densa borracha e com saltos, ou tacões que geralmente não ultrapassam os 2,5 cm, estes saltos, ou tacões facilitam o encaixe dos pés nos estribos da motocicleta, impedindo que os pés escorreguem dificultando o equilíbrio do motociclista, os cabedais são confeccionados em couro natural espesso, mas maleáveis de alto brilho, sendo compostos por 3 partes, uma ampla gáspea, traseiro e um longo cano, este cabedal é impermeável e protege contra as águas de chuvas e poças, além de proteger contra o calor exalado do motor, atritos e impactos, seus fechamentos dão-se geralmente por correias afiveladas nos topos dos canos. As botas fazem parte do uniforme do policial motociclista e um exemplo bem claro deste tipo de bota pode ser visto no seriado policial transmitido pela televisão nas décadas de 1970 a 1980 “CHiPs”.

 

  • Harness Boots – Modelo muito semelhante ao Engineer ou Motorcycle, muito utilizado na década de 1960, inspiradas nas botas de biqueira quadrada utilizadas pelo saldados norte-americanos na Guerra Civil do século XIX, tendo variações consideráveis nas alturas de seus canos, entre 25 e 95 cm, porém sendo a incidência maior entre 25 e 45 cm. O modelo tem como principal finalidade a de proteger os pés e pernas do motociclista, logo são produzidas em couros espessos e maleáveis, que dificultam a transmissão do calor gerado pelo escapamento e bloco do motor, o modelo possui ainda uma biqueira angular de aço revestida pelo couro do cabedal e seu forro, além de hastes de aço no traseiro, ao contrário de Engineer Boot, que tem tiras, ou cintas de couro ajustáveis por fivelas através do tornozelo, as Harness Boot possui um cinto não-ajustável no tornozelo de quatro tiras de couro e duas argolas de metal, uma tira atravessa a parte superior do pé no tornozelo, outra tira envolve a parte traseira do o pé no tornozelo e duas tiras de elevação mais exclusiva de cada lado do tornozelo, sendo estas quatro tiras atadas no lugar por dois anéis de metais, que estão localizados em cada lado do tornozelo. Os solados são geralmente produzidos em densa borracha e podem estar relativamente planos ou sobre saltos, ou tacões que não ultrapassam a altura de 2,5 cm podem ser tratorados, para uma melhor tração. As botas na quase totalidade são pretas e são muito populares entre os pilotos de Harley-Davidson e outras motos do estilo, entre membros da cena heavy metal e na sub cultura do couro.

 











Tipos de Botas: Firefighter Boot / Bota de Bombeiro – Este tipo de bota deve ser utilizada em conjunto com o vestuário completo do indivíduo que integra o corpo de bombeiros, só assim ela terá sua efetiva capacidade de proteção, um bom exemplo disso é aplicação de água sobre superfícies que estejam sobre alta temperatura, que podem após entrar em contato com essa superfície respingar no bombeiro e escorrer sobre seu traje de combate aos incêndios  impermeáveis e estando este, com a jaqueta sobre a calça e a calça sobre as botas estes respingos de água irão escorre sobre as peças evitando o contato do líquido com o corpo. As botas mais antigas de combate aos incêndios utilizados pelos bombeiros eram confeccionadas em couro e posteriormente em borracha, porém as botas mais contemporâneas utilizam-se de materiais mais resistentes e eficientes.

As principais características deste tipo de bota são seus canos longos entre 50 e 65 cm, bicos amplos e arredondados, com biqueiras de aço entre os forros e os materiais externos, traseiros reforçados por grossos contrafortes, lamina de aço na entressola a fim de evitar perfurações dos solados, as botas de maior performance são produzidas com Nomex (material anti-chama de meta-aramida resistente e desenvolvido no início dos anos 1960, pela DuPont e comercializado pela primeira vez em 1967), sendo as botas mais recentes podem suportar temperaturas em torno de 800° C, por curtos períodos de tempo sem sofrer danos, embora a exposição a estas temperaturas não seja recomendado, na parte interna das botas há forrações geralmente confeccionadas em feltro, a fim de evitar a rápida elevação da temperatura, ainda em seus canos geralmente possuem amplas alças nas laterais para facilitar o calce mesmo com luvas, seus solados geralmente são em estilo tratorado para evitar derrapagens em pisos molhados.

Alguns órgãos de normatização de produtos espalhados pelo mundo exigem ainda que as botas incluam proteção contra condutividade elétrica, impacto, compressão, dilatação e perfurações.