Skip to content

Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

Archive

Tag: sapateiro

No início da década de 1960, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico conhecida pela sigla OCDE, reuniu em Madri na Espanha, uma comissão de estudo para criar um sistema único de medidas para calçados com abrangência mundial, a fim de substituir os diversos sistemas e as mais diversas interpretações destes sistemas nos mais diversos países. Esta comissão de estudos foi formada por diversos centros tecnológicos europeus, além dos técnicos europeus também participaram técnicos canadenses e sul-africanos.

Este estudo acabou por originar 30 anos após a norma Internacional ISO 9407:1991, que normatiza a numeração dos calçados criando o Sistema Mondopoint. Este sistema é adotado por alguns organismos internacionais como OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, por vezes chamada Aliança Atlântica, é uma organização internacional de colaboração militar estabelecida em 1949 em suporte do Tratado do Atlântico Norte assinado em Washington a 4 de Abril de 1949).

Obviamente a adoção, ou a utilização deste sistema de medida por todos, ou pelo menos, por boa parte dos países não é algo muito fácil, pois isso implicaria na adoção de novos conceitos a profissionais com muita experiências, o que acarreta certa dose de resistência.

O objetivo do Sistema Mondopoint é a criação de um padrão de numeração dos calçados a ser adotada mundialmente, em virtude disto a eliminação de vários sistemas de medidas e suas interpretações eliminando assim, problemas técnicos e comerciais existentes no mercado calçadista.

A unidade de medida do Sistema Mondopoint é o milímetro, sendo que na questão comprimento do Mondopoint, também pode ser aplicado um código como meio de complementar a informação. A progressão, que é o intervalo entre uma e outra numeração, no Sistema Mondopoint são de 5mm e de 7,5mm.

  • A progressão de 5mm no comprimento deve ser aplicada em fôrmas que tenham um maior nível de precisão no calce;
  • A progressão de 7,5mm no comprimento pode ser aplicada em fôrmas que exijam menos precisão de calce.

Em relação à progressão de 7,5mm, como o sistema expressa uma numeração cheia, o mesmo é arredondado para menos a cada 2 números.

Na questão do perímetro (largura circular metatarso e falangina, correspondente a parte mais larga, ou a circunferência desta região), o Sistema Mondopoint utiliza 3 opções de tamanho, que detém a proporcionalidade em relação ao comprimento, logo as fôrmas, ou calçados podem ser identificados com o percentual do perímetro em relação ao comprimento do número em questão, sendo que estes percentuais podem ser: 90%, 95% e 100%.



Quando tratamos do perímetro dos calçados, referimo-nos a região do metatarso-falangina, correspondente a parte mais larga, ou a circunferência desta região, sejam nos pés, fôrmas, ou calçados.

A progressão que é a unidade constante que diferencia a numeração dos calçados entre os seus tamanhos é de ¼ de 2 Pontos Franceses (vale lembrar que um ponto francês 2/3 de 20mm, sendo igual a: 6,66mm), por tanto, o fator de progressão do perímetro é de 5mm.  

Teoricamente uma determinada numeração de calçado deveria ter variações de larguras, como por exemplo, 36/4, 36/5, 36/6, ou seja, um mesmo número de calçado 36 deveria ter opções de larguras, o que na prática dificilmente acontece aqui no Brasil, salvo pouquíssimas empresas de disponibilizam duas ou três variações no máximo, ou empresas que destinam parte de sua produção para países europeus e Estados Unidos, onde está pratica é comum. Aqui podemos concluir que a cada número de calçados há uma progressão, ou seja, a diferença em relação à largura de um número para outro é de 5mm, esta situação é evidenciada pelo fato de que, não existe qualquer marcação no perímetro das fôrmas brasileiras, as quais possuem registros apenas do número referente ao comprimento (33, 34, 35, 36…).

A exemplo do que acontece com os comprimentos dos Pontos Franceses, o perímetro destes pontos também têm diferentes interpretações em diversos países, como por exemplo:

Brasil =35/8, Itália=36/7 e França=37/6.

  • Interpretação Francesa do Ponto Francês Sobre o Perímetro: O sistema utilizado pelos franceses tem variações de 8 larguras referenciais representadas pelos números de 1 a 8, embora nem todas as variações sejam aplicadas, logo a numeração francesa expressa não só o comprimento, mas também a largura, onde eles podem ser apresentados da seguinte forma:

37/6 onde:

  •  
    •   37 – Refere-se ao comprimento;
    • 6 – Refere-se à largura.

Para determinar o cálculo em milímetros aplica-se a fórmula:

Perímetro = (Número da Fôrma + Largura Referencial) X 5

Ex.: Perímetro do Nº 37/6 = (37 + 6) X 5 = 215mm

 

  • Interpretação Italiana do Ponto Francês Sobre o Perímetro: O sistema utilizado pelos italianos é muito semelhante ao francês, no entanto não devemos esquecer que o a interpretação do Ponto Francês na Itália é adotado apenas 1 Ponto Francês de margem de calce, diferente da interpretação francesa que utiliza 2 Pontos Franceses de margem para o calce. A exemplo da França a Itália também tem variações de 8 larguras referenciais representadas pelos números de 1 a 8, embora nem todas as variações sejam aplicadas, logo a numeração italiana expressa não só o comprimento, mas também a largura, onde eles podem ser apresentados da seguinte forma:

36/7 onde:

  •  
    • 36 – Refere-se ao comprimento;
    • 7 – Refere-se à largura.

Para determinar o cálculo em milímetros aplica-se a fórmula:

Perímetro = (Número da Fôrma + 1 + Largura Referencial) X 5

Ex.: Perímetro do Nº 36/7 = (36 + 1 + 6) X 5 = 215mm

Observação: Utilizamos o “6” como “Largura Referencial”, e não o “7”, pois estamos levando em consideração o exemplo da interpretação francesa. Caso a intenção não fosse fazer um comparativo e sim saber apenas o tamanho métrico do perímetro utilizaríamos a seguinte operação: Ex.: Perímetro do Nº 36/7 = (36 + 7) X 5 = 215mm.

  

  • Interpretação Brasileira do Ponto Francês Sobre o Perímetro: O sistema utilizado pelo Brasil é muito semelhante ao francês, no entanto não devemos esquecer que o a interpretação do Ponto Francês no Brasil não é adotada margem de calce, diferente da interpretação francesa que utiliza 2 Pontos Franceses de margem para o calce, logo devemos acrescentar 2 Pontos Franceses, para igualar ao sistema original francês. A exemplo da França o Brasil também tem variações de 8 larguras referenciais representadas pelos números de 1 a 8, embora como mencionado no início deste artigo, no Brasil esta regra de via não é aplicada, exceto por pouquíssimas empresas que disponibilizam dois, ou três e por empresas que destinam calçados destinados à exportação, logo a numeração brasileira expressa somente o comprimento e é apresentada da seguinte forma:

35

  •  
    • 35 – Refere-se ao comprimento.

 Para determinar o cálculo em milímetros aplica-se a fórmula:

Perímetro = (Número da Fôrma + 1 + Largura Referencial) X 5

Ex.: Perímetro do Nº 35/8 = (35+ 2 + 6) X 5 = 215mm

Observação: Utilizamos o “6” como “Largura Referencial”, e não o “8”, pois estamos levando em consideração o exemplo da interpretação francesa. Caso a intenção não fosse fazer um comparativo e sim saber apenas o tamanho métrico do perímetro utilizaríamos a seguinte operação: Ex.: Perímetro do Nº 36/7 = ( 35 + 8 ) X 5 = 215mm.



Quem nunca se perguntou… De onde vem a numeração do meu calçado?

Por exemplo: “Calço 42”! Mas 42 o que?

Esse número 42, não corresponde a centímetros, não corresponde a polegadas, não corresponde a milímetros e etc…

Então corresponde a que?!

A resposta é: 42 Pontos Franceses. Isso mesmo pontos franceses.

Obs.: Para conhecer a história da numeração dos calçados você pode acessar o artigo: http://fabiomarcelo.com/blog/?p=504

Primeiramente, um sistema de medidas serve para mensurar e padronizar os tamanhos dos calçados, fôrmas, solas e outros componentes utilizados na confecção dos calçados. Porém vale ressaltar, que existem vários sistemas de numeração para calçados, onde diversos países criaram os seus, ou adaptaram as suas técnicas, em próximos artigos vou procurar detalhar os mais comumente utilizados.

Na sua criação original o Ponto Francês tinha a medida de 10 milímetros, ou 1 centímetro. Durante sua utilização e com o passar do tempo notou-se, que a progressão de um número para outro mostrou-se muito ampla, pois havia casos onde, por exemplo, um calçado 35 poderia ser apertado e um calçado 36 poderia ser folgado, principalmente nos calçados femininos.

Em virtude deste fato percebido pelos sapateiros de Paris, eles acabaram por constituir mudanças básicas neste sistema numérico, onde o fator de progressão que antes era de 10 milímetros, acabaria por ser de 6,66 milímetros, pois instituíram que: A medida de um Ponto Francês passaria a ser de 1/3 de dois Pontos Franceses, ou seja: 1/3 de 20mm = 6,66mm, embora eu pessoalmente prefira fazer a seguinte adaptação 2/3 de 10mm = 6,66mm.

Logo após a implementação dessas mudanças houve uma melhora significativa no conforto dos calçados, principalmente os femininos, onde a progressão de número passou a ter uma menor diferença, amenizando assim o desconforto durante o período de adaptação na troca de tamanho dos calçados pelo crescimento dos pés.

Embora as adaptações terem sido feitas pelos sapateiros de Paris, o sistema continuou conhecido como Ponto Francês e passou a ser utilizado pela maioria dos países europeus e por suas colônias da América Latina e África.

Na verdade o Ponto Francês tem a mesma medida em todos os países que o utilizem, porém existem interpretações ou adaptações na sua aplicação, ante de passarmos para um detalhamento maior vamos deixar bem claro que:

  • Antigamente: Ponto Francês tinha 10mm;
  • Atualmente: Ponto Francês tem 6,66mm (chegou-se a esta medida da seguinte forma: 1/3 de 2 Pontos Franceses Antigos: 1/3 de 20mm). Volto a frisar Eu prefiro considerar que o ponto Francês atual é 2/3 de 10mm.

Logo o fator de progressão entre um número e outro do calçado é de 6,66mm = 1 Ponto Francês.

Como mencionado acima, existe interpretações, ou adaptações no emprego do Ponto Francês, por isso países que utilizam o mesmo Ponto Francês e calçados com o mesmo tamanho têm numerações diferentes como, como por exemplo:

Brasil = 35, Itália = 36 e França = 37.

  • Utilização do Ponto Francês na França: Na criação do Ponto Francês, os franceses determinaram como folga, ou margem de calce de 2 Pontos Franceses (2X (20/3)), ou  13,33mm, logo para obter-se o tamanho real da fôrma deve-se diminuir 2 Pontos Franceses proveniente folga, ou margem de calce. Ex. Número 37 é: 37 – 2 X (20/3) = 233,33mm.

 

  • Utilização do Ponto Francês na Itália: A aplicação do Ponto Francês na Itália visou uma questão estética, onde buscou explorar a vaidade feminina trazendo intrinsecamente uma estratégia de marketing, por isso a marcação da numeração teve sua escala diminuída em um Ponto. A real intenção foi conquistar o público feminino oferecendo calçado com numeração menor, isso devido que até num passado não muito distante, não era muito bem visto o fato de uma mulher ter um pé de tamanho mais avantajado. Com este artifício era possível uma mulher utilizar um calçado italiano supostamente menor do que um calçado francês. Este artifício foi conseguido em virtude da folga de calce ter sido reduzida de 2 pontos Franceses como é utilizado na França, para 1 Ponto Francês, logo para obter-se o tamanho real da fôrma na interpretação italiana deve-se diminuir 1 Ponto Francês proveniente folga, ou margem de calce. Ex. Número 36 é: 36 – 1 X (20/3) = 233,33mm.

 

  • Utilização do Ponto Francês no Brasil: A aplicação do Ponto Francês no Brasil prevê o tamanho real do pé, sem qualquer folga do calce, a folga necessária para o calce será determinado pelo suplemento estabelecido no momento da criação da fôrma, o tamanho deste suplemento é determinado pelo tipo de bico da fôrma, logo o número da fôrma na interpretação brasileira é o comprimento mínimo real estabelecido pelo Ponto Francês. Ex. Número 35 é: 35 X (20/3) = 233,33mm.



Assim como alguns contam carneirinhos para dormir, há quem diga que Carlota contava sapatos. Carneirinhos aparentemente são iguais, sapatos  existem tantos quantos propõe o imaginário. Haja tempo para dormir! Carlota os tinha, sem exagero, em dezenas. Sua nobre mãe, como presente de casamento, lhe dera um par de sapatos para cada dia do ano. O noivo Real não deixou por menos, presenteou-a com uma quantidade inesquecível de sapatos, onde destacavam-se os vermelhos e os de salto alto. Homem sábio este, porque, os estudiosos do assunto juram que a cor vermelha é a cor da sedução. Mas, certamente não levou isto tão a serio, já que os mesmos estudiosos ainda nos lembram que o vermelho é também a cor do poder e da dominação. Carlota com seu instinto aguçado aprendeu desde menina que os sapatos de salto alto  e ainda vermelhos, eram muito poderosos.

Como a cor  possui uma intensa força de comunicação, a vaidosa Carlota  preferia os vermelhos acima de qualquer outra cor e os usava – altos -  impedindo que  alguém esquecesse quem ela era. Como se fosse possível. Então, o vermelho da Imperatriz do Brasil evidencia sua posição, comanda atitudes, ordena aos que a rodeiam. Segundo os especialistas ainda, o vermelho também é uma cor erótica e,  talvez seja  a mensagem  de cor mais direta  que  se pode enviar,  paixão e poder são claramente comunicados.

Em contraste ao traje da Imperatriz Carlota, as senhoras da Côrte calçavam  sapatos  brancos; e quase sempre estavam de vestido preto. È possível que este traje estratégico deve-se ao temperamento da Imperatriz. Cronistas da época, sugerem uma personalidade determinada e um  temperamento  absolutista espanhol muito bem incorporado.

Quanto aos sapatos brancos das  senhoras portuguesas,  vale lembrar  que o branco sugere pureza e feminilidade, e é também  o tom  da inocência,  da  claridade. A cor que   inspira  confiança. O branco imaculado e limpo como uma senhora deveria se manter. No início do século XIX,  cor de status, transmitindo a mensagem de que se está livre dos afazeres domésticos, trabalhos duros  ou atividades subalternas, enfim tornava evidente a posição social de quem o calçava. Começando pelos pés, é possível afirmar que o branco fora a cor da distinção entre  as senhoras  e   Dona Carlota Joaquina.

Como outras peças do indumentário, o sapato se expressa, fala, grita. Tanto ele como o pé comunicam o visível e o não dito. Neste sentido, para alguns, os calçados são o  barômetro  de uma pessoa, de uma época; para outros, as peças mais sutis  do quebra cabeça de um  indumentário.
 
Viajantes, surpreendiam-se com a quantidade de sapatarias existentes no Rio de Janeiro – capital do Império Português na América -  repletas de trabalhadores  nesta cidade onde, de cada seis habitantes, cinco andavam descalços. Mais ainda, ao observarem que as senhoras brasileiras, usavam sapatos de seda para andar em qualquer tempo nas calçadas de pedras desniveladas e  mal cuidadas, esgarçando em pouco tempo o delicado tecido do calçado. Não esquecendo que naquele momento, também este tecido era tido como  erótico conseqüentemente, os sapatos confeccionados com ele,  representavam peças   insinuantes. Assim, as senhoras também tinham objetos  que por elas falavam. Apesar dos extremos das cores, as senhoras da Corte tinham sua munição e com ela comunicavam suas intenções, esperado  serem  admiradas como  mulheres desejáveis, sem apelos diretos, que podiam estar sendo compreendidos como ameaçadores à sua posição de “senhora” numa sociedade patriarcal como da época, bem como de enfrentamento à Carlota. Um sapato de seda, mesmo sendo branco pode destacar cada detalhe do pé  e sutilmente transformá-lo  num objeto de desejo. Os sapatos, bem como o material do qual são feitos forneciam estas  indicações.

Mas, como sabemos, a população da época não era só formada pela Corte. Havia também os trabalhadores e trabalhadoras. Para os escravizados havia o Estatuto da Escravidão, que entre outros, obrigava os mesmos a deixarem os pés descalços. Podiam vestir calças, paletó, usar relógio de algibeira, anel com pedra, chapéu e até fumar  charuto, mas tinham que andar descalços,  literalmente: de pés no chão. Uma das muitas maneiras  de deixar o estigma bem exposto. O  calçado reservado  aos livres, e senhores, simbolizava fortemente a distinção entre as classes.
 
Para os senhores, pé desnudo não esconde segredo, estar sem calçados é como estar nu. Certamente, segundo eles, um pé coberto  torna-se misterioso, proibitivo,  aguça o reservatório de imaginário. Aos olhos do proprietário, o escravo, “objeto falante” estava excluído do ato de comunicar. Quando  seus pés, gritavam sua posição social.

Como cada classe também  tem suas divisões internas, suas contradições; as escravas que acompanhavam sua rica  senhora às atividades externas da casa, esse luxo, o sapato de seda, era obrigatório.  O mesmo Estatuto  obrigava as senhoras  a calçarem suas escravas  como ela própria,  suas seis ou sete  negras que com ela iam à igreja ou  passeios. No andar desta carruagem nada mais revelador do que as palavras: “Me digas o que calças e eu te direi quem és.”

E assim, pés e calçados levam-nos para as mais infindas memórias e vestem nossa imaginação dos mais diversos matizes.

 

Autora: Claudia Kiewel

 

Gostaria de agradecer a amiga Claudia por sua colaboração. Muito obrigado!