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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Tag: preto

Amostra da coleção Magic in Shoes – 2011.

Modelo de Bota: Ankle Boot/Open Boot

Material: Couro rigati marrom, couro napa marrom e debrum cromo metalizado ouro – Ilhoses argolas metálicas ouro – Forro sintético PU metalizado  ouro escovado – Atacadores (cadarços), poliester dourado –  Salto block em ABS pintado marrom – Solado Couroplac.

Coleção Magic in Shoes  – Outono / Inverno 2011.

Amostra da coleção Magic in Shoes – 2011.

Modelo de Bota: Ankle Boot

Material: Cetim preto – Ilhoses metálicos bronze – Forro sintético PU metalizado  bronze – Salto Carretel em ABS pintado bronze/preto – Solado Couroplac.

Coleção Magic in Shoes  – Outono / Inverno 2011.

Tipos de Botas: Beatle – O modelo é derivado do modelo “chelsea/dealer”, por sua vez este é originário do Período Vitoriano, que foi projetado a partir do modelo de bota conhecida como Jodhpur Paddock. Mas como o próprio nome sugere, o modelo de bota Beatle tornou-se popular com o grupo “The Beatles” (banda de rock Inglês formado em Liverpool em 1960, sendo uma das bandas mais bem sucedidas comercialmente e aclamado pela crítica na história da música popular), uma vez que o modelo foi originalmente produzido para seus integrantes.

O modelo foi produzido em outubro de 1961, quando dois dos integrantes do grupo Jhon Lennon e Paul McCartney avistaram em Londres na vitrine da loja de calçados Anello & Davide, um par de botas Chelsea, eles adentraram na loja e encomendaram a produção de quatro pares do modelo, para serem utilizadas pelos integrantes do grupo, a fim de compor os trajes utilizados em suas apresentações ao retorno a Hamburgo, porém pediram uma adaptação nos saltos do modelo, solicitando a substituição dos tradicionais saltos, pelos saltos cubanos, saltos estes muito utilizados nos calçados da dança flamenca.

As principais características destes modelos são seus canos curtos e justos, onde estes canos têm elásticos, ou zíperes nas laterais possibilitando serem bem justos, além de seus bicos alongados e saltos cubanos de altura em torno de 5 cm, sendo confeccionadas geralmente em couro preto.

Tipos de Botas: Rigger – O modelo originalmente tratava-se de um calçado de segurança padronizado no Reino Unido, esta bota era utilizada pelos trabalhadores nas plataformas de petróleo no revolto e gelado Mar do Norte. Hoje são comumente utilizadas em diversas atividades no dia-a-dia de trabalho pesado que requerem padrões mais rígidos de segurança.

As principais características deste modelo são seus canos 1/3, aproximadamente até a metade das canelas possuindo ainda alças nas partes laterais de sues canos, que facilitam o calce, ainda possuem biqueiras de aço, entre o couro e o forro, a fim de proteger os dedos caso haja a queda de algum material pesado sobre os pés, alguns modelos podem conter traseiros com chapas de aço, a fim de proteger os calcanhares, seus solados são geralmente tratorados, para dar maior tração ao solo evitando escorregões, muitos modelos possuem forração em lã de carneiro, ou similares para proteção contra o frio. Em relação as cores geralmente são produzidas nas cores canela, bege e preta.

As botas riggers, que originalmente eram itens utilizados apenas pelos trabalhadores, mais tarde passaram a ser itens de moda, sendo utilizadas por movimentos Punks e também por Roqueiros, principalmente no cenário do Heavy Metal.

Winklepicker – na verdade não se trata de um modelo, mas sim de um estilo de calçado, pois pode ser aplicado tanto em sapatos, quanto em modelos abotinados. O estilo tem sua provável inspiração nas poulaines medievais, porém o estilo é atribuído à década de 1950, tratando-se de um estilo de calçado unissex, muito utilizados pelos fãs do rock in roll britânico, o modelo foi especialmente utilizados pelos Beatles.

As principais características destes modelos são seus bicos finos e alongados e rapidamente elevados, salto baixo e amplo do tipo cubano em torno de 4 cm, geralmente produzido na cor preta. Os modelos inicialmente foram adaptados em sapatos Oxford e botas Chelsea, mas hoje podem ser adaptados em outros vários modelos.

A denominação Winklepickers deu-se devido ao modelo do bico fino e alongado e pouco elevado, na década de 1950 era moda comer os caramujos ou búzios Periwinkle a beira-mar, porém para retirar o caramujo de sua carapaça, ou concha era necessário algum objeto fino e pontiagudo, logo ao iniciar a degustação do caramujo pedia-se algum objeto para a retirada do caramujo com a seguinte frase: “Algo para winkle”. Então presume-se que algum admirador bem humorado do caramujo e do calçado em questão deu-lhe este nome.



Amostra da coleção Donattella Veronezzi– 2010.

Modelo: Scarpin Tubarão

Material: Cabedal em couro camurça preta/prata e detalhes couro metalizado cromo, forro poa preto e prata e salto ABS cormado.

Coleção Donattella Veronezzi – Outono Inverno – 2010.



Amostra da coleção 2010/2011 – Michelutti – Shoes for Man!

Modelo: Side Gore

Material: Cabedal em couro croco rústico bege, detalhe em couro verniz madeira e solado TR.

Coleção Michelutti – Shoes for Man! – 2010/2011.



Amostra da coleção 2010/2011 – Michelutti – Shoes for Man!

Modelo: Side Gore

Material: Cabedal em cromo preto, detalhe em camurça preta e solado injetado TR.

Coleção Michelutti – Shoes for Man! – 2010/2011.



Amostra da coleção Donattella Veronezzi– 2010.

Modelo: Bota cano longo

Material: Cabedal em brocado preto e couro rimini preto, Solado meia pata em PS encapado facheitado, Salto PS encapado facheitado, Rebite exagonal our e Ponteiras ouro.

Coleção Donattella Veronezzi – Outono Inverno – 2010.



Assim como alguns contam carneirinhos para dormir, há quem diga que Carlota contava sapatos. Carneirinhos aparentemente são iguais, sapatos  existem tantos quantos propõe o imaginário. Haja tempo para dormir! Carlota os tinha, sem exagero, em dezenas. Sua nobre mãe, como presente de casamento, lhe dera um par de sapatos para cada dia do ano. O noivo Real não deixou por menos, presenteou-a com uma quantidade inesquecível de sapatos, onde destacavam-se os vermelhos e os de salto alto. Homem sábio este, porque, os estudiosos do assunto juram que a cor vermelha é a cor da sedução. Mas, certamente não levou isto tão a serio, já que os mesmos estudiosos ainda nos lembram que o vermelho é também a cor do poder e da dominação. Carlota com seu instinto aguçado aprendeu desde menina que os sapatos de salto alto  e ainda vermelhos, eram muito poderosos.

Como a cor  possui uma intensa força de comunicação, a vaidosa Carlota  preferia os vermelhos acima de qualquer outra cor e os usava – altos -  impedindo que  alguém esquecesse quem ela era. Como se fosse possível. Então, o vermelho da Imperatriz do Brasil evidencia sua posição, comanda atitudes, ordena aos que a rodeiam. Segundo os especialistas ainda, o vermelho também é uma cor erótica e,  talvez seja  a mensagem  de cor mais direta  que  se pode enviar,  paixão e poder são claramente comunicados.

Em contraste ao traje da Imperatriz Carlota, as senhoras da Côrte calçavam  sapatos  brancos; e quase sempre estavam de vestido preto. È possível que este traje estratégico deve-se ao temperamento da Imperatriz. Cronistas da época, sugerem uma personalidade determinada e um  temperamento  absolutista espanhol muito bem incorporado.

Quanto aos sapatos brancos das  senhoras portuguesas,  vale lembrar  que o branco sugere pureza e feminilidade, e é também  o tom  da inocência,  da  claridade. A cor que   inspira  confiança. O branco imaculado e limpo como uma senhora deveria se manter. No início do século XIX,  cor de status, transmitindo a mensagem de que se está livre dos afazeres domésticos, trabalhos duros  ou atividades subalternas, enfim tornava evidente a posição social de quem o calçava. Começando pelos pés, é possível afirmar que o branco fora a cor da distinção entre  as senhoras  e   Dona Carlota Joaquina.

Como outras peças do indumentário, o sapato se expressa, fala, grita. Tanto ele como o pé comunicam o visível e o não dito. Neste sentido, para alguns, os calçados são o  barômetro  de uma pessoa, de uma época; para outros, as peças mais sutis  do quebra cabeça de um  indumentário.
 
Viajantes, surpreendiam-se com a quantidade de sapatarias existentes no Rio de Janeiro – capital do Império Português na América -  repletas de trabalhadores  nesta cidade onde, de cada seis habitantes, cinco andavam descalços. Mais ainda, ao observarem que as senhoras brasileiras, usavam sapatos de seda para andar em qualquer tempo nas calçadas de pedras desniveladas e  mal cuidadas, esgarçando em pouco tempo o delicado tecido do calçado. Não esquecendo que naquele momento, também este tecido era tido como  erótico conseqüentemente, os sapatos confeccionados com ele,  representavam peças   insinuantes. Assim, as senhoras também tinham objetos  que por elas falavam. Apesar dos extremos das cores, as senhoras da Corte tinham sua munição e com ela comunicavam suas intenções, esperado  serem  admiradas como  mulheres desejáveis, sem apelos diretos, que podiam estar sendo compreendidos como ameaçadores à sua posição de “senhora” numa sociedade patriarcal como da época, bem como de enfrentamento à Carlota. Um sapato de seda, mesmo sendo branco pode destacar cada detalhe do pé  e sutilmente transformá-lo  num objeto de desejo. Os sapatos, bem como o material do qual são feitos forneciam estas  indicações.

Mas, como sabemos, a população da época não era só formada pela Corte. Havia também os trabalhadores e trabalhadoras. Para os escravizados havia o Estatuto da Escravidão, que entre outros, obrigava os mesmos a deixarem os pés descalços. Podiam vestir calças, paletó, usar relógio de algibeira, anel com pedra, chapéu e até fumar  charuto, mas tinham que andar descalços,  literalmente: de pés no chão. Uma das muitas maneiras  de deixar o estigma bem exposto. O  calçado reservado  aos livres, e senhores, simbolizava fortemente a distinção entre as classes.
 
Para os senhores, pé desnudo não esconde segredo, estar sem calçados é como estar nu. Certamente, segundo eles, um pé coberto  torna-se misterioso, proibitivo,  aguça o reservatório de imaginário. Aos olhos do proprietário, o escravo, “objeto falante” estava excluído do ato de comunicar. Quando  seus pés, gritavam sua posição social.

Como cada classe também  tem suas divisões internas, suas contradições; as escravas que acompanhavam sua rica  senhora às atividades externas da casa, esse luxo, o sapato de seda, era obrigatório.  O mesmo Estatuto  obrigava as senhoras  a calçarem suas escravas  como ela própria,  suas seis ou sete  negras que com ela iam à igreja ou  passeios. No andar desta carruagem nada mais revelador do que as palavras: “Me digas o que calças e eu te direi quem és.”

E assim, pés e calçados levam-nos para as mais infindas memórias e vestem nossa imaginação dos mais diversos matizes.

 

Autora: Claudia Kiewel

 

Gostaria de agradecer a amiga Claudia por sua colaboração. Muito obrigado!