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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Tag: idade média

Winklepicker – na verdade não se trata de um modelo, mas sim de um estilo de calçado, pois pode ser aplicado tanto em sapatos, quanto em modelos abotinados. O estilo tem sua provável inspiração nas poulaines medievais, porém o estilo é atribuído à década de 1950, tratando-se de um estilo de calçado unissex, muito utilizados pelos fãs do rock in roll britânico, o modelo foi especialmente utilizados pelos Beatles.

As principais características destes modelos são seus bicos finos e alongados e rapidamente elevados, salto baixo e amplo do tipo cubano em torno de 4 cm, geralmente produzido na cor preta. Os modelos inicialmente foram adaptados em sapatos Oxford e botas Chelsea, mas hoje podem ser adaptados em outros vários modelos.

A denominação Winklepickers deu-se devido ao modelo do bico fino e alongado e pouco elevado, na década de 1950 era moda comer os caramujos ou búzios Periwinkle a beira-mar, porém para retirar o caramujo de sua carapaça, ou concha era necessário algum objeto fino e pontiagudo, logo ao iniciar a degustação do caramujo pedia-se algum objeto para a retirada do caramujo com a seguinte frase: “Algo para winkle”. Então presume-se que algum admirador bem humorado do caramujo e do calçado em questão deu-lhe este nome.

 











Parece que a história original da Cinderela, não continha Sapatinhos  e muito menos de Cristais, mas sim Chinelinhos de pele de esquilo.

Isso deve-se provavelmente há um erro na tradução da história original, que por conseqüência deste erro originou uma adaptação:

Segundo especialistas, a história original em francês os chinelinhos da Cinderela eram feitos de “vair” (a pele de um esquilo cinza). Um tradutor supostamente confundiu a palavra “vair” com “verre” (vidro), isto teria feito com que a Cinderela passasse a utilizar Chinelinhos de Vidro. Logo no intuito de glamurizar a história foram adaptados para Sapatinhos de Vidro, que viraram Cristais na estória traduzida para o português.

Com base nisto podemos dizer que na Estória da Cinderela a seus Sapatinhos de Cristais, é na verdade a Estória da Cinderela e suas Pantufas.

Vale ressaltar que trata-se de um estória com príncipe, castelo e magia, logo pode-se relacioná-la com o período da Idade Média, ou início da Idade Moderna, período este que era muito comum a utilização dos mules, um calçado com origem atribuída ao Marrocos, embora haja registros da utilização na Grécia durante o período Helenístico (período este que compreendido entre a morte de Alexandre III (O Grande) da Mesopotâmia em 323 a.C. a anexação da península grega e ilhas por Roma em 147 a.C.), pelas mulheres no interior dos lares.

Em muitos momentos ao longo da história os mules sofreram variações entre peles, tecidos, couros e houve ainda a inclusão e a exclusão dos saltos, e os mesmo foram utilizados por nobres e plebeus em diferentes ocasiões.

 











Chopine  / Zoccoli – modelo originário da Europa do final da Idade Média e início da Idade Moderna, principalmente no período do Renascimento, inicialmente utilizado somente pelas mulheres, estes calçados estilo plataforma foram muito populares nos séculos XV, XVI e XVII, sendo considerados os precursores definitivos dos saltos altos e das plataformas que caíram no gosto popular séculos depois, estes modelos eram utilizado como forma de proteção para os calçados, pois eram colocados sobre outros calçados, para que fossem protegidos da lama, barro e poeira que cobriam as ruas e estradas.

As chopines foram muito utilizadas em Veneza tanto pelas cortesãs, como pelas aristocratas, sejam por motivos práticos como as freqüentes cheias, ou mesmo por ter tornando-se uma referência simbólica ao prestígio cultural e social, pois quanto maior fosse à altura da chopine, maior o status de quem a utilizava. As altas chopines permitiam literalmente que uma dama fulgurasse entre os demais. As chopines venezianas eram esculpidas por verdadeiros artesões, onde acabavam por produzir algumas verdadeiras obras de artes, com entalhes em altos e baixos relevos.

Nas Espanha do século XV, as chopines também dominavam sobre qualquer outro modelo de calçado, uma vez que a maior parte do abastecimento de cortiça ao país era destinada a produção destes calçados. Alguns historiadores argumentam que o modelo é originário da Espanha, uma vez que há vários registros e referências históricas datadas do século XIV, porém outros alegam que os modelos são originários da Turquia. Os modelos espanhóis eram mais cônicos e simétricos, além de possuir uma rica ornamentação com jóias, letras douradas, bordados e outros enfeites metálicos em ouro e prata ao longo sua base.

Foi durante o período renascentista que as chopines tiveram seu auge, chegando a atingir pouco mais de 50 cm, este exagero requeria auxílio de até dois serviçais, que auxiliavam tanto no calce, quanto no caminhar com estes modelos. Esta extravagância é narrada por estudiosos de forma controversa, onde uns atribuem uma marcha instável e deselegante, já outros descrevem eu uma mulher poderia até dançar graciosamente utilizando-se das chopines

As chopines eram normalmente produzidas sob blocos de madeiras ou cortiça, onde eram esculpidas a fim de permitir a colocação dos pés já calçados por outro tipo de calçado, estes modelos em alguns casos eram encapados com o mesmo tecido dos vestidos, outrora encapados com couro, brocado e veludo, as ornamentações eram feitas com pedras preciosas e semipreciosa, jóias, ouro e prata, havendo também os modelos que permaneciam apenas em madeira ou cortiça, mas esculpidos artisticamente. Por volta do século XVI, estes modelos começam a ganhar versões com duas partes distintas, uma parte superior (cabedal) flexível unida a um solado pesado e duro (madeira, ou cortiça), está versão do modelo ganhou popularidade entre os cavaleiros e tanto mulheres, quanto homens começaram a utilizar-se destes modelos à equitação.

 











Polaina – este modelo teve sua origem na Idade Média e foi muito utilizado entre os séculos XIV e XV, inicialmente tratava-se de um calçado exclusivo e uso da aristocracia, só mais tarde com ascensão da burguesia o modelo começou a ser utilizado por esta classe e por último, passou a ser também utilizado pelo povo em geral. Em conseqüência a esta popularização, as autoridades passaram a regulamentar o tamanho dos bicos das “poulaines” (origem francesa), conforme a classe social, onde quanto maior o tamanho do bico do calçado, maior seria seu status perante a sociedade.

A principal característica deste modelo é seu bico muito alongado e bastante fino, além de ser um calçado rasteiro, com a ausência total de salto ou tacão.

A polaina originalmente tratava-se de um calçado masculino, que teve sua utilização tão difundida que chegou a ser criadas polainas metálicas para compor as armaduras.

 












Os calçados nascem da necessidade prover proteção aos pés dos homens, para que estes pudessem locomover-se sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. Ao longo da história, com a evolução humana os calçados também ganham novas formas, materiais, cores, ornamentos, solados etc. A utilização de diversos modelos passam a ser sinônimo de status e podem definir classes sociais, estilos de vida, ou até mesmo classe de trabalhadores. Logo os calçados passaram a ser itens comuns nos vestuários contemporâneos.

A exemplo da interessante história dos calçados, ou até mesmo da história de seus os saltos, os calçados esportivos também tiveram uma interessante história ao longo dos tempos. Há vestígios históricos que remetem a Antigüidade Clássica, termo este utilizado para definir um longo período da história da européia, que estende-se aproximadamente do século VIII a.C. com o surgimento da Poesia Grega de Homero e a queda do Império Romano do Ocidente no século V d.C., mais precisamente no ano 476. O que diferencia esta época das demais são os diversos fatores culturais das civilizações mais marcantes de toda a história, as civilizações Gregas e Romanas.

A Antiguidade Greco-Romana não havia qualquer diferenciação entre arte e técnica, ou mesmo entre artista e artesão. A técnica grega, bem como a arte latina, referiam-se não só a uma habilidade, a um saber fazer, a uma espécie de conhecimento técnico, mas também ao trabalho, à profissão, ao desempenho de uma tarefa. O técnico era aquele que executava um trabalho, fazendo-o com uma espécie de perfeição ou estilo, em virtude de possuir o conhecimento e a compreensão dos princípios envolvidos no desempenho. Sempre associada ao trabalho dos artesãos, a arte era susceptível de ser aprendida e aperfeiçoada, até se tornar uma competência especial na produção de um objeto. Por não resultarem apenas de uma competência ou mestria obtidas por aprendizagem, mas sobretudo um talento pessoal, a composição musical e a poesia não faziam parte da arte.

Os calçados esportivos têm relação direta com as competições realizadas na Grécia, os Jogos Olímpicos da Antigüidade. Foi durante uma das competições, que alguns atletas se utilizaram de sandália feitas a partir de tiras de couro e obtiveram maiores êxitos do que outros que correiam descalços, pois até então, os grandes percursos e trajetos eram feitos descalços. Mais adiante, todos os competidores começaram a se utilizar destas sandálias e acabaram tornando-as comum entre a população.

Logo não demoraram a aparecer modificções nestes calçados, sendo que as primeiras modificações foram atribuida aos estruscos, povo este que viveu onde hoje é a Itália, na região ao sul do rio Arno e a norte do rio Tibre, então denominada Etrúria, mais ou menos onde hoje encontra-se a atual Toscana e partes da Lácio e a Úmbria.

Não há uma exatidão de quando este povo instalou-se nesta região, mas alguns historiadores datam entre 1200 a 700 a.C.. Nos tempos antigos, o histiador Heródoto acreditava que os estrucos eram originários da Ásia Menor, mas outros escritores consideram-os Italianos.

A Etrúria era composta por várias cidades-estados como: Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veio, Tarquinia entre outras, todas estas cidades altamente civilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos. Há resquícios de prologadas lutas entre Etrúria e Roma, terminado coma vitória de Roma próximos aos anos 200 a.C.

Aos estruscos é atribuída a invensão das palmilhas, que foram aplicadas nas sandálias gregas derivadas das competições, estas modificações nestes calçados, além de garantir maior conforto garantiam também, uma maior aderencia do salado dos pés aos calçados. Também é atribuido aos estruscos, a utilização de tachas de metal na sola dastas sandálias oferecendo assim melhor tração e durabilidade.

Os romanos já no século II utilizavam tiras de couros, que por meio de um conjunto de pinças fixavam melhor as sandálias. Nesse período, elas já tinham fins de uso cotidiano e esportivo.

A Idade Média foi tradicionalmente delimitada com ênfase em eventos políticos. Esse período teria sido iniciado com a desintegração do Império Romano Ocidental, no século V (em 476 d.C.) e finalizado com o fim do Império Romano Oriental, com a queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 d.C.), sendo que neste período os calçados esportivos não obtiveram significativas mudanças. A vida nos campos limitava os camponeses a utilizarem sapatos e botinas apropriados às atividades rurais.

A Idade Moderna é um período específico da história do Ocidente. Destaca-se das demais por ter sido um poríodo de transição por excelência. Tradicionalsmente aceita-se o início estabelecido pelos historiadosres franceses em 1453, quando ocorreu a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos e o término com a Revolução Francesa em 1789, ainda neste momento os calçados esportivos ainda não eram alvo de nenhum, ou quase nenhum tipo de inovação. Os calçados desta época diferenciavam as condições sociais da população e quase nehum destes, tinham a função exclusiva na prática esportiva.

Com o ressurgimento da prática esportiva no Reino Unido no final do século XVIII, obrigou o desenvolvimento de calçados leves e flexíveis e com capacidade de tração, sugindo então no século XIX o sapato em couro com bicos/tachas para tração.

Somente no século XIX, os calçados esportivos voltariam à tona, a Spalding foi a primeira empresa a produzir um calçado designado especificamente para a prática esportiva, onde os atletas utilizavam um calçado com solado e cabedal em couro macio, com atacadores (cadarços), sendo que nos solados havia uma estrutura onde eram fixadas tachas para uma melhor tração.

O inventor norte-americano Wait Webster, patenteou em New York o processo de “aplicar sola de borracha índia em sapatos e botas”, assim esta novidade diminuía significamente o impacto causado pela prática esportiva e aumentava em muito a aderencia ao solo.

Charles Goodyear em 1839 nos Estados Unidos, com intúito de melhorar a qualidade dos pneus que sua empresa fabricava, descobriu a fórmula de preservação da borracha. Esta fórmula deu origem a vulcanização, que consiste geralmente na aplicação de calor e pressão à uma composição de borracha, a fim de dar forma e propriedades ao produto final. Sem dúvida é a fase mais importante da indústria da borracha.

Na vulcanização a borracha é aquecida na presença de enxofre e agentes aceleradores e ativadores. A vulcanização consiste na formação de ligações cruzadas nas moléculas do polímero individual, responsáveis pelo desenvolvimento de uma estrutura tridimensional rígida, com resistência proporcional à quantidade destas ligações.

A vulcanização também pode ser feita a frio, tratando-se a borracha com dissulfeto de carbono (CS2) e cloreto de enxofre (S2C12). Quando a vulcanização é feita com quantidade maior de enxofre, obtém-se um plástico denominado ebonite ou vulcanite.

A determinação exata do método e das condições de vulcanização (tempo, temperatura e pressão), deverá ser feita não só tendo em vista a composição empregada, mas como também as dimensões do artefato a ser fabricado e sua aplicação. O estado de vulcanização afeta as várias propriedades físicas do artefato.

Algumas indústrias de calçados começaram então a substituir seus solados de couro pelos de borracha. Os novos calçados, mais leves e confortáveis, passaram a ser utilizados pelos bem-nascidos cidadãos da Costa Leste do país, em seus jogos de Críquete. Eram conhecidos como Cricket Sandals.

Entre 1860 e 1870, duas outras modificações apresentaram avanços nos calçados esportivos conhecidos atualmente. O invento dos cadarços e da sapatilha, originalmente desenvolvida para a prática do ciclismo, oferecia grandes vantagens aos praticantes de esportes.

O desenvolvimento dos esportes e o “boom” da Revolução Industrial abriram portas para a criação da primeira empresa especializada em calçados esportivos. Em 1890, a Reebook foi criada pela família do empresário Joseph William Foster.

Nenhuma revista de moda, estilista, ou quem quer que seja teve faro para distinguir que uma revolução no setor estava a caminho, ninguém atreveu-se a fazer qualquer comentário a respeito, simplesmente porque não parecia uma revolução, achava-se que era apenas um tipo diferente de calçado, que por certo, seria incorporado como outro modismo ao guarda-roupa da elite da época. Mas não se tratava de um caso de amor passageiro, o novo calçado também conhecido como SNEAKER (o equivalente ao “tênis” ou “sapatilhas” em português), já em 1873, teve seu couro substituído por tecido. Com um preço mais acessível, o sneaker era vendido em lojas de departamentos e logo tornou-se popular, aparecendo no catálogo “Peck and Snyder Sporting Goods” a seis dólares o par. E em 1897 aparecendo no catálogo da “Sear’s”, contribuindo para que fossem considerados calçados esportivos por excelência.

Ao mesmo tempo não perdeu a classe e em pés femininos, passou a ser usado nas quadras de tênis, era o calçado perfeito para acompanhar saques e corridas à rede. O tênis conquistou então seu nome definitivo, legenda e estandarte de um estilo de vida.

Já no século XX, o aparato tecnológico da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu a criação de calçados impermeáveis feitos a partir de lona. O novo material propiciou maior conforto aos atletas e diminuiu o peso do tênis esportivo.

Em 1920, surge o primeiro calçado de corrida do mundo, mais leve e confortável, até então as pessoas corriam, jogavam rúgbi e futebol com seus sapatos de todos os dias, pesados e desconfortáveis. Nesta época dois irmãos que moravam na cidadezinha de Herzogenaurach, na Alemanha. Adolf era introvertido e artesão nato. Rudolf era mais expansivo e com grande talento para vendas. Por serem tão diferentes, eles se odiavam e também por causa disso, não conseguiam se separar. Trabalhavam juntos na pequena fábrica Gebrüder Dassler Schuhfabrik, que em alemão significa “Fábrica de Sapatos dos Irmãos Dassler” e dia após dia, as brigas entre os dois irmãos se seguiam.

Mas nos negócios a união da qualidade do trabalho de Adi (diminutivo de Adolf) e do tino comercial de Rudi (Rudolf), dava muito certo. Eles tinham criado um tênis mais leve e anatômico do que os modelos pesadões existentes até então no mercado, esta invenção estava deixando a dupla muito rica, por isso, conseguiam se tolerar.

Foi assim até 1943, época do 3º Reich. Adolf era apolítico, filiado ao partido nazista por pura conveniência, uma vez que Hitler incentivava o esporte na Alemanha e isso fizera crescer as vendas de tênis, já Rudi era um nazista fanático. Em1943, a cidade de Herzogenaurach foi bombardeada pelos Aliados, chegando ao abrigo antiaéreo, Adolf encontrou a família do irmão e comentou: “Os sujos bastardos voltaram”. A esposa de Rudi ouviu e achou que o comentário era endereçado a ela e ao marido. Não adiantou explicar a confusão: A relação entre os irmãos ruiu de vez.

Essa não é a única versão dos motivos da separação, há quem diga que: Com o fim da guerra, Adi teria entregado o irmão aos Aliados, mas não há nada confirmado. Certo mesmo é que em 1948, Adolf Dassler aproveitou uma brecha legal para dissolver a parceria familiar e re-nomeou a Gebrüder Dassler Schuhfabrik para Adidas (contração de “Adi” e “Dassler”).

Rudolf deu o troco e criou outra fábrica de tênis “Ruda”, mais tarde rebatizada de Puma. A criação das marcas dividiu a cidade de Herzogenaurach, cortada por um rio. Em uma das margens ficava a fábrica da Adidas e na margem oposta, a da Puma. “O rio virou uma espécie de Muro de Berlim”, escreveu Bárbara Smit, autora de uma biografia dos irmãos. O ASV Herzogenaurach, um dos times de futebol da cidade, passou a ser patrocinado pela Adidas. O 1 FC Herzogenaurach, pela Puma. Quem estivesse com peças Adidas, não entrava nos bares freqüentados por fãs da Puma e casamentos “mistos” passaram a ser malvistos.

A competição entre Adi e Rudi, era tão grande que nos anos 70, eles não perceberam a aproximação de sua verdadeira inimiga: A americana Nike, que desbancou as duas marcas alemãs. Rudolf morreu em 1974, e Adolf em 1978. Os dois estão enterrados no cemitério de Herzogenaurach, em lados opostos do terreno, é claro!

Estas desavenças ou competições entre Adi e Rudi, proporcionaram alguns fatos esportivos interessantes como, por exemplo:

  • Em 1936, durante a Olimpíada de Berlim, os Dassler ofereceram um par de tênis para um corredor chamado Jesse Owen e ele ganhou quatro medalhas de ouro, essa jogada dos irmãos inaugurou o marketing esportivo;
  • Na Olimpíada de 1960, o corredor Armin Hary firmou contratos separados com a Adidas e a Puma. Foi a única vez que os irmãos concordaram em alguma coisa: Armin nunca mais foi patrocinado por eles;
  • Em 2004, Frank, neto de Rudolf (Puma), assumiu um cargo na Adidas. “Muitos familiares meus consideraram isso uma traição”, disse Frank.

Na década de 50, os tênis tornaram-se populares entre os jovens e calçaram os pés dos símbolos da juventude rebelde tipo, James Dean, o pop star Buddy Holly e Elvis Presley.

Em 1960, os calçados esportivos mais populares como os Converse ou Keds, possuíam apenas uma sola rasa e uma estrutura superior em lona. As escolhas dos atletas variavam entre uma bota para basquetebol, ou um sapato para tênis/corrida.

Na década de 70, os calçados esportivos começaram a passar por transformações, com a vitória do americano Frank Shorter na maratona de Munique nos Jogos Olímpicos de 1972, o boom começou, forçando o desenvolvimento de novas tecnologias. Quanto mais pessoas começavam a correr, maior era a procura por calçados confortáveis e resistentes ao mesmo tempo, outros esportes tornavam-se populares, houve necessidade do desenvolvimento de calçados cada vez mais específicos. Estas mudanças forçaram ao aparecimento de novos materiais e tecnologias. O desenvolvimento tecnológico mais avançado foi o aparecimento da sola intermédia.

“A indústria do calçado esportivo, é uma indústria de materiais!”

No basquetebol por exemplo: Passamos de sapatos de sola em borracha látex com estrutura superior em lona (Converse All Star), para sapatos em couro ou materiais sintéticos, com solas intermédias em poliuretano ou E.V.A. de compressão moldada, com tecnologias de amortecimento como, Nike Air, Asics Gel ou Reebok DMX, solas específicas para Indoor ou outdoor, com estruturas de apoio como faixas de velcro, reforços em carbono etc. Muito diferente do que era chamado calçado de basquetebol nos anos 70.

Os calçados para corridas, também evoluíram de forma muito intensa. No inicio dos anos 70, apenas possuíamos um tipo de formato (o semi-curvo), com uma espécie de cunho geralmente de E.V.A. na sola intermédia. Hoje temos três formatos:

  • Direito;
  • Semi-curvo;
  • Curvo.

Além de vários tipos de construções, densidades de sola intermédia, tipos de sola de acordo com o terreno, ou mesmo, características de apoio para compensar o ciclo mecânico do usuário.

Mesmo os calçados de tachas/pinos/travas evoluíram, hoje temos calçados com tachas/pinos/travas moldados, removíveis para pisos macios ou duros, de acordo com as necessidades dos praticantes, sejam de futebol, basebol, futebol americano, rúgbi e outros.

Existem hoje uma série de categorias de calçados que não existiam, como os calçados para walking, fitness, handebol e outros, permitindo ao consumidor selecionar os calçados de acordo com as suas necessidades específicas.

A durabilidade das solas foi melhorada na década 80.

Ainda na década de 80, a Nike inundou o mercado com uma linha popular de calçados esportivos, ultimamente as empresas vinculam suas marcas a atletas famosos e equipes esportivas, além é claro de popularizarem a prática esportiva, esse tipo de calçado reformulou a estética desse acessório do nosso vestuário.

A sola intermédia é o componente que ainda tem que evoluir bastante, pois as solas intermédias atuais são o elo mais fraco do calçado esportivo, pois geralmente são feitas em PU – Poliuretano de baixa densidade, formando uma espécie de espuma que tende a comprimir e perder a eficácia com o uso.

Tecnologias como o Nike Shox, são tentativas de reduzir ao máximo a dependência das espumas de PU, nas solas intermédias.

Como a indústria dos calçados esportivos, são indústrias de materiais, as grandes revoluções ainda poderão estar por vir.

Com todas as marcas, escolhas, materiais e tecnologias que existem hoje em dia, uma escolha acertada é cada vez mais difícil, pois para isso, o consumidor teria que ser um verdadeiro perito em tecnologias e materiais e isso não é muito provável.

Juntando todos estes itens, o tênis não é hoje em dia só um calçado, nem para quem fabrica, nem para quem usa. Pequena nave espacial urbana, o tênis exibe naqueles poucos centímetros e gramas de tecido, borracha e outros, tudo o que a tecnologia tem contabilizado como avanço, materiais, design, funções, tudo amadurece com cuidado nas pranchetas dos seus criadores e a imaginação parece não ter limites. Embora a conta jamais tenha sido feita oficialmente, podemos arriscar a afirmação de que: “Hoje em dia em todo o planeta, há milhares de modelos de tênis, com finalidades específicas”, todos procurando cada vez mais, envolver os pés de maneira suave e confortável, assim existindo como exemplo, estruturas em forma de pirâmide no solado, que absorvem impactos e os distribui de maneira uniforme, mecanismos que permitem movimentos independentes das partes dianteiras e traseiras do pé, modelos que podem ser chamados de múltiplos, uma vez que servem tanto para a prática de esportes como para a ginástica aeróbica e para corridas, no entanto, sabemos que só uma pequena parcela destes calçados são realmente utilizados para a prática esportiva como jogos de tênis propriamente ditos, ou basquete, ou até mesmo para a “malhação”.

Tênis é um calçado do dia-a-dia e está nos pés de celebridades e de gente anônima, pois afinal, tudo seria exatamente igual no mundo sem alguns mitos que a moda implantou ao longo dos tempos, desde a invenção do tênis.

A área que ainda deverá evoluir muito é o do conforto, isto para acomodar a geração “baby boom” que envelhece (75 milhões de pessoas nasceram entre 1948 e 1964 nos Estados Unidos), esta população vai querer calçados cada vez mais confortáveis, forçando as indústrias a procurarem novas soluções, como novos materiais ou várias larguras.

 

Evolução Cronológica dos Calçados Esportivos

 

1866 – Produção do primeiro calçado com sola de borracha;

1873 – Surge o termo “Sneaker” (Tênis – Calçado);

1890 – Josefh William Foster produz os primeiros calçados com “tachas/pinos/travas” na sola (mais tarde a sua companhia torna-se a Reebok);

1892 – Fundação d a “Us Rubber Company”;

1897 – O catálogo “Sear’s” apresenta “sneaks” de lona branca a um dólar;

1908 – Marquis M Converse funda a sua indústria;

1909 – Surgem os calçados para basquetebol em couro;

1915 – A Marinha americana encomenda os primeiros “Sneaks” para os soldados “1ª Guerra Mundial”;

1917 – Aparecem os Keds e os Converse “All Star”;

1920 – O Duque de Windsor lança a moda dos tênis brancos na sua visita aos Estados Unidos;

1925 – É fundada a “Dassler Sport Shoes” (mais tarde daria origem à Puma e a Adidas);

1929 – A Spalding apresenta o apoio para a Arcada e a Keds solas coloridas;

1934 – A Keds apresenta os calçados de lona colorida;

1935 – Os calçados de lona azul são aceitos nos campos de tênis;

1942 – Desenvolvimento da borracha sintética;

1948 – Adi Dassler funda a Adidas e Rudolph Dassler funda a Puma;

1949 – Onitsuka Tiger fabrica os primeiros calçados esportivos no Japão (ASICS);

1950 – Surgem os ilhoses nas laterais dos tênis para a transpiração;

1961 – A New Balance apresenta o “Trackster”, o primeiro calçado esportivo disponível em diferentes larguras;

1968 – O “Boom” dos calçados esportivos;

1971 – Phil Knight e Paul Bowerman fundam a Nike;

1972 – A sola “Waffle” revoluciona os tênis para corrida;

1979 – Paul Fireman compra os direitos da Reebok;

1981 – A Reebok apresenta o primeiro tênis para atividades aeróbicas para senhoras;

1989 – A Reebok lança o Pump por 175 dólares;

1992 – A Nike introduz a tecnologia Huarache (tênis com uma meia embutida em neoprene);

2000 – A Nike introduz um conceito novo: O shox (tênis com sistema de amortecimento em forma de molas);

2004 – A Adidas lança o primeiro calçado com chip na sola intermédia (A1), que adapta o sistema de amortecimento conforme as condições do solo;

2006 – A Adidas em parceria com o fabricante de monitores de freqüência cardíaca, apresenta o primeiro calçado capaz de aceitar um sensor de velocidade e distância, fazendo parte de um conjunto calçado/têxtil monitor de freqüência cardíaca, capazes de comunicar com o relógio do usuário;

2006 – A Nike lança o tênis Air 360, tornando-se assim, a primeira empresa a fabricar um par de calçado esportivo, cujo amortecimento da sola intermédia é totalmente não baseada em espuma de PU;

2007 – Isaac Daniel lança uma linha de calçado esportivo com GPS incorporado, este calçado permite ao usuário utilizar um botão de “pânico” caso esteja em situações de perigo;

2008 – A Brooks lança a tecnologia BioMogo, um composto da sola intermédia 100% biodegradável em apenas 20 anos, em lugar dos 1000 que tarda uma sola convencional;

Futuro – A indústria do calçado desportivo é uma indústria de materiais.

 











Nós humanos somos extremamente jovens se comparados com alguns animais. Por algum motivo desconhecido, a natureza não foi tão generosa com nossos pés quando se comparado com as patas de outros animais, como as macias patas dos gatos e cachorros, ou a resistência dos cascos de cavalos e outros. Assim sendo, o calçado nasce da necessidade prover proteção aos pés do homem para que estes pudessem se locomover sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. É bastante provável que os calçados pré-históricos eram compostos por folhas de plantas, cascas de árvores, cipós, peles e couros de animais.

Não há dúvidas de que os calçados são uma das grandes paixões femininas. A preocupação com o adorno dos pés acompanha a humanidade desde períodos pré-históricos. Em muitas culturas ou sociedades, os calçados foram e são sinônimos de indicadores de posição social e status econômicos, pois não nada mais desagradável do que um pé mal calçado, mesmo que se esteja vestindo uma roupa de milhares de dólares. Os pés são além de ponto estético, uma área de grande sensualidade em todas as culturas. Freud postulava que o calçado feminino simboliza a vagina. O ato de calçar os sapatos, portanto, seria uma simbologia do ato sexual.

Há países ao redor do mundo, que a maioria da população ainda não utiliza o calçado em seu dia-a-dia, ficando este associado a ocasiões especiais.

Alguns historiadores datam os primeiros calçados entre 3.000 A.C. e 2.000 A.C. no Antigo Egito, mas resquícios históricos encontram evidências no Período Paleolítico, também conhecido como Idade da Pedra Lascada, sendo que estas evidências datam entre 14.000 A.C. e 10.000 A.C., uma vez que pinturas rupestres encontradas na Europa em países como França e Espanha, fazem referencias a utensílios utilizados para a proteção dos pés deste homem pré-histórico.

Estas datas entre 14.000 A.C e 10.000 A.C. podem ser atribuídas à divisão do Período Paleolítico, como Paleolítico Superior, onde o homem já era obrigado a morar em cavernas, devido ao intenso resfriamento da Terra, principalmente no norte da Europa que ficava coberto pelo gelo em conseqüência da 4ª Era Glacial. O Homem deste período é o Homem de Cro-Magnon, que já é o homem propriamente dito. Caçava animais de grande porte como mamutes e renas, utilizando para isso armadilhas montadas no chão. Já nesta época utilizavam-se de alguns utensílios de pedra que serviam para raspar as peles, o que mostra que a arte de curtir couros e peles é muito antiga.

Já no Egito por vola de 7.000 e 6.000 A.C. nos Hipogeus (monumentos funeráriossubterrâneos do período pré-Cristão) câmaras subterraneas utilizada para enterros, foram descobertas várias pinturas que representavam os diversos etágios do preparo do couro e do calçado.

No Antigo Egito que inicia-se em cerca de 3150 A.C., altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egipto, e termina em 30 A.C. quando o Egipto, já então sob dominação estrangeira, transformou-se numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha de Ácio, as sandálias dos egípcios eram feitas de palha, papiro ou de fibra de palmeira e era comum as pessoas andarem descalças, carregando as sandálias e usando-as apenas quando necessário. Sabe-se que apenas os nobres da época possuíam sandálias. Mesmo um faraó como Tutancamon usava sandálias e sapatos de couro simples, apesar dos enfeites de ouro.

Na Mesopotâmia eram comuns os calçados de couro cru, amarrados aos pés por tiras do mesmo material. Os coturnos eram símbolos de alta posição social. A Mesopotâmia nome grego que significa “entre rios” (meso – pótamos), é uma região de interesse histórico e geográfico mundial. Trata-se de um planalto de origem vulcânica localizado no Oriente Médio, delimitado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, ocupado pelo atual território do Iraque e terras próximas. Os rios desembocam no Golfo Pérsico e a região toda é rodeada por desertos. Os principais povos que habitaram as Mesopotâmia foram: Sumérios e Acadianos (antes de 2.000 A.C.); Amoritas (2.000 A.C.-1.750 A.C.); Assírios (1.300 A.C.-612 A.C.); Caldeus (612 A.C.-539 A.C.).

Na Grécia Antiga, os gregos chegaram a lançar moda, como a de modelos diferentes para os pés direito e esquerdo. Grécia Antiga é o termo denominado para descrever o período clássico antigo do mundo grego e áreas proximas como França, Sul da Itália, Anatólia, Costa do Mar Egeu e Chipre. Não existindo uma data fixa, ou se quer um consensso que consiga definir um período que marque o início ou o fim da Grécia Antiga. Alguns escritores atribuem o período minóico e o micênico entre 1.600 A.C. a 1100 A.C.. Tradicionalmente a Grécia Antiga abrange desde os primeiros Jogos Olímpicos em 776 A.C., sendo que alguns historiadores estende o começo para 1.000 A.C., até a morte de Alxandre, O Grande em 323 A.C.. O dramaturgo Aeschylus, exigia que seus atores que encenavam papeis heróicos nas tragédias gregas, utilizassem calçados com grossos solados de cortiça, para parecem grandes e imponentes, sendo que a partir daí, os artesões da Grécia Antiga criaram as sandálias artísticas.

Na Roma Antiga o calçado indicava a classe social. Os cônsules usavam sapato branco, os senadores sapatos marrons presos por quatro fitas pretas de couro atadas a dois nós, os calçados tradicionais das legiões eram as botas de canos curtos que descobriam os dedos, existiam também os “caligaes” uma espécie de sandália bastante rústica de couro pesado e solado grosso, muitas vezes presas com taxas de bronze, estes calçados permitiram a estas legiões marcharem por toda Europa, Norte da África e Ásia Ocidental. Após os combates eram comuns os caligaes receberem camadas de peles das faces de seus inimigos, que eram adicionadas aos seus solados, essa tradição foi herdada dos egípcios, onde eles assim podiam literalmente pisar nas cabeças em seus inimigos. Os soldados vitoriosos ao voltarem das guerras, substituíam as taxas e adornos de seus caligaes de bronze por peças de ouro e prata.

Roma Antiga é o nome dado à civilização que se desenvolveu a partir da cidade de Roma, fundada na península Itálica durante o século VIII A.C.. Durante os seus doze séculos de existência, a civilização romana transitou da monarquia para uma repúblicaoligárquica até se tornar num vasto império que dominou a Europa Ocidental e ao redor de todo o mar Mediterrâneo através da conquista e assimilação cultural, no entanto, uma série de fatores sócio-políticos causou o seu declínio e o império foi dividido em dois.

A metade ocidental, onde estavam incluídas a Hispânia, a Gália e a Itália, entrou em colapso definitivo no século V e deu origem a vários reinos independentes.

A metade oriental, governada a partir de Constantinopla passou a ser referida, pelos historiadores modernos, como Império Bizantino a partir de 476 D.C., data tradicional da queda de Roma e aproveitada pela historiografia para demarcar o início da Idade Média.

Com a desintegração do Império Romano do Ocidente, no século V (em 476 D. C.), é terminado com o fim do Império Romano do Oriente, com a Queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 D.C.).

O período da Idade Média é marcada por uma grande mudança de compotamento, atingindo também a indumentária, onde os ensinamentos cristãos pregavam a não exposição dos corpos, diferentemente dos povos que os antecedoram, como os egípcios, gregos e romanos, os quais exibiam constantemente seus corpos. Essa drástica mudança na idunmentária atingiu também os calçados, onde as sandálias que esibiam os pés deixam de ser usadas, danado espaçosbotas altas e baixas, atadas à frente e ao lado para os homens, já para a mulheres, sapatos abertos que tinham uma forma semelhante a das sapatilhas. O material mais utilizado era o couro de gado, mas as botas de qualidade superior eram feitas de couro de cabra, embora pudessem ser bem mais desconfortáveis do que se possa imaginar, mesmo assim, os calçados estavam entre os presentas mais procurados neste período.

Tendo início as Cruzadas, veio o contato com o Oriente e a influência deste, causou mudanças nos estilos dos calaçdos, originando um calçado mais coerente e decorado. Surge neste momento os sapateiros, profissionais responsáveis por promover calçados de qualidades.

Durante a Idade Média, que sugiu a padronização da numeração dos calçados, tendo sua origem na Inglaterra durante o reinado de Eduardo I (1.239 a 1.307), por volta de 1.305, ele decretou que fosse considerada como uma polegada a medida de 3 grãos de cevada, colocados lado a lado. Os sapateiros ingleses gostaram da idéia e passaram a fabricar, pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanho padrão, baseados no grão de cevada. Desse modo, um calçado infantil medindo treze grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 13 e assim por diante.

O Renascimento identifica o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida humana assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.

É durante o Renascimento que os calçados tamam formas e alturas bastante interessante, chegando a ser descrito por muitos como extremamente ridículos. Entre os séculos XIV e XV, surgem as “poulaines”, difundidas em toda a Europa e principalmente na França e Inglaterra, este calçado caracterizava-se pelo estreitamento e alongamento das pontas, bicos. O comprimento do bico do calçado era proporcional à posição do indivíduo na sociedade, quanto mais alto o nível na escala social, maior o bico e se tornou uma competição hierárquica. Eram fabricados em couros, veludos, brocados e bordados em fios de ouro. Até as armaduras seguiram esse gênero com sapatos de ferro e bico revirado. Foi rei Francisco I (1.515 a 1.547) da França, quem decretou o fim deste tipo de calçado e ainda no século XV, este tipo de pontas aguçadas foi proibido pelo rei da Inglaterra Henrique VIII (1.509 a 1.547), por ter pés largos e inchados, achava esse tipo de calçado achava inconveniente e doloroso. A partir daí, são aceitos os chinelos rasteiros com base larga e muito mais confortáveis.

A ascensão da burguesia nos séculos XV e XVI, devido ao desenvolvimento do comércio originou nova classe social. O desenvolvimento deste comércio trouxe diversidade de peças do vestuário, inclusive os calçados, tornando-os mais diversificados, refinados e complexos. O calçado aparece como peça bastante trabalhada e passa a ser peça indispensável no vestuário. Quase sempre cada roupa exige um calçado e este é fabricado com os mesmos tecidos e ornamentos.

Os calçados masculinos têm as formas quadradas e largas, mais cômodas que no século anterior permitindo assim, maior transpiração e conforto para os pés. As botas que inicialmente exclusivo de uso dos exércitos, chegavam a atingir a coxa.

Iniciou-se neste período o uso do salto que foi criado para elevar a altura das mulheres, os primeiros saltos foram confeccionados em cortiça em forma de cunha, acompanhando o formato do arco do pé, elevando a altura apenas no calcanhar. Existem diferentes opiniões a respeito dos saltos altos, alguns como origem das “chopinas” (blocos de madeira utilizada como base/solado, onde o calçado era confeccionado), provenientes da China ou Turquia, eram sandálias com plataformas onde a altura dos solados apontava o nível social e chegava a atingir 40 cm. Havia casos de senhoras da corte que elevaram suas plataformas até 70 cm e precisavam às vezes de dois criados, um de cada lado para conseguir o equilíbrio, as chopinas foram inicialmente utilizadas pelos nobres, passando pela burguesia e chagando as camadas sociais mais baixas, daí foram desprezadas pela elite, sendo que as últimas as utilizarem as chopinas foram às prostitutas.

As plataformas e os saltos altos estão desde a Antigüidade associados a situações solenes e rituais, quando todo o universo gestual e os movimentos corporais, na época bastante contidos, estão relacionados a reverências e comportamentos formalizados. As mulheres mais observadoras imaginaram que suas silhuetas poderiam ganhar contornos mais sensuais com o calcanhar elevado, projetando o tórax para frente e dessa maneira ressaltando os seios. Até 1.600 não havia nada que realmente pudesse ser chamado de salto, nos anos de 1.590, até já tinham produzido alguns saltos baixos de madeiras ou cortiças, antes disso foram utilizados cunhos de cortiça ou empilhamento de camadas de couros, mas sem muito sucesso devido à dificuldade no caminhar. Uma vez com o surgimento do verdadeiro salto, com o conceito que conhecemos hoje, as outras formas de saltos desaparecem rapidamente. Em pleno século XVII, a fabricação de calçados com saltos originavam calçados com pouca estabilidade, causando freqüente falta de equilíbrio durante a utilização destes, isto devido às falhas na fabricação dos calçados principalmente na região de encaixe do salto, causando também problemas de emparelhamentos. Embora o desenvolvimento dos calçados desde o período Romano, já vinha sendo produzidos para pés direitos e esquerdos, porém a parte traseira dos calçados não havia diferenças entre os dois pés, então para dar mais estabilidades aos calçados com saltos, iniciou-se uma maior preocupação com detalhes e diferenciações entre pés esquerdos e direitos também na parte traseira. Durante a Guerra Civil Americana as botas dos exércitos passam a ser fabricadas com essa diferenciação entre os pés também na parte traseira e foi muito bem aceita.

É também neste período que é conhecida da manufatura do calçado na Inglaterra é de 1642, quando Thomas Pendleton forneceu 4.000 pares de sapatos e 600 pares de botas para o exército. As campanhas militares desta época iniciaram uma demanda substancial por botas e sapatos.

No apogeu veneziano, durante o século XVII, luxo e riqueza da influência oriental marcaram os materiais empregados na fabricação de calçados como os brocados, veludos e adamascados fartamente ornamentados. Neste momento surgem as “ciopines”, que são calçados com as solas aumentadas com a invenção do “pattino”, uma proteção para os delicados sapatos em contato com o solo e a água.

Na França, acontece um fato importante e particular, durante o reinado de Luiz XIV e de Luiz XVI, há introdução nos modelos de calçados masculinos de um salto mais alto e quadrado e também de fivelas e fartos ornamentos.

No século XVIII, a moda se estabeleceu de maneira sistemática e organizada como fenômeno cultural, social e de costume. São estabelecidas as variações do “gosto”. Período de muita evolução e os calçados em produção artesanal passa a atender as novas exigências de praticidade e funcionalidade que a sociedade exigia. Ficam caracterizados diferentes ambientes como: Cidade, campo e estrada. Desta maneira, surgem os calçados para o trabalho, para o passeio e várias novas exigências que este novo consumidor necessita.

O estilo predominante dos calçados femininos neste período são as botas em couro ou cetim e trabalhadas de maneira intensa, com saltos robustos e fechamentos laterais, nos quais aparece quase sempre uma carreira de pequenos botões ou amarrações com laços. Nos masculinos todos em couro preto e com a presença do elástico, invenção deste período, que torna o calçar mais confortável. Neste momento a sola ainda era presa ao corpo do sapato com pregos e toda costura era feita à mão.

Com a chegada das Máquinas de Costuras Américas de Isaac Merrit Singer, Elias Howe e Walter Hunt no século XIX, o processo de costura não só acelerou o processo de produção como levou à confecção de um calçado melhor e mais barato. Durante a Revolução Industrial surgem as operatrizes especializadas, como a de McKay. Um fluxo incessante de máquinas sofisticadas revolucionou a indústria dos calçados, de tal modo que, no alvorecer do século XX, ela já entrara na era da produção em massa.