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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Tag: CAD

Entrevista concedida a repórter Silvia Kröff do jornal Exclusivo e revistas Lançamentos, que ajudou a compor a matéria publicada no site, sobre tendências em saltos e solados de calçados para outono / inverno 2011.

Site especializado no setor coureiro/calçadista.

http://www.exclusivo.com.br/Noticias/58772/Inverno

Integra da Entrevista:

Quais são os principais tipos de solados e saltos utilizados no mercado atualmente?

Sem a menor sombra de dúvida o verão 2011, será dominado pelas meias-patas, uma vez que estas continuarão ditando a moda, estas meias-patas estarão presentes nos mais variados modelos, seja nas tradicionais Sandálias, o modelo oficial do verão, seja nas Cut-Out Boots, ou se preferir Open Boots, uma vez que mesmo com o final do inverno estes modelos continuarão a dar o ar da graça, ainda os modelos mais tradicionais como os Scarpins e os Pep Toes poderão ser encontrados em versões meias-patas e logicamente os Clogs que já fizeram-se presentes no inverno 2010, também poderão ser encontrados não só em cepas de madeiras e injetadas, mas também em versões meias-patas. Vale ainda ressaltar que estas meias-patas de modo geral serão encapadas.

Nos saltos que acompanham as meias-patas existem algumas variações, que podem ir dos finos saltos como o Stiletto, passando pelos retos Prismas e Estacas chegando aos mais volumosos como os Cones e Blocks, evidentemente todos com alturas consideráveis para fazerem frente as meias-patas.

Aos modelos mais tradicionais como os Scapin, Peep Toes, D’orsey, que não utilizem-se das meias patas, os saltos tendem a perder um pouco da altura, ficando em uma estatura mediana, ou seja, de certo modo os saltos estarão diminuindo.

Referente aos solados as plataformas, eles ganham força já no verão 2011 estando quase na totalidade encapados por diversos materiais, como fachetes, ráfia, juta, tecidos, cortiça e couros com e sem flor.

 

Quais as principais características dos solados e dos saltos que estarão presentes na próxima temporada de inverno 2011?

No quesito saltos, embora haja certa pressão para que estes percam um pouco de suas alturas estabelecendo-se como os mais indicados, os saltos médios, o reinado dos saltos continuará a imperar, onde os modelos com linhas retas como os Prismas, ou Ponteiras, os Estacas e falando-se na presença de saltos altos, não podemos deixar de lado o tradicional Stiletto, outro modelo que deve marcar uma discreta presença é o salto Cubano. Saltos estes que podem surgir tanto pintados como encapados, porém deve sim predominar os encapados do mesmo material e cor do cabedal.

Na questão de solados, as meias-patas devem continuar dando o ar da graça, recebendo em alguns casos soletas tratoradas, ou mesmo as meias-patas tratoradas.

As Plataformas continuarão marcando presença e ao exemplo do verão 2011, continuarão sendo na maioria das vezes encapadas e conforme os saltos, encapadas no mesmo material do cabedal.

 

 De que matéria-prima estão sendo feitos os solados e os saltos?

As meias-patas podem ser produzidas em vários materiais, tudo vai depender da qualidade e peso desejado, onde os materiais injetados mais nobres como o ABS (Acrylonitrile Butadiene Styrene), que são mais resistentes e permitem a melhor fixação por meios de parafusos e são ideais para receber pintura, porém têm um maior peso, também podem ser encontradas em PS (Poliestireno), material não tão nobre quanto o ABS, porém de boa resistência, mas de não tão bom acabamento para pintura, ideal para ser encapado. Existem as possibilidades ainda para encape e de menor peso, as produzidas em PVC (Cloreto de Polivinila) e PU (Poliuretano), estes de menor peso, porém de resistência questionável. Estas meias-patas recebem soletas de couroplac, neolite ou couro, em outros poucos casos recebem soletas de TR (Thermoplastic Rubber), ou SBR (Styrene Butadiene Rubber) de estilo tratorado.

Os saltos já não dispõem tantas variedades de materiais como as meias-patas, uma vez que as alturas consideráveis requerem materiais de maiores resistências e qualidades, sendo que nos saltos pintados o ABS (Acrylonitrile Butadiene Styrene), ainda é a melhor opção por sua ótima resistência e excelente qualidade no acabamento da pintura, já para os saltos encapados o PS (Poliestireno) é uma boa opção.

Já os solados injetados são encontrados na maioria das vezes em PU (Poliuretano), porém o fato de estarem sendo encapados abrem-se as possibilidades para uma maior produção de solados em PVC (Cloreto de Polivinila) Expandido, ou EVA (Espuma Vinílica Acetinada) Expandido, sendo estes dois últimos uma ótima opção para a substituição do PU, que não é aceito Pela Comunidade Européia devido a seus malefícios causados ao meio ambiente. Ainda na questão dos solados, os rasteiros também conhecidos como Flats obviamente estarão presentes em virtude das conhecidas e adoradas rasteirinhas e das sapatilhas, onde estes solados podem ser de Couro, Couroplac, Neolite, TR e Micro, onde os destaques devem ficar a cargo do Couroplac e TR (Thermoplastic Rubber). Não podemos deixar de citar, as cepas em madeira trazidas de volta pelos Clogs.

  

Como se dá a evolução no segmento de solados e saltos?

(Não sei se entendi direito a questão).

A evolução se dá basicamente devido criação de novos compostos químicos, que agregam valores como: Leveza, resistência, estabilidade, absorção de impacto, impermeabilidade, isolamento de frio e calor, acabamento, além de possibilitar novas estruturas (formas) devido a muitas destas características. Com base nestes novos compostos a indústria de solados e saltos tem investido em tecnologias de desenvolvimento de produtos, como sistemas CAD, CNC Mecânico/Laser e a nova Prototipagem Rápida conhecida como Impressão 3D, que pode ser aplicada não só protótipo do solado e salto, mas também em protótipos de matrizes, o que proporciona velocidade e redução de custos no desenvolvimento, além de elevar a um patamar muito superior aos que não utilizam esta tecnologia. O grande desafio para o setor está ligado à questão ambiental, uma vez que a grande maioria matéria-prima e mesmo dos produtos acabados são degradáveis ao meio ambiente.

 

O verão 2011 é de saltos trabalhados. E para o inverno 2011?

Tanto para o verão 2011, quanto para o Inverno 2011, os saltos estão mais sobreis, ou clássicos, diferentemente dos saltos de algumas coleções atrás, onde os saltos esculturais eram a novidade, logicamente formas inusitadas, ou não muito convencionais devem surgir, porém não devem encontrar aceitações consideráveis. As novidades no quesito saltos devem ficar a cargo dos acabamentos, sejam eles pintados, ou encapados, onde muitos dos encapados podem misturar materiais distintos.

 

As plataformas ganham destaque no inverno 2011? Por que?

Sim ganham, tudo indica que as plataformas injetadas estão dispostas a recuperar seu espaço na moda, uma vez que estes reinaram quase que absolutos na década de 1990, onde durante a década de 2000 foram suplantados pelos saltos, sendo que nesta nova década que inicia-se pode marcar a retomada deste tipo de solado, isso deve-se também as tendências Rock e Militarismo, que se farão presentes no inverno 2011 e ao fato de que a moda é cíclica e estes tipos de solados, já não estavam em evidências há muitas temporadas e ao que tudo indica voltaram com força considerável.

 

Algo que deseje comentar.

A ditadura rígida da moda, já há algum tempo perdeu seu espaço e com a conjuntura global, desde então, a moda foi buscar nas ruas inspirações para satisfazer as necessidades de seus consumidores, sejam essas necessidades básicas ou não. Isto fez com que houvesse cada vez mais a necessidade de pesquisa, não só de tendências, mas de comportamento e principalmente de anseios ainda desconhecido por parte dos consumidores, esta última é com certeza a mais desafiadora e a mais promissora, pois hoje a competição acirrada, a qualidade deixou de ser diferencial e passou a ser básica (commodities), também devido a esta competição a diferença de preços entre concorrentes são bastante pequenas, logo a qualidade e preço, teoricamente não devem ser diferenciais, então o diferencial passa a ser o encantamento, a surpresa, a emoção, logo passamos a trabalhar com valores subjetivos, valores difíceis quantificar e são esses valores, que passam a impulsionam a compra e a agregar valores aos produtos. Portanto a indústria calçadista necessita estar qualificada e dispor de profissionais hábeis e preparados para trabalhar com esta nova realidade, que na verdade nem é tão nova assim, mas que muitos ainda não perceberam.

 

 











Para um melhor entendimento, vale ressaltar que não existe uma estrutura de mercado única, ou ideal para todos os segmentos da indústria calçadista, características determinadas pela concorrência, matéria-prima utilizada (couro, sintético ou tecidos), segmento (calçados esportivos, seguranças, masculinos e femininos casuais ou sociais etc.).

Um clássico exemplo desta complexidade é processo de produção de calçados em couro e os calçados em materiais sintéticos. O processo produtivo dos calçados em materiais sintéticos tem produtividade superior e grau de complexidade de produção menor se comparado aos calçados em couro, que tem seu processo produtivo considerado por muitos, semi-artesanais e com sérias dificuldades de automação.

Outro exemplo fica a cargo do processo produtivo dos calçados feminino e masculinos. Os calçados femininos sofrem significativas e constantes influências das tendências de moda e comportamento, necessitando uma constante adaptação no processo produtivo, seja em recursos humanos, tecnológicos ou normativos. Os calçados masculinos, por manterem uma linha básica em termos de design, não exigem das empresas uma flexibilidade tão grande quanto os calçados femininos.

Em geral a produção de calçados de menor complexidade e pouca sofisticação necessita de menores investimentos e enfrentam barreiras menos resistentes no mercado. Calçados de maior valor agregado, maior complexidade e sofisticação necessita maiores investimentos e enfrentam fortes concorrências e barreiras mais efetivas.

O processo produtivo dos calçados é bastante complexo e tem como característica marcante um fluxo de produção descontínuo com etapas bastante distintas.

Para muitos as principais etapas deste processo de produção dos calçados são cinco, mas ao meu entendimento são seis e mesmo dentro destas principais etapas, há uma série de operações que podem variar muito dependendo do segmento, tipo ou modelo a ser produzido, havendo inclusões ou exclusões de várias operações. Mas como mencionado, estas seis etapas são as seguintes:

  • Design / Modelagem;
  • Corte;
  • Costura / Pesponto;
  • Montagem;
  • Solado;
  • Acabamento.

Design / Modelagem – Sem dúvida a etapa de maior importância em todo o processo de produção, pois é nesta etapa que são concebidos os calçados, ou seja, os projetos nascem a partir desta etapa.

O Designer tem a incumbência da pesquisa em revistas de moda, catálogos, feiras, exposições, internet, viagens aos grandes centros de moda, e tantas outras fontes de pesquisa que tiver, a fim de analisar e interpretar as várias tendências, não só de moda, mas principalmente as de comportamentos, uma vez de posse de todas estas informações, são possíveis desenvolver novos projetos antecipando as necessidades do mercado e assim lançar moda. É também o Designer o responsável por idealizar e visualizar os modelos, linhas e coleções, englobando as construções, formas, cores, adornos, materiais, texturas e possíveis custos, traduzindo todas estas informações em desenhos detalhados, passíveis de entendimentos há profissionais e outros setores.

Ao Modelista cabe a importante função técnica de adequar produtividade ou a manufaturabilidade do produto, adaptando a concepção do Designer às condições e características do processo de produção, como adaptar os novos modelos e projetos para a fabricação, verificando a escalação de modelos, palmilhas, solas e outros componentes, a comprovação dos cortes escalados e a programação de navalhas. O processo tradicional utiliza o pantógrafo, que faz a escala e corta a cartolina para os modelos. Mais recentemente, os equipamentos CAD (Computer Aided Design) bi e tridimensionais vêm sendo utilizados para criar modelos a partir de informações estruturais digitalizadas e visualizadas no monitor, possibilitando uma precisão e agilidade muito maior na tarefa de modificação e criação de novos modelos.

Os atributos finais dos calçados como a beleza, estilo, conforto, durabilidade entre outros, dependem das habilidades e criatividade do Designer e da competência do Modelista, além da forma como estes conseguem interagir com as outras etapas do processo produtivo, inclusive com os Departamentos de Vendas e Marketing.

Corte – Com base no que foi definido pelo Design / Modelagem, a matéria prima é cortada, aos funcionários que realizam estas operações denominam-se Cortadores. No processo tradicional, o corte é realizado com facas e balancins. Quando a matéria-prima utilizada é o couro, o Cortador deve estar atento ao sentido das fibras, a elasticidade e a existência de defeitos para definir as posições do corte e minimizar o desperdício de material. Os processos mais avançados utilizam o corte a laser, jato de água, ou ar-comprimido, em geral de forma integrada com a modelagem por CAD, resultando em um aproveitamento da matéria-prima bastante superior dado que o controle da área a ser cortada é feito pelo computador. Deve-se ressaltar que as diferenças entre os processos tradicionais e os mais avançados, é em grande parte, determinado pelo tipo de matéria-prima utilizado e seu grau de homogeneidade, ou heterogeneidade.

É ainda nesta etapa que são efetuadas todas as marcações que servirão de bases para a próxima etapa.

Costura / Pesponto – As peças que foram cortadas e marcadas na etapa anterior, agora são unidas pela costura ou pesponto. Nesta fase os profissionais recebem denominação de Costureiras e Preparadoras, dependendo do estilo ou tipo de calçados, as várias peças que compões os cabedais costurados, virados, refilados, picotados, colados, recebem a aplicação dos enfeites, fivelas e outros metais, pedrarias, além de bordados e aplicações.

Existem máquinas de costura de controle numérico, porém de utilização restrita para alguns poucos tipos de costura e/ou de produto. Considerando-se os vários tipos de operação e as várias formas de realizar a união das peças de acordo com o produto final que se deseja obter, pode-se entender a restrição existente para que se avance na automação nessa etapa do processo e o predomínio da atividade manual.

É muito comum as indústrias terceirizarem esta etapa da produção, geralmente fora das suas instalações, a estes que realizam esta etapa e suas operações recebem a denominação de Ateliês de Costura ou Ateliês de Pespontos.

Montagem – Aos profissionais que executam esta etapa, denominam-se Montadores, é nesta etapa, que há a colação do cabedal na fôrma a fim de obter-se a conformação e a fixação do cabedal junto à palmilha de montagem, geralmente por meio de colagem, mas podendo ser costurada, nesta etapa ainda ocorrem as operações de colocação de biqueiras ou couraça, contrafortes, cambrês, entretelas e outras.

Solado – Os profissionais responsáveis por esta etapa denominam-se Soladores. É nesta etapa que são fixadas as palmilhas de montagem, já com os cabedais montados e enformados aos solados, esta fixação pode ser pregada, colada, vulcanizada ou costurada. Nesta etapa também ocorrem operações como os processos de pregar e colar os saltos e tacões, asperar (lixar) os solados e cabedais enformados que foram montados nas palmilhas de montagens e colagem por meio de pressão.

Acabamento – Por fim, nesta etapa de acabamento, o calçado é desenformado e passa pelos retoques finais como: Colocação de forros, taloneiras, sobre palmilhas, pintura, enceramento, encaixotamento e etc.

De maneira geral, pode-se perceber que embora a difusão da informatização e da automação tenha exercido impactos importantes sobre o processo de produção de calçados, esses impactos ocorreram de forma mais intensa em algumas etapas do processo produtivo. Em outras etapas, como a Costura e a Montagem, a produção ainda mantém caráter artesanal e intensivo em mão-de-obra em virtude da dificuldade na automação. Nestas etapas, a eficiência do processo ainda depende predominantemente da habilidade do trabalhador. Em outras etapas, como Design / Modelagem e no Corte, é possível utilizar equipamentos como o CAD, inclusive de forma integrada com equipamentos de automação de corte e manufatura, especialmente quando se trata do processamento de materiais sintéticos ou de couro de qualidade mais elevada, cujos requisitos de uniformidade são bem mais elevados.

Dessa forma, as barreiras técnicas à entrada na indústria de calçados ainda se mantêm relativamente baixas e, apesar da diminuição de sua importância relativa como fator de competitividade, o custo da mão-de-obra continua sendo uma variável importante na determinação das estratégias empresariais efetuadas internacionalmente. Em geral, as barreiras não-técnicas são as mais importantes nesse mercado e envolve principalmente a diferenciação de produto através de design sofisticado, fixação de marcas e estratégias de marketing agressivas. Outro elemento bastante importante refere-se à capacidade de logística para efetuar o outsourcing global, por meio do qual os grandes fabricantes buscam matérias-primas e subcontratam as atividades mais intensivas em mão-de-obra naqueles países onde esses recursos sejam mais abundantes.