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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Category: Tipos de Calçados

Brothel Creeper / Trepadeiras de Bordel – este modelo foi característico dos soldados que serviram durante a 2ª Guerra Mundial nos desertos do Norte da África, onde estes militares utilizavam botas de combates específicas para o clima e meio ambiente, também conhecidas como desert boots. Quanto ao nome dado a este tipo de calçado, o Brothel Creeper ou Trepadeiras de Bordel deveu-se segundo muitos, ao fato de que: Muitos destes militares que serviam ao Norte da África, ao deixarem suas unidades militares encaminhavam-se para as casas noturnas em Londres, ainda utilizando as mesmas botas de combate com grossos solados de borracha crepe, assim sendo ficaram conhecidas como “Trepadeiras de Bordéis”.

Este modelo originalmente possuía como características principais solados de maciços de borracha crepe com espessura entre 3 e 5 centímetros e na sua maioria de altura única, ou seja, sem elevação na base traseira do solado, por muitos chamados de tacão ou até saltos, essa espessura acentuada do solado em borracha crepe servia como isolante térmico das areias escaldantes do deserto e outros terrenos áridos e escaldantes. O modelo ainda tinha como característica seus cabedal confeccionado em couro camurça, tendo seu fechamento efetuado por cadarços e canos não muito elevados.

Logicamente durante o decorrer dos anos e décadas, estes calçados ganham diversas variações de modelos e formatos, mas sua característica marcante é sem dúvida alguma, seus grossos solados de borracha crepe.

Nos anos de 1950, com a subcultura britânica da décadas de 1950 e 1970, que era tipificada pelos jovens masculinos que utilizavam-se de vestuário inspirados nos estilos da era Eduardiana (corresponde ao período de 1901 a 1910 no Reino Unido, durante o reinado do Rei Eduardo VII), que estilistas como Savile Row haviam tentado re-introduzir, após a Segunda Guerra Mundial, o estilo  espalhou-se rapidamente pelo Reino Unido, ficando associada ao rock and roll e ao rockabilly tocado por músicos norte-americanos. . Este estilo de calçado foi desenvolvido em 1949 por George Cox e comercializados sob a marca “Hamilton”, nome do meio do conhecido George Cox Jr.

Os Brothel Creeper recuperam sua popularidade nos anos de 1970, quando Malcolm McLaren vendeu de sua “Let it Rock” loja em London Road Kings. Os Teddy Boys eram seus clientes óbvios, mas a Brothel Creeper ou Trepadeira de Bordel, provaram ser mais populares entre os clientes regulares, isto quando a McLaren e sua parceira Vivienne Westwood mudaram a loja de moda mais rocker-oriented.

Estes calçados ainda foram utilizados por outras subculturas como: Indie, ska, punk, new wavers, psychobilly, greasers, goth e a japonesa visual kei.

Com o aumento da popularidade da cultura ou subcultura grunge, estes calçados tiveram destaques na década de 1990 e até mesmo durante 2011, quando a cantora Rhiana utilizou-se de um destes modelos.

 











Toe Shoes /Calçados de Dedos – trata-se um modelo de calçado bastante peculiar, uma vez que ao ser visualizado pela primeira vez, com certeza não passa por despercebido. Este tipo de calçados surge na primeira década do século XXI, sendo até chama por alguns de: “O calçados do século XXI”, num mercado onde quase todas as opções de novos modelos parecem esgotadas, eis que surge por volta de 2006, o Toe Shoe ou Calçados de Dedos.

O modelo em questão trata de calçado com uma forma muito, mas muito semelhante a dos pés, tal qual nenhum outro modelo aproxima-se tanto, pois este é composto de compartimentos individuais para cada um dos dedos, ou seja, “um calçado com cinco dedos em cada pés”, isso mesmo, um calçado com cinco dedos por pé, geralmente produzido em neoprene ou semelhantes o que facilita o calce devido a elasticidade, já que na maioria dos modelos não existe sistema de fechamento, embora alguns modelos já utilizem tiras de velcro, ou engates rápidos com presilhas, além de um solado muito fino e flexível e antiderrapante de borracha ou termoplásticos, Logicamente muitas variações ainda surgirão. Estima-se que hoje exista cerca de uma dezena de empresas que produzem este tipo de calçado, porém acredita-se que isto será uma crescente para os próximos tempos, porém ainda é difícil definir se isto é, ou será apenas um modismo, ou se realmente veio para fica, mas alguns dos grandes fabricantes de calçados esportivos já incorporaram em suas linhas de produção tal modelo, como por exemplo, a Fila.

Uma recente campanha publicitária da Fila, inicialmente em outdoors onde é exibido um modelo do Toe Shoes, pergunta : “ Que diabos é isto?”. É bastante provável que a campanha queira despertar no público, a curiosidade em conhecer melhor este novo produto.

O fato é que trata-se de uma forma inovadora para os calçados e isso despertou o interesse por alguns esportistas amadores adeptos a corridas que relatam uma sensação muito agradável de correr ou caminhar descalços, mas com uma proteção para as solas dos pés. Também despertou o interesse por muitos militares americanos, que vinham aderindo a este tipo de calçado com bastante intensidade, porém o comando das forças armadas americana proibiu a utilização destes calçados pelos integrantes de suas forças militares, alegando que tratava-se de um modismo bastante descontraído e os militares deveriam manter a impressão de seriedade na composição de seus trajes e personalidades, logicamente isto tem gerado muita controvérsia nas forças armadas e mesmo fora dela.

 


 











Boat Shoes /Sapatos de Barco – sendo este modelo tão semelhante ao aos mocassins dos indígenas pele-vermelhas norte americanos fica difícil dizer que este modelo de calçado não seja derivado deles, porém este modelo de calçado é atribuído ao norte americano Paul Sperry em 1935, Paul era o irmão mais velho do autor e ilustrador Armstrong Sperry. O modelo em questão foi criado com a marca Top-Sider, que passou a ser desde então a marcar original do Boat Shoes ou Sapatos de Barcos.

Sperry era um ávido velejador, que como tantos outros sofriam frequentes riscos de lesões durante o deslocamento no convés escorregadio de seu barco. Porém durante um dia de intenso inverno na cidade de Connecticut – EUA, Paul observou a incrível capacidade de seu cão de equilibrar-se e deslocar-se sobre o gelo do intenso inverno, sem muitas dificuldades. Foi a partir desta percepção, que Sperry passou a observar melhor o padrão das fissuras, sulcos e textura das patas de seu cocker e  ocorreu-lhe a ideia de projetar um calçado específico para velejadores.

Então destas percepções e necessidade de Paul surge o projeto de um calçado com:

  • Cabedal com perfil bem baixo, o que facilita a transpiração, confeccionado em couro resistente a água, tendo costuras que circundam o peito do pé, semelhantes aos mocassins;
  • Amarração feita através de cadarços, também de couro que promovem o fechamento do talão por um conjunto de quatro ilhoses, sendo duas fileiras de dois por pé e tiras de couro que simulam cadarços em couro que circundo ambas bordas laterais dos calçados;
  • Solado de borracha bastante flexível, com ranhuras e sulcos que imitavam a padrão das espinhas de peixes, o desenvolvimento desta textura do solado seguiu o padrão criado por Jonh F. Sipe em 1923, que consistia em de corte fendas finas através de uma superfície de borracha, para melhorar a tração em condições molhadas ou congeladas. Este processo foi fundamental para maximizar a tração e desempenho do Authentic Original Sperry Top-Sider introduzido pela primeira vez em 1935.

Logo o calçado de Sperry rapidamente tornou-se popular entre velejadores não só para o seu solado antiderrapante exclusivo, mas também pela sua cor branca, o que impedia o caçado de deixar marcas no convés de um barco, que na sua ampla maioria são na cor branca.

O sapato permaneceu um produto de nicho até 1939, quando a Marinha dos EUA negociou o direito de fabricar o sapato para os seus marinheiros. Como resultado do contrato com a Marinha, negócio Sperry foi adquirido pela empresa Rubber Co. EUA, que em seguida comercializou o calçado em todos os Estados Unidos.


 









Combi – o modelo tem seus primeiros registros no final da década de 1930, quando por conta da Grande Depressão e da 2ª Guerra Mundial, fatos estes, que acabaram impondo restrições a muitos materiais e entre eles, o couro. Logo as botas até então muito utilizadas, quase desapareceram devido aos desgastes do uso intenso e ao fato quase não serem mais produzidas pela falta do couro, que nos tempos de guerra eram direcionados aos calçados e outros utensílios dos para os soldados dos frontes de batalhas. Esse desaparecimento das botas muito utilizadas pelos camponeses no seu dia-a-dia de trabalho originou a criação de um novo calçado o “Combi”.

As principais características deste modelo é o de ser uma espécie de botina de cano muito curto e bordas almofadadas, com sistema de fechamento composto por 4 ilhoses e cadarços, sobre uma lingüeta macia, que atinge a altura do cano, este modelo possui ainda um bico bastante arredondado e amplo, que acaba tornando-o bastante confortável.

O modelo Combi, logo foi adaptado aos calçados infantis, sendo este um modelo amplamente utilizado pelas crianças de até uns 3 anos. Estas adaptações acabaram por evoluir e hoje têm seus cabedais produzidos em tecidos geralmente acolchoados e com fechamentos além de cadarços, com velcro e fivelas. Os solados rasteiros e geralmente em TR, E.V.A., SBR ou Borracha Crepe proporcionam boa estabilidade ao caminhar.

 











Patten / Patyns / Galochas / Clogges – este modelo teve sua origem na Idade Média e foram utilizadas até o século XIX, sendo utilizadas sobre outros calçados, onde tinha a função de elevar os pés para proteger os calçados da lama e da sujeira muito comum nas ruas não pavimentadas da época.

As principais características deste modelo eram seus solados grossos solados de madeira em peça única, que continham tiras, ou correias que circundavam os pés e aram fixadas nas cepas de madeira, a fim de acomodar os pés já calçados. Houve variações nestes modelos, onde as plataformas de madeira adquiriam estrutura metálica circular sob estas cepas, outra variação era as cepas de madeira com duas elevações uma sob o calcanhar e outra sob o metatarso.

A denominação Patten teve sua origem provavelmente do francês antigo, que refere-se a “Pata”, ou a “Casco”. O modelo tratava-se de um calçado unissex e muito utilizado no século XV, em conjunto ao modelo muito popular na época a Polaina, que eram aqueles calçados com bicos afunilados e extremamente compridos.

Este modelo também é conhecido em outros países como: Patyns,  Galochas e Clogges.

 












Split Toe – este modelo de calçados tem sua provável inspiração nos tradicionais calçados japoneses “Jika-Tabi”.

As principais características deste modelo são de ter uma divisão entre os dedões dos pés, para com os outros, além de ter cabedais confeccionados em materiais extremamente confortáveis como neoprene, tecidos acolchoados (com espuma), emborrachados e outros, além de solados maleáveis e muito confortáveis.

Sua utilização é bastante empregada em certas atividades esportivas como, por exemplo: Rafting, canoagem, surf e outros que exponham seus praticantes a água. Embora inicialmente o modelo tenha sido empregado em práticas esportivas, hoje já existem modelos mais tradicionais como botas, ankle boots, oxfords e outros, que já utilizam-se do conceito da divisões dos dedos.

A nomenclatura Split Toe vem de idioma inglês, que significam:

  • Split = Divisão (entre outras traduções);
  • Toe = Dedo do pé (entre outras traduções).

 











Winklepicker – na verdade não se trata de um modelo, mas sim de um estilo de calçado, pois pode ser aplicado tanto em sapatos, quanto em modelos abotinados. O estilo tem sua provável inspiração nas poulaines medievais, porém o estilo é atribuído à década de 1950, tratando-se de um estilo de calçado unissex, muito utilizados pelos fãs do rock in roll britânico, o modelo foi especialmente utilizados pelos Beatles.

As principais características destes modelos são seus bicos finos e alongados e rapidamente elevados, salto baixo e amplo do tipo cubano em torno de 4 cm, geralmente produzido na cor preta. Os modelos inicialmente foram adaptados em sapatos Oxford e botas Chelsea, mas hoje podem ser adaptados em outros vários modelos.

A denominação Winklepickers deu-se devido ao modelo do bico fino e alongado e pouco elevado, na década de 1950 era moda comer os caramujos ou búzios Periwinkle a beira-mar, porém para retirar o caramujo de sua carapaça, ou concha era necessário algum objeto fino e pontiagudo, logo ao iniciar a degustação do caramujo pedia-se algum objeto para a retirada do caramujo com a seguinte frase: “Algo para winkle”. Então presume-se que algum admirador bem humorado do caramujo e do calçado em questão deu-lhe este nome.

 











Boudoir – na verdade não se trata de um modelo, mas sim de um estilo de calçado, logo todos, ou pelo menos quase todos os modelos podem ter estilo Boudoir. O termo boudoir é originário do idioma francês e desde a Renascença Francesa remete sala, ou quarto privado feminino utilizado para banhar-se, vestir-se e a práticas de bordados e outras atividades femininas, onde as mulheres buscam o conforto das roupas totalmente informais e íntimas. Na área da moda o termo boudoir remete basicamente ao estilo underwear, onde existe o emprego de componentes utilizados em pijamas e lingeries em peças de moda de rua utilizadas no dia-a-dia, bons exemplos são as alças de sutiã, regatas com rendas, bojos e vestidos de tecidos suaves, como a seda, trazem o ar sexy e romântico das roupas íntimas aos visuais urbanos.

As principais características destes calçados são: Sensualidade e Romantismo. Logo a presença de saltos, delicadas rendas, sedas, pequenos pontos de cristais, plumagens, cetins, lacinhos, fitas estreitas, tracelim e outros, mas tudo muito delicado que remeta ao underwear feminino, sendo que nada impede a utilização destes materiais citados de comporem visuais com materiais não tão sofisticados, que podem compor um modelo mais casual.

Este estilo de calçado remete ao requinte Frances, mas deve ser utilizado com cautela e bom senso, para que não transmita um ar vulgar.

 











Tubarão – o modelo trata-se de uma variação modelo plataforma meia-pata, lançado no final da década de 2000, que difundiu-se e caiu no gosto das mulheres no início da década de 2010, sendo bastante utilizado nos modelos destinados ao inverno, como sacarpim, d’orsey, clog, ankle boot, cut-out bot e as tradicionais botas que não podem faltar no inverno.

As principais características desde modelo são as utilizações das plataformas meias-patas acompanhadas dos saltos, onde possui um bico afunilado não muito alongado com uma ligeira inclinação vertical de baixo para cima deixando este com o aspecto do nariz de um tubarão, onde o material do cabedal se sobrepõe as meias-patas, tendo o seu processo de montagem do cabedal colado diretamente na meia-pata e não na palmilha de montagem, sendo que para facilitar esta montagem do bico, onde anteriormente o cabedal recebe um corte, para a retirada do excesso de material e recebe uma costura para o fechamento deste corte.

O modelo é destinado aos calçados femininos e tem um formato muito e pode compor desde um look casual, até mesmo um look festa, claro que isto vai depender do modelo de calçado aplicado a este estilo “tubarão”.

 











Jika-Tabi – mais um tradicional modelo de calçados japonês, que tem como origem as meias tabi, o modelo fora d Japão também é conhecido como “Tabi Boots” (Botas Tabi), este calçado tem sua utilização principalmente em ambientes externos e sua criação é creditada a Shojiro Ishibashi fundador da maior empresa de pneus Bridgestone Corporation, ainda no século XX. Este modelo por ser considerado como pré-cursor do Split Toe.

As principais características deste modelo são de ter uma divisão entre o dedão do pé, para com os outros, além de um solado fino e maleável de borracha, possui cabedal semelhante à de uma bota só que em tecido.

A principal desvantagem e que por seu fino solado de borracha e por seu cabedal de tecido proporcionam pouca proteção aos pés.

Sua utilização é bastante empregada nas artes marciais e fora do Japão também é muito utilizado em alguns esportes radicais e outros nem tanto que requeiram um maior equilíbrio, ou uma maior adaptação da forma dos pés ao terreno em questão.

Ainda no Japão algumas alterações estruturais e novas matérias-primas vêm sendo utilizadas, como solado rígido, protetores para os dedos em aço e outros, tudo a fim de torná-los uma espécie de calçado de segurança.