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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Category: Histórias sobre Calçados

1930 a 1939

O crash da Bolsa de Valores de New York em 1929, que resultou na “Grande Depressão” afetando todo o mundo. Na Europa o interesse pelo comunismo vinha ganhando espaço e Hitler estava se preparando para vir assombrar o mundo novamente.

No cinema é rompido o silêncio com a chegada do cinema falado, trazendo consigo as estrela como: Jean Harlow, Greta Garbo, Fred Astaire, e os Marx Brothers que proveram um repouso a tristeza.

O glamour de Hollywood ajudou atenuar um pouco os problemas econômicos e políticos, mas devido às estes problemas houve a escassez de muitas matérias-primas entre elas o couro e a borracha, obrigando a busca de novos materiais.

O surgimento do movimento surrealista vem por fim as influências do “Déco” na moda. Surgindo daí uma propensão aos dramas e fantasias, elem de impressões exóticas e com certos ares orientais.

A moda estava renovada, leve e fresca sob pesada influência de Madeleine Vionnet e pelas quebras de preconceitos. Tecidos para os trajes noturnos eram luxuosos, drapejados lindíssimos, brilhos e peles completavam um belíssimo visual. A diva do cinema Jean Harlow, simboliza o sonho com vestidos longos e decotados.

Porém muitos viveram tempos difíceis com orçamentos bem apertados. O vestuário passou a ter um único propósito, o de vestir. Tendo um guarda roupa bem reduzido e muito bem aproveitado, é neste momento que as mulheres passam a utilizar calças compridas sendo estas reconhecidas como o casual.

Esta década experimentou todas as cores possíveis na época desde as sombrias como castanho, preto, marrom e marinho, inclusive o rosa pink utilizado por Elsa Schiaparelli.

Os estilistas fazem experiências na moda calçadista, criando as plataformas que fazem sua estréia em pleno século XX. Criados por Salvatore Ferragamo e André Perugia, estas plataformas foram criadas em madeira, cortiça e outros materiais. Devido à escassez de couro e borracha, tiveram que adotar materiais até então considerados ordinários na fabricação de calçados, como a ráfia, o celofane, o crochê e o plástico.

Ferragamo é sem dúvida o nome de destaque, pois é ele o responsável pela introdução do uso interno do aço para suportar o arco do pé (alma de aço), possibilitando a utilização de saltos altos

 











1920 a 1929

Devido a inúmeras mortes de jovens durante a guerra, criou-se um culto a adolescência que lhes atribuiu uma liberdade antes nunca permitida, o que os permitiu acompanhar:

·A proliferação do “jazz” devido a influência Afro-Americana;

·O desenvolvimento de meios de comunicação de massa;

·O direto feminino ao voto;

·O uso da maquiagem;

·Era considerado divertido fumar.

Clara Bow, Louise Brooks, Rudolf Valentino e Josephine Baker eram estrelas populares do tempo, os quais personificavam muitos dos ideais modernos.

O movimento “Art Déco” influencia diretamente nas estampas e no corte geométrico.

No vestuário, as saias encurtam e chegam a seu ápice em 1927, sendo que as jovens esforçavam-se para exibir os joelhos, algo inimaginável e angustiante para os antepassados provenientes dos tempos Vitorianos. Algumas jovens chegavam a aplicar ruge nos joelhos sob as meias-calças, para assim simularem colegiais rebeldes.

Ainda sob a influência do “Art Déco”, os estilos elegantes de Madeleine Vionnet e Coco Chanel influenciariam para sempre a moda. Chanel cria o “tailleur”, simplificando o visual feminino com o pretinho básico e cabelos curtos, tendo como referências do vestuário masculino. Cria também os calçados “brogue” inglês, bicolores com salto para mulheres e ainda cria também, o desenho de um calçado aberto no calcanhar que se torna um “clássico” o calçado modelo “chanel”. Ela escolhe e desenha biqueiras em tons escuros nos calçados claros, utilizando cores a flor da pele diminuindo assim a proporção dos pés.

A aristocracia européia se estabelece, os novos burgueses europeus e os novos-ricos americanos passam a exigem diversidade de modelos, com isso a produção em massa desenvolve-se, originando novas tecnologias e materiais sintéticos que logo são incorporados na fabricação destes calçados. No entanto, a produção artesanal de calçados não é abandonada e a alta-costura do calçado sob medida sobrevive.

Tecidos brilhantes, enfeites metálicos e couros brilhantes tingidos criavam alguns dos calçados mais excitantes já vistos. Vários outros requintados materiais são incorporados na fabricação destes calçados como: Ricos brocados, cetim, seda, veludos, fios metálicos e bordados. Os saltos de sapatos eram freqüentemente obras de arte em eles.

Os pés tornam-se o foco da moda. O Charleston influencia diretamente os calçados, pois a dança exigia um calçado com boa estabilidade, sendo ele fechado e seu salto baixo.

Os calçados têm as seguintes características: Modelo boneca, bicos arredondados, fechamentos em botões, bicolores, laços e peles como ornamentos, os saltos são grossos e baixos, explora-se o contraste entre as texturas, brilho versus opaco.

Sobre a base do “decolletée”, no clássico “scarpin”, colocam-se saltos mais altos e com desenhos mais diversificados, a produção em escala chega aos calçados, mas a produção artesanal não é abandonada, a alta-costura em calçados sob medida sobrevive.

Os novos estilistas criam uma nova era para o calçado, reinventam formas e transformam o calçado em objeto de desejo. Chanel, Poiret, Dior e Schiaparelli são nomes importantes e responsáveis por estas transformações.

 











1910 a 1919

Primeira Guerra Mundial definitivamente foi o evento mais dramático da década, mas vários outros fatos importantes marcaram este período:

·Movimento pelo voto das mulheres;

·A grande epidemia de Gripe de 1918;

·Profundas mudanças na sociedade americana;

·O Titanic afundou na viagem inicial em 1912;

·O movimento Arts & Crafts de Lloyd Wright Honesto;

·O Cinema Mudo consagra estrelas como Charlie Chaplin e Mary Pickford.

As feministas decretam o fim dos espartilhos, estes foram substituídos por vestidos que assumem dimensões menores e inteiras, as saias imitavam saias de “harém” do Oriente Médio, ou seja, de comprimento até os tornozelos. Paul Poiret estilista de grande destaque, influenciado pelas tendências Orientais foi duramente criticado. Algumas saias eram tão estreitas que era quase impossível mover.

Os calçados e as meias, também ficaram mais exóticos e coloridos, Poiret influencia Perugia, que cria uma coleção com estilo Oriental, enfeitadas com jóias.

A Grande Guerra (1914 a 1918) mudou a vida das pessoas de modo dramático. Homens foram lutar na Europa e as mulheres passam a integrar os quadros de funcionários das indústrias, necessitando de calçados mais práticos e confortáveis.

Como parte dos esforços de guerra, as coleções de calçados e vestuário são encorajadas a serem menos frívolas. O vestir e o calçar ficaram mais utilitários e com um ar masculinizado, logo os comprimentos dos vestidos e saias começam a subir devido à escassez de tecido que toma o marcado devido à guerra. Até mesmo os teatros mais tradicionais, declaram opcionais ou desnecessários os trajes de gala.

Os calçados dos homens e mulheres ainda continuavam bastante semelhantes, as botas atadas sobre as pernas voltam à moda.

Neste momento aumenta bastante a variedades de materiais utilizadas na confecção dos calçados, inclusive couros misturados a telas coloridas ou gabardine para forma aspectos de tons harmonizados, alguns couros foram invertidos para formar camurças e suedes, os enfeites ficavam a cargo de fivelas removíveis em aço, filigree prateados, diamante e marcasite.

Com o fim da guerra a moda sofre uma drástica mudança, a roupa esporte começa a se popularizar e logo passou a ser incorporada no cotidiano. Nos Estados Unidos com o desenvolvimento da borracha, desenvolveu-se o primeiro tênis, chamado de “Keds” em 1917.

Neste momento as indústrias inicializaram a produção de todos os estilos de calçados, portanto a moda calçadista nunca mais seria a mesma.

 











1900 a 1909

Nos primeiros anos do século XX, todas as atenções e preocupações estão voltadas ao progresso, uma vez que este traz um modo de vida inédito e “Moderno”, traz também uma grande revolução cultural e social.

Este período é chamado freqüentemente a “Era de Edwardian”, que faz referência ao rei Edward VII, o sucessor de Rainha Victoria. A sofisticação estética clássica deste período foi conhecida como “Belle Epoque” ou “Idade Bonita”.

·Paris era o centro mundial da moda;

·Picasso estava em seus períodos azuis e rosas;

·Santos-Dumont e os irmãos Wright, faziam história de aviação;

·São Francisco nos Estados Unidos foi devastado por um terremoto em 1906;

·Fotografia alcançada o auge no primeiro filme narrativo;

·É lançado O Grande Assalto ao Trem (1903).

As mulheres inspiram-se no ideal de beleza de “Gibson Girl”, popularizado pelos desenhos de caneta tinteiro do artista Charles Dana Gibson de sua esposa Irene, jovem, muito bonita, sempre bem vestida e elegante, com uma cintura minúscula e penteados altos em seus cabelos. Ela também gostou de andar de bicicleta, enquanto exibia um espírito independente, completamente moderno. Para ter uma cintura minúscula, as mulheres passavam por imensas torturas proporcionadas pelos espartilhos.

Como todas as atenções do início da década estavam voltadas à parte superior do corpo, isto fez com que as pessoas desenvolvessem uma atração por pés estreitos, acreditando-se que isso era sinal de inteligência. Algumas mulheres chegaram ao absurdo de terem seus dedos menores removidos, para alcançar “os pés narrower”.

Durante o dia os calçados mais utilizados eram as botas, já à noite os modelos eram mais diversificados, tendo como destaque o scarpin de salto baixo estilo Luiz XV. Estes recebiam adornos frenqüentes como: Aplicações, bordados com fios metálicos, pedraria e outros.

As botas destinadas ao uso noturno, bem como as das crianças, eram confeccionadas de materiais macios como cetim, além de fitas, tiras e carreiras de botões que embelezavam as canelas.

Os sapateiros eram muito requisitados durante esse período, muitas pessoas tinham apenas um par de sapatos, principalmente os homens, os quais um par de sapatos durava anos. Com a implementação da Revolução Industrial, surgem às indústrias calçadistas que logo ampliaram a produção, tornando os preços mais acessíveis e facilitando assim, a aquisição de calçados pelas camadas menos favorecidas, Em um curto espaço de tempo, somente os ricos poderiam dispor de calçados feitos sob encomenda.

 











Nós humanos somos extremamente jovens se comparados com alguns animais. Por algum motivo desconhecido, a natureza não foi tão generosa com nossos pés quando se comparado com as patas de outros animais, como as macias patas dos gatos e cachorros, ou a resistência dos cascos de cavalos e outros. Assim sendo, o calçado nasce da necessidade prover proteção aos pés do homem para que estes pudessem se locomover sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. É bastante provável que os calçados pré-históricos eram compostos por folhas de plantas, cascas de árvores, cipós, peles e couros de animais.

Não há dúvidas de que os calçados são uma das grandes paixões femininas. A preocupação com o adorno dos pés acompanha a humanidade desde períodos pré-históricos. Em muitas culturas ou sociedades, os calçados foram e são sinônimos de indicadores de posição social e status econômicos, pois não nada mais desagradável do que um pé mal calçado, mesmo que se esteja vestindo uma roupa de milhares de dólares. Os pés são além de ponto estético, uma área de grande sensualidade em todas as culturas. Freud postulava que o calçado feminino simboliza a vagina. O ato de calçar os sapatos, portanto, seria uma simbologia do ato sexual.

Há países ao redor do mundo, que a maioria da população ainda não utiliza o calçado em seu dia-a-dia, ficando este associado a ocasiões especiais.

Alguns historiadores datam os primeiros calçados entre 3.000 A.C. e 2.000 A.C. no Antigo Egito, mas resquícios históricos encontram evidências no Período Paleolítico, também conhecido como Idade da Pedra Lascada, sendo que estas evidências datam entre 14.000 A.C. e 10.000 A.C., uma vez que pinturas rupestres encontradas na Europa em países como França e Espanha, fazem referencias a utensílios utilizados para a proteção dos pés deste homem pré-histórico.

Estas datas entre 14.000 A.C e 10.000 A.C. podem ser atribuídas à divisão do Período Paleolítico, como Paleolítico Superior, onde o homem já era obrigado a morar em cavernas, devido ao intenso resfriamento da Terra, principalmente no norte da Europa que ficava coberto pelo gelo em conseqüência da 4ª Era Glacial. O Homem deste período é o Homem de Cro-Magnon, que já é o homem propriamente dito. Caçava animais de grande porte como mamutes e renas, utilizando para isso armadilhas montadas no chão. Já nesta época utilizavam-se de alguns utensílios de pedra que serviam para raspar as peles, o que mostra que a arte de curtir couros e peles é muito antiga.

Já no Egito por vola de 7.000 e 6.000 A.C. nos Hipogeus (monumentos funeráriossubterrâneos do período pré-Cristão) câmaras subterraneas utilizada para enterros, foram descobertas várias pinturas que representavam os diversos etágios do preparo do couro e do calçado.

No Antigo Egito que inicia-se em cerca de 3150 A.C., altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egipto, e termina em 30 A.C. quando o Egipto, já então sob dominação estrangeira, transformou-se numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha de Ácio, as sandálias dos egípcios eram feitas de palha, papiro ou de fibra de palmeira e era comum as pessoas andarem descalças, carregando as sandálias e usando-as apenas quando necessário. Sabe-se que apenas os nobres da época possuíam sandálias. Mesmo um faraó como Tutancamon usava sandálias e sapatos de couro simples, apesar dos enfeites de ouro.

Na Mesopotâmia eram comuns os calçados de couro cru, amarrados aos pés por tiras do mesmo material. Os coturnos eram símbolos de alta posição social. A Mesopotâmia nome grego que significa “entre rios” (meso – pótamos), é uma região de interesse histórico e geográfico mundial. Trata-se de um planalto de origem vulcânica localizado no Oriente Médio, delimitado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, ocupado pelo atual território do Iraque e terras próximas. Os rios desembocam no Golfo Pérsico e a região toda é rodeada por desertos. Os principais povos que habitaram as Mesopotâmia foram: Sumérios e Acadianos (antes de 2.000 A.C.); Amoritas (2.000 A.C.-1.750 A.C.); Assírios (1.300 A.C.-612 A.C.); Caldeus (612 A.C.-539 A.C.).

Na Grécia Antiga, os gregos chegaram a lançar moda, como a de modelos diferentes para os pés direito e esquerdo. Grécia Antiga é o termo denominado para descrever o período clássico antigo do mundo grego e áreas proximas como França, Sul da Itália, Anatólia, Costa do Mar Egeu e Chipre. Não existindo uma data fixa, ou se quer um consensso que consiga definir um período que marque o início ou o fim da Grécia Antiga. Alguns escritores atribuem o período minóico e o micênico entre 1.600 A.C. a 1100 A.C.. Tradicionalmente a Grécia Antiga abrange desde os primeiros Jogos Olímpicos em 776 A.C., sendo que alguns historiadores estende o começo para 1.000 A.C., até a morte de Alxandre, O Grande em 323 A.C.. O dramaturgo Aeschylus, exigia que seus atores que encenavam papeis heróicos nas tragédias gregas, utilizassem calçados com grossos solados de cortiça, para parecem grandes e imponentes, sendo que a partir daí, os artesões da Grécia Antiga criaram as sandálias artísticas.

Na Roma Antiga o calçado indicava a classe social. Os cônsules usavam sapato branco, os senadores sapatos marrons presos por quatro fitas pretas de couro atadas a dois nós, os calçados tradicionais das legiões eram as botas de canos curtos que descobriam os dedos, existiam também os “caligaes” uma espécie de sandália bastante rústica de couro pesado e solado grosso, muitas vezes presas com taxas de bronze, estes calçados permitiram a estas legiões marcharem por toda Europa, Norte da África e Ásia Ocidental. Após os combates eram comuns os caligaes receberem camadas de peles das faces de seus inimigos, que eram adicionadas aos seus solados, essa tradição foi herdada dos egípcios, onde eles assim podiam literalmente pisar nas cabeças em seus inimigos. Os soldados vitoriosos ao voltarem das guerras, substituíam as taxas e adornos de seus caligaes de bronze por peças de ouro e prata.

Roma Antiga é o nome dado à civilização que se desenvolveu a partir da cidade de Roma, fundada na península Itálica durante o século VIII A.C.. Durante os seus doze séculos de existência, a civilização romana transitou da monarquia para uma repúblicaoligárquica até se tornar num vasto império que dominou a Europa Ocidental e ao redor de todo o mar Mediterrâneo através da conquista e assimilação cultural, no entanto, uma série de fatores sócio-políticos causou o seu declínio e o império foi dividido em dois.

A metade ocidental, onde estavam incluídas a Hispânia, a Gália e a Itália, entrou em colapso definitivo no século V e deu origem a vários reinos independentes.

A metade oriental, governada a partir de Constantinopla passou a ser referida, pelos historiadores modernos, como Império Bizantino a partir de 476 D.C., data tradicional da queda de Roma e aproveitada pela historiografia para demarcar o início da Idade Média.

Com a desintegração do Império Romano do Ocidente, no século V (em 476 D. C.), é terminado com o fim do Império Romano do Oriente, com a Queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 D.C.).

O período da Idade Média é marcada por uma grande mudança de compotamento, atingindo também a indumentária, onde os ensinamentos cristãos pregavam a não exposição dos corpos, diferentemente dos povos que os antecedoram, como os egípcios, gregos e romanos, os quais exibiam constantemente seus corpos. Essa drástica mudança na idunmentária atingiu também os calçados, onde as sandálias que esibiam os pés deixam de ser usadas, danado espaçosbotas altas e baixas, atadas à frente e ao lado para os homens, já para a mulheres, sapatos abertos que tinham uma forma semelhante a das sapatilhas. O material mais utilizado era o couro de gado, mas as botas de qualidade superior eram feitas de couro de cabra, embora pudessem ser bem mais desconfortáveis do que se possa imaginar, mesmo assim, os calçados estavam entre os presentas mais procurados neste período.

Tendo início as Cruzadas, veio o contato com o Oriente e a influência deste, causou mudanças nos estilos dos calaçdos, originando um calçado mais coerente e decorado. Surge neste momento os sapateiros, profissionais responsáveis por promover calçados de qualidades.

Durante a Idade Média, que sugiu a padronização da numeração dos calçados, tendo sua origem na Inglaterra durante o reinado de Eduardo I (1.239 a 1.307), por volta de 1.305, ele decretou que fosse considerada como uma polegada a medida de 3 grãos de cevada, colocados lado a lado. Os sapateiros ingleses gostaram da idéia e passaram a fabricar, pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanho padrão, baseados no grão de cevada. Desse modo, um calçado infantil medindo treze grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 13 e assim por diante.

O Renascimento identifica o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida humana assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.

É durante o Renascimento que os calçados tamam formas e alturas bastante interessante, chegando a ser descrito por muitos como extremamente ridículos. Entre os séculos XIV e XV, surgem as “poulaines”, difundidas em toda a Europa e principalmente na França e Inglaterra, este calçado caracterizava-se pelo estreitamento e alongamento das pontas, bicos. O comprimento do bico do calçado era proporcional à posição do indivíduo na sociedade, quanto mais alto o nível na escala social, maior o bico e se tornou uma competição hierárquica. Eram fabricados em couros, veludos, brocados e bordados em fios de ouro. Até as armaduras seguiram esse gênero com sapatos de ferro e bico revirado. Foi rei Francisco I (1.515 a 1.547) da França, quem decretou o fim deste tipo de calçado e ainda no século XV, este tipo de pontas aguçadas foi proibido pelo rei da Inglaterra Henrique VIII (1.509 a 1.547), por ter pés largos e inchados, achava esse tipo de calçado achava inconveniente e doloroso. A partir daí, são aceitos os chinelos rasteiros com base larga e muito mais confortáveis.

A ascensão da burguesia nos séculos XV e XVI, devido ao desenvolvimento do comércio originou nova classe social. O desenvolvimento deste comércio trouxe diversidade de peças do vestuário, inclusive os calçados, tornando-os mais diversificados, refinados e complexos. O calçado aparece como peça bastante trabalhada e passa a ser peça indispensável no vestuário. Quase sempre cada roupa exige um calçado e este é fabricado com os mesmos tecidos e ornamentos.

Os calçados masculinos têm as formas quadradas e largas, mais cômodas que no século anterior permitindo assim, maior transpiração e conforto para os pés. As botas que inicialmente exclusivo de uso dos exércitos, chegavam a atingir a coxa.

Iniciou-se neste período o uso do salto que foi criado para elevar a altura das mulheres, os primeiros saltos foram confeccionados em cortiça em forma de cunha, acompanhando o formato do arco do pé, elevando a altura apenas no calcanhar. Existem diferentes opiniões a respeito dos saltos altos, alguns como origem das “chopinas” (blocos de madeira utilizada como base/solado, onde o calçado era confeccionado), provenientes da China ou Turquia, eram sandálias com plataformas onde a altura dos solados apontava o nível social e chegava a atingir 40 cm. Havia casos de senhoras da corte que elevaram suas plataformas até 70 cm e precisavam às vezes de dois criados, um de cada lado para conseguir o equilíbrio, as chopinas foram inicialmente utilizadas pelos nobres, passando pela burguesia e chagando as camadas sociais mais baixas, daí foram desprezadas pela elite, sendo que as últimas as utilizarem as chopinas foram às prostitutas.

As plataformas e os saltos altos estão desde a Antigüidade associados a situações solenes e rituais, quando todo o universo gestual e os movimentos corporais, na época bastante contidos, estão relacionados a reverências e comportamentos formalizados. As mulheres mais observadoras imaginaram que suas silhuetas poderiam ganhar contornos mais sensuais com o calcanhar elevado, projetando o tórax para frente e dessa maneira ressaltando os seios. Até 1.600 não havia nada que realmente pudesse ser chamado de salto, nos anos de 1.590, até já tinham produzido alguns saltos baixos de madeiras ou cortiças, antes disso foram utilizados cunhos de cortiça ou empilhamento de camadas de couros, mas sem muito sucesso devido à dificuldade no caminhar. Uma vez com o surgimento do verdadeiro salto, com o conceito que conhecemos hoje, as outras formas de saltos desaparecem rapidamente. Em pleno século XVII, a fabricação de calçados com saltos originavam calçados com pouca estabilidade, causando freqüente falta de equilíbrio durante a utilização destes, isto devido às falhas na fabricação dos calçados principalmente na região de encaixe do salto, causando também problemas de emparelhamentos. Embora o desenvolvimento dos calçados desde o período Romano, já vinha sendo produzidos para pés direitos e esquerdos, porém a parte traseira dos calçados não havia diferenças entre os dois pés, então para dar mais estabilidades aos calçados com saltos, iniciou-se uma maior preocupação com detalhes e diferenciações entre pés esquerdos e direitos também na parte traseira. Durante a Guerra Civil Americana as botas dos exércitos passam a ser fabricadas com essa diferenciação entre os pés também na parte traseira e foi muito bem aceita.

É também neste período que é conhecida da manufatura do calçado na Inglaterra é de 1642, quando Thomas Pendleton forneceu 4.000 pares de sapatos e 600 pares de botas para o exército. As campanhas militares desta época iniciaram uma demanda substancial por botas e sapatos.

No apogeu veneziano, durante o século XVII, luxo e riqueza da influência oriental marcaram os materiais empregados na fabricação de calçados como os brocados, veludos e adamascados fartamente ornamentados. Neste momento surgem as “ciopines”, que são calçados com as solas aumentadas com a invenção do “pattino”, uma proteção para os delicados sapatos em contato com o solo e a água.

Na França, acontece um fato importante e particular, durante o reinado de Luiz XIV e de Luiz XVI, há introdução nos modelos de calçados masculinos de um salto mais alto e quadrado e também de fivelas e fartos ornamentos.

No século XVIII, a moda se estabeleceu de maneira sistemática e organizada como fenômeno cultural, social e de costume. São estabelecidas as variações do “gosto”. Período de muita evolução e os calçados em produção artesanal passa a atender as novas exigências de praticidade e funcionalidade que a sociedade exigia. Ficam caracterizados diferentes ambientes como: Cidade, campo e estrada. Desta maneira, surgem os calçados para o trabalho, para o passeio e várias novas exigências que este novo consumidor necessita.

O estilo predominante dos calçados femininos neste período são as botas em couro ou cetim e trabalhadas de maneira intensa, com saltos robustos e fechamentos laterais, nos quais aparece quase sempre uma carreira de pequenos botões ou amarrações com laços. Nos masculinos todos em couro preto e com a presença do elástico, invenção deste período, que torna o calçar mais confortável. Neste momento a sola ainda era presa ao corpo do sapato com pregos e toda costura era feita à mão.

Com a chegada das Máquinas de Costuras Américas de Isaac Merrit Singer, Elias Howe e Walter Hunt no século XIX, o processo de costura não só acelerou o processo de produção como levou à confecção de um calçado melhor e mais barato. Durante a Revolução Industrial surgem as operatrizes especializadas, como a de McKay. Um fluxo incessante de máquinas sofisticadas revolucionou a indústria dos calçados, de tal modo que, no alvorecer do século XX, ela já entrara na era da produção em massa.