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Calçados… Uma Paixão Irresistível!

O 1º e maior blog sobre calçados da internet brasileira…

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Category: Histórias sobre Calçados

Assim como alguns contam carneirinhos para dormir, há quem diga que Carlota contava sapatos. Carneirinhos aparentemente são iguais, sapatos  existem tantos quantos propõe o imaginário. Haja tempo para dormir! Carlota os tinha, sem exagero, em dezenas. Sua nobre mãe, como presente de casamento, lhe dera um par de sapatos para cada dia do ano. O noivo Real não deixou por menos, presenteou-a com uma quantidade inesquecível de sapatos, onde destacavam-se os vermelhos e os de salto alto. Homem sábio este, porque, os estudiosos do assunto juram que a cor vermelha é a cor da sedução. Mas, certamente não levou isto tão a serio, já que os mesmos estudiosos ainda nos lembram que o vermelho é também a cor do poder e da dominação. Carlota com seu instinto aguçado aprendeu desde menina que os sapatos de salto alto  e ainda vermelhos, eram muito poderosos.

Como a cor  possui uma intensa força de comunicação, a vaidosa Carlota  preferia os vermelhos acima de qualquer outra cor e os usava – altos -  impedindo que  alguém esquecesse quem ela era. Como se fosse possível. Então, o vermelho da Imperatriz do Brasil evidencia sua posição, comanda atitudes, ordena aos que a rodeiam. Segundo os especialistas ainda, o vermelho também é uma cor erótica e,  talvez seja  a mensagem  de cor mais direta  que  se pode enviar,  paixão e poder são claramente comunicados.

Em contraste ao traje da Imperatriz Carlota, as senhoras da Côrte calçavam  sapatos  brancos; e quase sempre estavam de vestido preto. È possível que este traje estratégico deve-se ao temperamento da Imperatriz. Cronistas da época, sugerem uma personalidade determinada e um  temperamento  absolutista espanhol muito bem incorporado.

Quanto aos sapatos brancos das  senhoras portuguesas,  vale lembrar  que o branco sugere pureza e feminilidade, e é também  o tom  da inocência,  da  claridade. A cor que   inspira  confiança. O branco imaculado e limpo como uma senhora deveria se manter. No início do século XIX,  cor de status, transmitindo a mensagem de que se está livre dos afazeres domésticos, trabalhos duros  ou atividades subalternas, enfim tornava evidente a posição social de quem o calçava. Começando pelos pés, é possível afirmar que o branco fora a cor da distinção entre  as senhoras  e   Dona Carlota Joaquina.

Como outras peças do indumentário, o sapato se expressa, fala, grita. Tanto ele como o pé comunicam o visível e o não dito. Neste sentido, para alguns, os calçados são o  barômetro  de uma pessoa, de uma época; para outros, as peças mais sutis  do quebra cabeça de um  indumentário.
 
Viajantes, surpreendiam-se com a quantidade de sapatarias existentes no Rio de Janeiro – capital do Império Português na América -  repletas de trabalhadores  nesta cidade onde, de cada seis habitantes, cinco andavam descalços. Mais ainda, ao observarem que as senhoras brasileiras, usavam sapatos de seda para andar em qualquer tempo nas calçadas de pedras desniveladas e  mal cuidadas, esgarçando em pouco tempo o delicado tecido do calçado. Não esquecendo que naquele momento, também este tecido era tido como  erótico conseqüentemente, os sapatos confeccionados com ele,  representavam peças   insinuantes. Assim, as senhoras também tinham objetos  que por elas falavam. Apesar dos extremos das cores, as senhoras da Corte tinham sua munição e com ela comunicavam suas intenções, esperado  serem  admiradas como  mulheres desejáveis, sem apelos diretos, que podiam estar sendo compreendidos como ameaçadores à sua posição de “senhora” numa sociedade patriarcal como da época, bem como de enfrentamento à Carlota. Um sapato de seda, mesmo sendo branco pode destacar cada detalhe do pé  e sutilmente transformá-lo  num objeto de desejo. Os sapatos, bem como o material do qual são feitos forneciam estas  indicações.

Mas, como sabemos, a população da época não era só formada pela Corte. Havia também os trabalhadores e trabalhadoras. Para os escravizados havia o Estatuto da Escravidão, que entre outros, obrigava os mesmos a deixarem os pés descalços. Podiam vestir calças, paletó, usar relógio de algibeira, anel com pedra, chapéu e até fumar  charuto, mas tinham que andar descalços,  literalmente: de pés no chão. Uma das muitas maneiras  de deixar o estigma bem exposto. O  calçado reservado  aos livres, e senhores, simbolizava fortemente a distinção entre as classes.
 
Para os senhores, pé desnudo não esconde segredo, estar sem calçados é como estar nu. Certamente, segundo eles, um pé coberto  torna-se misterioso, proibitivo,  aguça o reservatório de imaginário. Aos olhos do proprietário, o escravo, “objeto falante” estava excluído do ato de comunicar. Quando  seus pés, gritavam sua posição social.

Como cada classe também  tem suas divisões internas, suas contradições; as escravas que acompanhavam sua rica  senhora às atividades externas da casa, esse luxo, o sapato de seda, era obrigatório.  O mesmo Estatuto  obrigava as senhoras  a calçarem suas escravas  como ela própria,  suas seis ou sete  negras que com ela iam à igreja ou  passeios. No andar desta carruagem nada mais revelador do que as palavras: “Me digas o que calças e eu te direi quem és.”

E assim, pés e calçados levam-nos para as mais infindas memórias e vestem nossa imaginação dos mais diversos matizes.

 

Autora: Claudia Kiewel

 

Gostaria de agradecer a amiga Claudia por sua colaboração. Muito obrigado!



Os calçados nascem da necessidade prover proteção aos pés dos homens, para que estes pudessem locomover-se sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. Ao longo da história, com a evolução humana os calçados também ganham novas formas, materiais, cores, ornamentos, solados etc. A utilização de diversos modelos passam a ser sinônimo de status e podem definir classes sociais, estilos de vida, ou até mesmo classe de trabalhadores. Logo os calçados passaram a ser itens comuns nos vestuários contemporâneos.

A exemplo da interessante história dos calçados, ou até mesmo da história de seus os saltos, os calçados esportivos também tiveram uma interessante história ao longo dos tempos. Há vestígios históricos que remetem a Antigüidade Clássica, termo este utilizado para definir um longo período da história da européia, que estende-se aproximadamente do século VIII a.C. com o surgimento da Poesia Grega de Homero e a queda do Império Romano do Ocidente no século V d.C., mais precisamente no ano 476. O que diferencia esta época das demais são os diversos fatores culturais das civilizações mais marcantes de toda a história, as civilizações Gregas e Romanas.

A Antiguidade Greco-Romana não havia qualquer diferenciação entre arte e técnica, ou mesmo entre artista e artesão. A técnica grega, bem como a arte latina, referiam-se não só a uma habilidade, a um saber fazer, a uma espécie de conhecimento técnico, mas também ao trabalho, à profissão, ao desempenho de uma tarefa. O técnico era aquele que executava um trabalho, fazendo-o com uma espécie de perfeição ou estilo, em virtude de possuir o conhecimento e a compreensão dos princípios envolvidos no desempenho. Sempre associada ao trabalho dos artesãos, a arte era susceptível de ser aprendida e aperfeiçoada, até se tornar uma competência especial na produção de um objeto. Por não resultarem apenas de uma competência ou mestria obtidas por aprendizagem, mas sobretudo um talento pessoal, a composição musical e a poesia não faziam parte da arte.

Os calçados esportivos têm relação direta com as competições realizadas na Grécia, os Jogos Olímpicos da Antigüidade. Foi durante uma das competições, que alguns atletas se utilizaram de sandália feitas a partir de tiras de couro e obtiveram maiores êxitos do que outros que correiam descalços, pois até então, os grandes percursos e trajetos eram feitos descalços. Mais adiante, todos os competidores começaram a se utilizar destas sandálias e acabaram tornando-as comum entre a população.

Logo não demoraram a aparecer modificções nestes calçados, sendo que as primeiras modificações foram atribuida aos estruscos, povo este que viveu onde hoje é a Itália, na região ao sul do rio Arno e a norte do rio Tibre, então denominada Etrúria, mais ou menos onde hoje encontra-se a atual Toscana e partes da Lácio e a Úmbria.

Não há uma exatidão de quando este povo instalou-se nesta região, mas alguns historiadores datam entre 1200 a 700 a.C.. Nos tempos antigos, o histiador Heródoto acreditava que os estrucos eram originários da Ásia Menor, mas outros escritores consideram-os Italianos.

A Etrúria era composta por várias cidades-estados como: Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veio, Tarquinia entre outras, todas estas cidades altamente civilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos. Há resquícios de prologadas lutas entre Etrúria e Roma, terminado coma vitória de Roma próximos aos anos 200 a.C.

Aos estruscos é atribuída a invensão das palmilhas, que foram aplicadas nas sandálias gregas derivadas das competições, estas modificações nestes calçados, além de garantir maior conforto garantiam também, uma maior aderencia do salado dos pés aos calçados. Também é atribuido aos estruscos, a utilização de tachas de metal na sola dastas sandálias oferecendo assim melhor tração e durabilidade.

Os romanos já no século II utilizavam tiras de couros, que por meio de um conjunto de pinças fixavam melhor as sandálias. Nesse período, elas já tinham fins de uso cotidiano e esportivo.

A Idade Média foi tradicionalmente delimitada com ênfase em eventos políticos. Esse período teria sido iniciado com a desintegração do Império Romano Ocidental, no século V (em 476 d.C.) e finalizado com o fim do Império Romano Oriental, com a queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 d.C.), sendo que neste período os calçados esportivos não obtiveram significativas mudanças. A vida nos campos limitava os camponeses a utilizarem sapatos e botinas apropriados às atividades rurais.

A Idade Moderna é um período específico da história do Ocidente. Destaca-se das demais por ter sido um poríodo de transição por excelência. Tradicionalsmente aceita-se o início estabelecido pelos historiadosres franceses em 1453, quando ocorreu a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos e o término com a Revolução Francesa em 1789, ainda neste momento os calçados esportivos ainda não eram alvo de nenhum, ou quase nenhum tipo de inovação. Os calçados desta época diferenciavam as condições sociais da população e quase nehum destes, tinham a função exclusiva na prática esportiva.

Com o ressurgimento da prática esportiva no Reino Unido no final do século XVIII, obrigou o desenvolvimento de calçados leves e flexíveis e com capacidade de tração, sugindo então no século XIX o sapato em couro com bicos/tachas para tração.

Somente no século XIX, os calçados esportivos voltariam à tona, a Spalding foi a primeira empresa a produzir um calçado designado especificamente para a prática esportiva, onde os atletas utilizavam um calçado com solado e cabedal em couro macio, com atacadores (cadarços), sendo que nos solados havia uma estrutura onde eram fixadas tachas para uma melhor tração.

O inventor norte-americano Wait Webster, patenteou em New York o processo de “aplicar sola de borracha índia em sapatos e botas”, assim esta novidade diminuía significamente o impacto causado pela prática esportiva e aumentava em muito a aderencia ao solo.

Charles Goodyear em 1839 nos Estados Unidos, com intúito de melhorar a qualidade dos pneus que sua empresa fabricava, descobriu a fórmula de preservação da borracha. Esta fórmula deu origem a vulcanização, que consiste geralmente na aplicação de calor e pressão à uma composição de borracha, a fim de dar forma e propriedades ao produto final. Sem dúvida é a fase mais importante da indústria da borracha.

Na vulcanização a borracha é aquecida na presença de enxofre e agentes aceleradores e ativadores. A vulcanização consiste na formação de ligações cruzadas nas moléculas do polímero individual, responsáveis pelo desenvolvimento de uma estrutura tridimensional rígida, com resistência proporcional à quantidade destas ligações.

A vulcanização também pode ser feita a frio, tratando-se a borracha com dissulfeto de carbono (CS2) e cloreto de enxofre (S2C12). Quando a vulcanização é feita com quantidade maior de enxofre, obtém-se um plástico denominado ebonite ou vulcanite.

A determinação exata do método e das condições de vulcanização (tempo, temperatura e pressão), deverá ser feita não só tendo em vista a composição empregada, mas como também as dimensões do artefato a ser fabricado e sua aplicação. O estado de vulcanização afeta as várias propriedades físicas do artefato.

Algumas indústrias de calçados começaram então a substituir seus solados de couro pelos de borracha. Os novos calçados, mais leves e confortáveis, passaram a ser utilizados pelos bem-nascidos cidadãos da Costa Leste do país, em seus jogos de Críquete. Eram conhecidos como Cricket Sandals.

Entre 1860 e 1870, duas outras modificações apresentaram avanços nos calçados esportivos conhecidos atualmente. O invento dos cadarços e da sapatilha, originalmente desenvolvida para a prática do ciclismo, oferecia grandes vantagens aos praticantes de esportes.

O desenvolvimento dos esportes e o “boom” da Revolução Industrial abriram portas para a criação da primeira empresa especializada em calçados esportivos. Em 1890, a Reebook foi criada pela família do empresário Joseph William Foster.

Nenhuma revista de moda, estilista, ou quem quer que seja teve faro para distinguir que uma revolução no setor estava a caminho, ninguém atreveu-se a fazer qualquer comentário a respeito, simplesmente porque não parecia uma revolução, achava-se que era apenas um tipo diferente de calçado, que por certo, seria incorporado como outro modismo ao guarda-roupa da elite da época. Mas não se tratava de um caso de amor passageiro, o novo calçado também conhecido como SNEAKER (o equivalente ao “tênis” ou “sapatilhas” em português), já em 1873, teve seu couro substituído por tecido. Com um preço mais acessível, o sneaker era vendido em lojas de departamentos e logo tornou-se popular, aparecendo no catálogo “Peck and Snyder Sporting Goods” a seis dólares o par. E em 1897 aparecendo no catálogo da “Sear’s”, contribuindo para que fossem considerados calçados esportivos por excelência.

Ao mesmo tempo não perdeu a classe e em pés femininos, passou a ser usado nas quadras de tênis, era o calçado perfeito para acompanhar saques e corridas à rede. O tênis conquistou então seu nome definitivo, legenda e estandarte de um estilo de vida.

Já no século XX, o aparato tecnológico da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu a criação de calçados impermeáveis feitos a partir de lona. O novo material propiciou maior conforto aos atletas e diminuiu o peso do tênis esportivo.

Em 1920, surge o primeiro calçado de corrida do mundo, mais leve e confortável, até então as pessoas corriam, jogavam rúgbi e futebol com seus sapatos de todos os dias, pesados e desconfortáveis. Nesta época dois irmãos que moravam na cidadezinha de Herzogenaurach, na Alemanha. Adolf era introvertido e artesão nato. Rudolf era mais expansivo e com grande talento para vendas. Por serem tão diferentes, eles se odiavam e também por causa disso, não conseguiam se separar. Trabalhavam juntos na pequena fábrica Gebrüder Dassler Schuhfabrik, que em alemão significa “Fábrica de Sapatos dos Irmãos Dassler” e dia após dia, as brigas entre os dois irmãos se seguiam.

Mas nos negócios a união da qualidade do trabalho de Adi (diminutivo de Adolf) e do tino comercial de Rudi (Rudolf), dava muito certo. Eles tinham criado um tênis mais leve e anatômico do que os modelos pesadões existentes até então no mercado, esta invenção estava deixando a dupla muito rica, por isso, conseguiam se tolerar.

Foi assim até 1943, época do 3º Reich. Adolf era apolítico, filiado ao partido nazista por pura conveniência, uma vez que Hitler incentivava o esporte na Alemanha e isso fizera crescer as vendas de tênis, já Rudi era um nazista fanático. Em1943, a cidade de Herzogenaurach foi bombardeada pelos Aliados, chegando ao abrigo antiaéreo, Adolf encontrou a família do irmão e comentou: “Os sujos bastardos voltaram”. A esposa de Rudi ouviu e achou que o comentário era endereçado a ela e ao marido. Não adiantou explicar a confusão: A relação entre os irmãos ruiu de vez.

Essa não é a única versão dos motivos da separação, há quem diga que: Com o fim da guerra, Adi teria entregado o irmão aos Aliados, mas não há nada confirmado. Certo mesmo é que em 1948, Adolf Dassler aproveitou uma brecha legal para dissolver a parceria familiar e re-nomeou a Gebrüder Dassler Schuhfabrik para Adidas (contração de “Adi” e “Dassler”).

Rudolf deu o troco e criou outra fábrica de tênis “Ruda”, mais tarde rebatizada de Puma. A criação das marcas dividiu a cidade de Herzogenaurach, cortada por um rio. Em uma das margens ficava a fábrica da Adidas e na margem oposta, a da Puma. “O rio virou uma espécie de Muro de Berlim”, escreveu Bárbara Smit, autora de uma biografia dos irmãos. O ASV Herzogenaurach, um dos times de futebol da cidade, passou a ser patrocinado pela Adidas. O 1 FC Herzogenaurach, pela Puma. Quem estivesse com peças Adidas, não entrava nos bares freqüentados por fãs da Puma e casamentos “mistos” passaram a ser malvistos.

A competição entre Adi e Rudi, era tão grande que nos anos 70, eles não perceberam a aproximação de sua verdadeira inimiga: A americana Nike, que desbancou as duas marcas alemãs. Rudolf morreu em 1974, e Adolf em 1978. Os dois estão enterrados no cemitério de Herzogenaurach, em lados opostos do terreno, é claro!

Estas desavenças ou competições entre Adi e Rudi, proporcionaram alguns fatos esportivos interessantes como, por exemplo:

  • Em 1936, durante a Olimpíada de Berlim, os Dassler ofereceram um par de tênis para um corredor chamado Jesse Owen e ele ganhou quatro medalhas de ouro, essa jogada dos irmãos inaugurou o marketing esportivo;
  • Na Olimpíada de 1960, o corredor Armin Hary firmou contratos separados com a Adidas e a Puma. Foi a única vez que os irmãos concordaram em alguma coisa: Armin nunca mais foi patrocinado por eles;
  • Em 2004, Frank, neto de Rudolf (Puma), assumiu um cargo na Adidas. “Muitos familiares meus consideraram isso uma traição”, disse Frank.

Na década de 50, os tênis tornaram-se populares entre os jovens e calçaram os pés dos símbolos da juventude rebelde tipo, James Dean, o pop star Buddy Holly e Elvis Presley.

Em 1960, os calçados esportivos mais populares como os Converse ou Keds, possuíam apenas uma sola rasa e uma estrutura superior em lona. As escolhas dos atletas variavam entre uma bota para basquetebol, ou um sapato para tênis/corrida.

Na década de 70, os calçados esportivos começaram a passar por transformações, com a vitória do americano Frank Shorter na maratona de Munique nos Jogos Olímpicos de 1972, o boom começou, forçando o desenvolvimento de novas tecnologias. Quanto mais pessoas começavam a correr, maior era a procura por calçados confortáveis e resistentes ao mesmo tempo, outros esportes tornavam-se populares, houve necessidade do desenvolvimento de calçados cada vez mais específicos. Estas mudanças forçaram ao aparecimento de novos materiais e tecnologias. O desenvolvimento tecnológico mais avançado foi o aparecimento da sola intermédia.

“A indústria do calçado esportivo, é uma indústria de materiais!”

No basquetebol por exemplo: Passamos de sapatos de sola em borracha látex com estrutura superior em lona (Converse All Star), para sapatos em couro ou materiais sintéticos, com solas intermédias em poliuretano ou E.V.A. de compressão moldada, com tecnologias de amortecimento como, Nike Air, Asics Gel ou Reebok DMX, solas específicas para Indoor ou outdoor, com estruturas de apoio como faixas de velcro, reforços em carbono etc. Muito diferente do que era chamado calçado de basquetebol nos anos 70.

Os calçados para corridas, também evoluíram de forma muito intensa. No inicio dos anos 70, apenas possuíamos um tipo de formato (o semi-curvo), com uma espécie de cunho geralmente de E.V.A. na sola intermédia. Hoje temos três formatos:

  • Direito;
  • Semi-curvo;
  • Curvo.

Além de vários tipos de construções, densidades de sola intermédia, tipos de sola de acordo com o terreno, ou mesmo, características de apoio para compensar o ciclo mecânico do usuário.

Mesmo os calçados de tachas/pinos/travas evoluíram, hoje temos calçados com tachas/pinos/travas moldados, removíveis para pisos macios ou duros, de acordo com as necessidades dos praticantes, sejam de futebol, basebol, futebol americano, rúgbi e outros.

Existem hoje uma série de categorias de calçados que não existiam, como os calçados para walking, fitness, handebol e outros, permitindo ao consumidor selecionar os calçados de acordo com as suas necessidades específicas.

A durabilidade das solas foi melhorada na década 80.

Ainda na década de 80, a Nike inundou o mercado com uma linha popular de calçados esportivos, ultimamente as empresas vinculam suas marcas a atletas famosos e equipes esportivas, além é claro de popularizarem a prática esportiva, esse tipo de calçado reformulou a estética desse acessório do nosso vestuário.

A sola intermédia é o componente que ainda tem que evoluir bastante, pois as solas intermédias atuais são o elo mais fraco do calçado esportivo, pois geralmente são feitas em PU – Poliuretano de baixa densidade, formando uma espécie de espuma que tende a comprimir e perder a eficácia com o uso.

Tecnologias como o Nike Shox, são tentativas de reduzir ao máximo a dependência das espumas de PU, nas solas intermédias.

Como a indústria dos calçados esportivos, são indústrias de materiais, as grandes revoluções ainda poderão estar por vir.

Com todas as marcas, escolhas, materiais e tecnologias que existem hoje em dia, uma escolha acertada é cada vez mais difícil, pois para isso, o consumidor teria que ser um verdadeiro perito em tecnologias e materiais e isso não é muito provável.

Juntando todos estes itens, o tênis não é hoje em dia só um calçado, nem para quem fabrica, nem para quem usa. Pequena nave espacial urbana, o tênis exibe naqueles poucos centímetros e gramas de tecido, borracha e outros, tudo o que a tecnologia tem contabilizado como avanço, materiais, design, funções, tudo amadurece com cuidado nas pranchetas dos seus criadores e a imaginação parece não ter limites. Embora a conta jamais tenha sido feita oficialmente, podemos arriscar a afirmação de que: “Hoje em dia em todo o planeta, há milhares de modelos de tênis, com finalidades específicas”, todos procurando cada vez mais, envolver os pés de maneira suave e confortável, assim existindo como exemplo, estruturas em forma de pirâmide no solado, que absorvem impactos e os distribui de maneira uniforme, mecanismos que permitem movimentos independentes das partes dianteiras e traseiras do pé, modelos que podem ser chamados de múltiplos, uma vez que servem tanto para a prática de esportes como para a ginástica aeróbica e para corridas, no entanto, sabemos que só uma pequena parcela destes calçados são realmente utilizados para a prática esportiva como jogos de tênis propriamente ditos, ou basquete, ou até mesmo para a “malhação”.

Tênis é um calçado do dia-a-dia e está nos pés de celebridades e de gente anônima, pois afinal, tudo seria exatamente igual no mundo sem alguns mitos que a moda implantou ao longo dos tempos, desde a invenção do tênis.

A área que ainda deverá evoluir muito é o do conforto, isto para acomodar a geração “baby boom” que envelhece (75 milhões de pessoas nasceram entre 1948 e 1964 nos Estados Unidos), esta população vai querer calçados cada vez mais confortáveis, forçando as indústrias a procurarem novas soluções, como novos materiais ou várias larguras.

 

Evolução Cronológica dos Calçados Esportivos

 

1866 – Produção do primeiro calçado com sola de borracha;

1873 – Surge o termo “Sneaker” (Tênis – Calçado);

1890 – Josefh William Foster produz os primeiros calçados com “tachas/pinos/travas” na sola (mais tarde a sua companhia torna-se a Reebok);

1892 – Fundação d a “Us Rubber Company”;

1897 – O catálogo “Sear’s” apresenta “sneaks” de lona branca a um dólar;

1908 – Marquis M Converse funda a sua indústria;

1909 – Surgem os calçados para basquetebol em couro;

1915 – A Marinha americana encomenda os primeiros “Sneaks” para os soldados “1ª Guerra Mundial”;

1917 – Aparecem os Keds e os Converse “All Star”;

1920 – O Duque de Windsor lança a moda dos tênis brancos na sua visita aos Estados Unidos;

1925 – É fundada a “Dassler Sport Shoes” (mais tarde daria origem à Puma e a Adidas);

1929 – A Spalding apresenta o apoio para a Arcada e a Keds solas coloridas;

1934 – A Keds apresenta os calçados de lona colorida;

1935 – Os calçados de lona azul são aceitos nos campos de tênis;

1942 – Desenvolvimento da borracha sintética;

1948 – Adi Dassler funda a Adidas e Rudolph Dassler funda a Puma;

1949 – Onitsuka Tiger fabrica os primeiros calçados esportivos no Japão (ASICS);

1950 – Surgem os ilhoses nas laterais dos tênis para a transpiração;

1961 – A New Balance apresenta o “Trackster”, o primeiro calçado esportivo disponível em diferentes larguras;

1968 – O “Boom” dos calçados esportivos;

1971 – Phil Knight e Paul Bowerman fundam a Nike;

1972 – A sola “Waffle” revoluciona os tênis para corrida;

1979 – Paul Fireman compra os direitos da Reebok;

1981 – A Reebok apresenta o primeiro tênis para atividades aeróbicas para senhoras;

1989 – A Reebok lança o Pump por 175 dólares;

1992 – A Nike introduz a tecnologia Huarache (tênis com uma meia embutida em neoprene);

2000 – A Nike introduz um conceito novo: O shox (tênis com sistema de amortecimento em forma de molas);

2004 – A Adidas lança o primeiro calçado com chip na sola intermédia (A1), que adapta o sistema de amortecimento conforme as condições do solo;

2006 – A Adidas em parceria com o fabricante de monitores de freqüência cardíaca, apresenta o primeiro calçado capaz de aceitar um sensor de velocidade e distância, fazendo parte de um conjunto calçado/têxtil monitor de freqüência cardíaca, capazes de comunicar com o relógio do usuário;

2006 – A Nike lança o tênis Air 360, tornando-se assim, a primeira empresa a fabricar um par de calçado esportivo, cujo amortecimento da sola intermédia é totalmente não baseada em espuma de PU;

2007 – Isaac Daniel lança uma linha de calçado esportivo com GPS incorporado, este calçado permite ao usuário utilizar um botão de “pânico” caso esteja em situações de perigo;

2008 – A Brooks lança a tecnologia BioMogo, um composto da sola intermédia 100% biodegradável em apenas 20 anos, em lugar dos 1000 que tarda uma sola convencional;

Futuro – A indústria do calçado desportivo é uma indústria de materiais.




A real origem dos saltos dos calçados confunde-se ou perde-se, ao longo da própria história dos calçados. Até onde sabe-se, os primeiros resquícios de calçados com saltos foram encontrados em tumbas do Antigo Egito e datam aproximadamente de 1.000 A.C.. Provavelmente estes calçados com saltos distinguiam a alta posição social do quem os utiliza.

Na Grécia Antiga, também houve a utilização de saltos, sendo que o primeiro grande dramaturgo trágico da história grega o autor Aeschylus, exigia dos atores que encenavam suas peças, a utilização de calçados plataforma feitos inicialmente de cortiça, estas plataformas tinham diferentes alturas, as quais indicavam a posição social qual personagem pertencia.

Isto também ocorreu na história recente do Oriente, mas precisamente no Japão, quando o Imperador Hirohito assumiu o trono em 1926, este utilizava calçado com plataforma de aproximadamente 30 cm de altura.

A história nos revela que os saltos altos também estiveram associados à sexualidade, uma vez que as prostitutas na Roma Antiga eram identificadas pelos saltos que utilizava já as cortesãs japonesas utilizavam tamancos com altura que variavam entre 15 e 30 cm, já as concubinas chinesas e as odaliscas turcas eram obrigadas a utilizarem sandálias altas provavelmente para dificultar a fuga dos haréns.

Mas é somente na Idade Moderna, mais precisamente durante o Renascimento o período da história da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida, que iniciou-se a utilização do salto que foi criado para elevar a altura das mulheres, os primeiros saltos foram confeccionados em cortiça em forma de cunha, acompanhando o formato do arco do pé, elevando a altura apenas no calcanhar. Existem diferentes opiniões a respeito dos saltos altos, alguns como origem das “chopinas” (blocos de madeira utilizada como base/solado, onde o calçado era confeccionado), provenientes da China ou Turquia, eram sandálias com plataformas onde a altura dos solados apontava o nível social e chegava a atingir 40 cm. Havia casos de senhoras da corte que elevaram suas plataformas até 70 cm e precisavam às vezes de dois criados, um de cada lado para conseguir o equilíbrio, as chopinas foram inicialmente utilizadas pelos nobres, passando pela burguesia e chagando as camadas sociais mais baixas, daí foram desprezadas pela elite, sendo que as últimas as utilizarem as chopinas foram às prostitutas.

As plataformas e os saltos altos estão desde a Antigüidade associados a situações solenes e rituais, quando todo o universo gestual e os movimentos corporais, na época bastante contidos, estão relacionados a reverências e comportamentos formalizados. As mulheres mais observadoras imaginaram que suas silhuetas poderiam ganhar contornos mais sensuais com o calcanhar elevado, projetando o tórax para frente e dessa maneira ressaltando os seios. Até 1.600 não havia nada que realmente pudesse ser chamado de salto, nos anos de 1.590, até já tinham produzido alguns saltos baixos de madeiras ou cortiças, antes disso foram utilizados cunhos de cortiça ou empilhamento de camadas de couros, mas sem muito sucesso devido à dificuldade no caminhar. Uma vez com o surgimento do verdadeiro salto, com o conceito que conhecemos hoje, as outras formas de saltos desaparecem rapidamente. Em pleno século XVII, a fabricação de calçados com saltos originavam calçados com pouca estabilidade, causando freqüente falta de equilíbrio durante a utilização destes, isto devido às falhas na fabricação dos calçados principalmente na região de encaixe do salto, causando também problemas de emparelhamentos. Embora o desenvolvimento dos calçados desde o período Romano, já vinha sendo produzidos para pés direitos e esquerdos, porém a parte traseira dos calçados não havia diferenças entre os dois pés, então para dar mais estabilidades aos calçados com saltos, iniciou-se uma maior preocupação com detalhes e diferenciações entre pés esquerdos e direitos também na parte traseira.

A invenção do salto é atribuída a Catarina de Médicis (1519 a 1589), Rainha da França pelo casamento com o Duque Orléans (Henrique I), ficou viúva aos 40 anos, mas controlou o poder durante os reinados de seus filhos Francisco II, Carlos IX, e Henrique III. Apoiou o massacre dos protestantes na trágica noite e São Bartolomeu. Estudiosa da astrologia e magia, seus inimigos a acusavam e procurar auxílios de demônios.

Catarina de Médicis ao desembarcar em Paris, trazia em sua bagagem vários calçados de saltos, produzidos exclusivamente para ela com o único intuito de deixá-la mais alta, calçados estes, confeccionados por um artesão italiano. Logo seu gosto por saltos, acabou sendo absorvido pela aristocracia européia influenciando a moda, que incorporou o salto alto.

No século XVII, as mulheres que se utilizassem saltos altos para seduzir ou atrair os homens para os casamentos, eram punidas pelo parlamento inglês como feiticeiras. Em sua biografia Giovani Casanova, declarou sua tração pelos saltos altos, que segundo ele, levantavam as armações da saias-balão, utilizadas na época, sendo que assim mostravam as pernas femininas.

Durante o século XIX, importados do bordéis de Paris, os saltos altos foram introduzidos nos Estados Unidos. Nesta época em Paris eles já eram um grande sucesso, uma vez que os clientes preferiam contratar os serviços de prostitutas que utilizam os saltos. Ainda nesta épca não existia a figura do estilista ou designer de calçados, onde só seriam criadas durante o seculo XX, portanto, a criação destes calçados era apenas mais um ofício dentre muitos e ficavam a cargo dos modestos sapateiros.

A produção em larga escala dos calçados teve sua origem nos Estados Unidos, onde começous como uma tividade familiar e exclusiva de coloos do leste do país (Nova Inglaterra). Contudo a tradição do calçadoconfeccionado a mão não extigue-se e e um grande fenômeno europeu, especialmente em países como a Inglaterra, Itália e França, onde o design de calçados estava intimamente associado ao design de moda.

A indútria francesa ou parisense de moda foi fundada por CharlesFrederick Worth, em 1846. Worth foi o mais destacado estilista do mundo da moda na época, a ponto de ter sido ele o responsável por vestir toda a realeza da Europa. Trilhando o caminho de Worth, outros estilistas sugiram, como Paquin, Chernit e Doucent, tornando assim Paris a capital da moda. Alguns estilistas que trabalharam para estes mestres, com o passar do tempo foram granado independência e granhado destaque, podendo ser citado Pinet, que chegou em Paris em 1855, para trabalhar para Worth e acabou criando o salto que leva seu nome, o salto Pinet, que é mais fino e mais reto que o popular salto Luiz XV. Outro estilista importante desta época foi Pietro Yanturni que se auto-denominava ” O mais caro estilista de calçados do mundo”, com uma clientela exclusiva de apenas 20 clientes, sendo que atualemte seus calçados encontram-se expostos no Metropolitan Museum of Art de New York. André Perugia também seguiu os passo s Pietro Yanturni, sendo que seus claçados estão expostos no Musee de la Chaussure em Romans ne França.

No nício do século XX, requícios de pré-conceitos do século anterior, faziam muitos indivíduos considerarem indecentes mulheres que deixavam a mostra partes de seus pés ou pernas. Por isso, o conforto prevaleceu em dentrimento do estilo, que ficava restrito a privacidade dos lares. Ficando as apertadas botas e botinas para a utilização em público.

Após a Primeira Grande Guerra a história mudou, com o desenvolvimento da economia, os calçados de tiras entram em cena, com seus bicos alongados e saltos altos estilo “Luiz XV”. Houve uma ampla utilização de cores e os saltos eram tilizados até para dançar.

Junto com os anos 30, chegará a Grande Depressão, o que também repercutiu na moda, sendo que nos calçados os saltos se tornaram mais baixos e mais largos, nestas época muitas mulheres condenavam a utilização de saltos altos. Mas foi a partir de Segunda Grande Guerra, que os saltos passaram por uma fase de despreso total, devido a racionalização de várias matérias-primas, dentre elas o couro, que que tinha sua utlização exclusivamente para fins miltares.

No entanto, o italiano Salvatore Ferragamo encontrou a solução ao desenvolver um modelo de calçado com salto anabela em cortiça. Logo após o fim da guerra este modelo tornou-se moda, então muitos estilistas passaram a copiá-lo. Mas já em 1914, Salvatore Ferragamo já exportava calçados femininos feitos a mão para os Estados Unidos, onde ficou conhecido como o estilista dos calçados das estrela de Hollywood.

Durante algum tempo Salvatore Ferragamo, Charles Jourdan e André Perugia travaram uma competição para desenvolver o mais refinado e elegante salto, mas no processo de produção não podiam utilizar materiais frágeis como madeira, pois poderia não suportar o peso de uma mulher e partir.

O inglês David Evins, continuou o trabalho de Salvatore Ferragamo e durante 40 anos, continuou criando coleções para os mais famosos estilistas de New York, entre eles Bill Balss e Oscar de la Renta.

Muitos estilistas desenvolveram saltos em forma de pinos de aço recobertos com materiais plásticos, buscando solucionar os problemas de resistência ao peso pelos saltos. Os italianos Del Co e Albanese criaram uma sandália para a noite, com duas minúsculas tiras e um salto baixo sob o arco do pé. Roger Viviee, que então trabalhava para Christian Dior em paris, aperfeiçoou este salto, dando-lhe a forma de uma vírgula e acabou por receber todo o créditopela invensão do salto Stiletto, isso em 1955.

Contudo, enquanto os franceses de fato, não tinham competidores à altura no que diz respeito à moda de vestuário, os italianos por sua vez, eram os mestres da produção em massa da moda calçadista. Graças aos contatos de Salvatore Ferragamo em Hollywood, esses calçados italianos se tornaram muito populares entre as estrelas hollywoodianas nos anos 50 (Jane Mansfield tinha mais de 200 pares). O salto stiletto, era então, sinônimo de “sex appeal”. Enquanto isso, os médicos responsabilizavam os sapatos de salto alto por todos os tipos de problemas. E não só quanto à saúde da mulher. Muitos atribuíam o crescimento da delinqüência juvenil aos saltos altos.

Nos anos 60, teve início a transferência da moda de Paris para Londres e a moda das ruas ditava o que era para ser usado. Com o preço do couro em alta, os materiais sintéticos entraram em cena. Roger Vivier, Herbert Levine e Miller foram os pioneiros na utilização de material plástico transparente.

No início dos anos 70, as plataformas retornaram por um breve período, especialmente aquelas botas extravagantes de cano alto. Muitas destas botas tinham desenhos psicodélicos. Era o estilo andrógino do “Glam Rock”. Foi o estilista Terry de Havilland, quem as popularizou e encontrou adeptos não apenas entre as mulheres, mas também entre gays e lésbicas.

Nos anos 80, mulheres executivas passaram a adotar o salto stiletto, como um complemento aos seus vestuários para projetarem uma imagem de eficiência e de autoridade. Os saltos altos simbolizavam glamour e extravagância, além de um modo de expressar feminilidade nunca antes vista na história dos saltos altos.

Na última década do século XX, as plataformas reapareceram pelas mãos de Vivienne Westwood e Jean-Paul Gaultier. Nos anos 90, conceitos antigos foram reciclados. Assim como os estilistas de moda, os estilistas de calçados femininos passaram a ser estrelas do mundo fashion, com Manolo Blahnik, sendo então, o maior expoente. Como na década anterior, o nome da marca era a coisa mais importante.

Atualmente, existe uma nova geração de designers. Requisitados por clientes e por estilistas de moda, os sapatos de salto alto de designers como Joan Halpern, Maud Frizon, Beth e Herbert Levine, Andrea Pfister, Jan Jansen, Patrick Cox e Christian Louboutin algum dia serão apreciados como autênticas obras de arte. A tecnologia tem acrescentado novas opções de materiais (microfibras, tecidos elásticos etc.) o que aperfeiçoa o processo de produção. Tudo parece indicar que os sapatos e sandálias de salto alto continuarão a fazer muito sucesso na história da moda.

Os calçados nascem da necessidade prover proteção aos pés do homem para que estes pudessem se locomover sobre terrenos ásperos e em condições climáticas desfavoráveis. Embora alguns historiadores datem os primeiros calçados entre 3.000 A.C. e 2.000 A.C. no Antigo Egito, mas resquícios históricos encontram evidências no Período Paleolítico, também conhecido como Idade da Pedra Lascada, sendo que estas evidências datam entre 14.000 A.C. e 10.000 A.C., uma vez que pinturas rupestres encontradas na Europa em países como França e Espanha, fazem referencias a utensílios utilizados para a proteção dos pés deste homem pré-histórico.

Durante um longuíssimo tempo os calçados não seguiram qualquer padronização de numeração, o que nos leva a crer que até o início do século XIV, os calçados fossem feitos sobre medida para seu usuário.

Mas isto começou a mudar durante o reinado de Eduardo I de Inglaterra (17 de Junho de 1239 – 7 de Julho de 1307), cognominado Longshanks, foi um Rei de Inglaterra da dinastia Plantageneta entre 1272 e 1307. Era filho de Henrique III de Inglaterra, a quem sucedeu em 1272, e de Leonor da Provença. Durante o seu reinado, a Inglaterra conquistou e anexou o País de Gales e adquiriu controle sobre a Escócia. Eduardo mostrou ter uma personalidade e estilo de governo bastante diferentes do seu pai, que procurava reinar por consenso e resolvendo crises de forma diplomática.

No início do século XIV, mais precisamente no ano de 1305, O Rei Eduardo I, decretou que fosse considerada uma polegada a medida de 3 grãos secos de cevada, colocados lado a lado (não devemos nos esquecer que no Brasil utilizamos o ponto Frances e na Inglaterra, utiliza-se o ponto inglês, mas isso iremos tratar mais adiante). Este decreto visou padronizar as medidas, o que acarretou novas possibilidades negócios, pois a partir daí, com a padronização dos tamanhos passou a ser possível a confecção de calçados para vendas posteriores. Os sapateiros ingleses gostaram da idéia e passaram a fabricar pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanho padrão, baseados no grão de cevada. Desse modo, um calçado medindo 35 grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 35 e assim por diante.

Oficialmente a primeira descrição de um sistema de medidas para os calçados, foi publicada na Inglaterra no século VXII, no ano de 1688. A publicação foi feita no manual The Academy Of Armory And Blazon desta época, onde Randle Holme menciona um acordo entre sapateiros para utilizar um sistema de 1/4 de polegada (0,635 cm) como padrão. Mais de um século depois, uma nova medida foi instituída pelos fabricantes ingleses, que passaram a utilizar 1/3 de polegada (0,846 cm), o equivalente a um grão de cevada, que era justamente a medida decretada pelo Rei Eduardo I, lá no século XIV. Essa medida virou uma unidade métrica chamada “Ponto“.

Com a Revolução industrial, período que consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. Iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX, e segundo alguns historiados, este processo estende-se até os dias atuais. Durante este período, a era agrícola foi superada, a máquina foi suplantando o trabalho humano, uma nova relação entre capital e trabalho se impôs novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa, entre outros eventos. Essa transformação foi possível devido a uma combinação de fatores, como o liberalismo econômico, a acumulação de capital e uma série de invenções, tais como o motor a vapor. O capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente.

É neste período que entra em vigor a utilização do primeiro sistema de numeração para fábricas de calçados, criado em 1800 pelo americano Edwin B. Simpson. O sistema incluía também medidas de “Meio Ponto“, usadas até hoje nos EUA e na Inglaterra. Os fabricantes só passaram a utilizar o método em 1808, mas ele sobreviveu e dura, com pequenas variações, até hoje. Outros países como o Brasil, adotaram sistemas diferentes, mas sempre baseados na idéia de ponto. O sistema brasileiro usa o ponto francês, com 2/3 de centímetro, que é muito próximo do padrão em toda a Europa Continental. No Japão o padrão é mais simples, pois 1 ponto mede 1 cm.

 

PONTOS

Existem vários PONTOS, mas abaixo estão os principais, vale lembrar, que há variações nas tabelas de equivalência de numeração entre os países.

Ponto Francês:

Baseia-se no centímetro;

1 Ponto Francês corresponde a 2/3 de 1 centímetro, ou seja, 0,666 cm.

Ponto Inglês:

Baseia-se na polegada;

1 Ponto Inglês corresponde a 1/3 de uma polegada, ou seja, 0,846 cm.

Ponto Americano:

Baseia-se na polegada;

1 Ponto Americano corresponde a 1/3 de uma polegada, ou seja, 0,846 cm.

Ponto Japonês:

Baseia-se no centímetro;

1 Ponto Japonês corresponde a 1 cm.




1990 a 1999

A diversidade foi o conceito fundamental nos anos 90 e sua influência é refletida muito obviamente na moda. Os indivíduos passaram a executar uma variedade de atividades diárias, as quais muitas destas atividades requeriam calçados diferentes. Botas, tênis, sandálias, chinelos, tamancos, sapatos e outros. Logo os estilos destes, não estavam limitados a poucas variações e eram comuns estas variações em todas as ocasiões.

As top models que surgiram nos anos 80 viraram ícones de beleza a serem imitados.

Companhias como Skechers, Nike e Birkenstock, tiveram muito êxito ao construírem suas marcas associando-as aos eventos sociais, atividades esportivas e consciência ecológica, originando assim uma fidelização de muitos consumidores.

Ainda no início desta década, surgiu o movimento “Grunge”, mais uma vez tem o jovem como o personagem principal, garotos e garotas passaram a utilizar calça jeans rasgada, camisa xadrez e tênis, os quais acabaram tendo uma popularização. Muitas bandas surgem e ganham destaques, como Guns n’Roses, Nirvana e Skid Roll, ainda muitos esportes radicais são associados a este movimento, sendo o “Skate” o que mais destacou-se.

Os calçados da década foram marcados pela releitura geral de estilos, formas, saltos. Valia praticamente tudo, desde que a peça ou calçado fosse coerente ao estilo do indivíduo.

Mesmo com essa releitura de todas as décadas do século XX, pode-se destacar o “revival” dos anos 50 no trabalho de Ferragamo para Dior, uma busca sensual nos sapatos em peles exóticas de Andréa Pfister, a constante busca de originalidade nos trabalho de Sergio Rossi, um certo gosto barroco em Gianni Versace, visão futurista nas coleções de Jean Paul Gautier, um refinado senso de exotismo nos trabalhos de Romeo Gigli e aparece um cidadão “hippie ou folk” para Viviane Westwood, podendo ser atribuída a ela o retorno das plataformas, que nesta época passaram a ser produzidas em PU (Poliuretano).

Século XXI

No século em que estamos (XXI), o sapato é obra do design, continua sendo objeto de beleza, que deve ser aliado ao conforto e a praticidade, a fim de agradar os gostos e necessidades dos consumidores, marcando mais uma vez uma parte da história.

Em futuro bem próximo poderemos encontrar um calçado exato para cada pé e personalidade, e se não o encontrarmos poderemos solicitá-lo e ele será fabricado em escala industrial, mas de maneira personalizada. Poderemos escolher os componentes que me melhor nos convier e poderemos participar da ação de personalizá-los.




1980 a 1989

Os excessos foram sem dúvida a marca dos anos 80. Seriados de TV como Dallas e Dynasty, exibiam seus personagens com uso excessivo de jóias, deixando muitos espectadores fascinados.

Com a ascensão dos “Yuppies”, o poder era o negócio, isso deu origem ao consumismo desenfreado e muitos proclamavam o amor as indulgências e investiam orgulhosamente na aparência e consumiam muitas grifes de luxo. Estas grifes e estilistas em parcerias com os profissionais de comunicação se apresentaram para conhecer as necessidades e demandas destes novos consumidores e de posse destas informações passaram sugerir e ditar a moda e difundiram a cultura das lojas de departamentos. O novo estilista passou a ser um personagem das relações sociais, das crônicas da vida contemporânea e um capricho da vida cosmopolita. Abre-se a porta para o fashion show.

É ainda neste momento que surgem o termo “Top Model”, simbolizadas por Cláudia Schiffer, Cindy Crawford e Naomi Campbell.

As mulheres passaram a exigir alternativas aos calçados de saltos altos. Uma vez que a imagem da mulher bem poderosa e bem vestida estava ligada diretamente a eles, algumas mulheres buscaram inspirações para seu guarda-roupa, na simplicidade das roupas masculinas. Em conseqüência há isto, os calçados têm seus saltos reduzidos e as cores perdem sua vivacidade e voltaram-se aos tons escurecidos e clássicos.

Em contraste ao clima empresarial conservador, as vivacidades das cores tornaram-se a marca do “Casual” da época. Não havia nenhuma cor tímida, sejam elas primárias, cítricas ou fluorescentes. O movimento “New Wave” com as bandas e artistas como Culture Club, Boy George, Madonna e Michael Jackson encorajaram a moda com seus figurinos.

Nesta década houve dois estilos muito distintos, o maximalismo uma moda bastante extravagante de cores cítricas onde o contraste entre cores vivas eram bastante intensas, este momenta da moda dentro da década se deu em seu início e segue bastante evidente pelo menos até seus meados, onde nesta época começa a surgir outro momento o minimalismo onde a influência japonesa toma conta da cena, alguns denominam este momento como “japonismo” ou “niponismo”, onde vários estilistas japoneses se destacam, implementando novamente o conceito do pretinho básico, onde os pretos, cinzas e branco roubam a cena, tendo como seu maior símbolo no calçado o “scarpin” básico liso e preto de salto baixo ou médio.

Durante algum tempo, não se encontra mais um único estilo definido, é na busca, na descoberta, seja de caráter estético ou propriamente técnico que se prende o desenho dos calçados e peças do vestuário dos anos 80.

Neste caso o calçado não pode mais ser considerado simplesmente um acessório de moda, ele toma vida própria, os detalhes valorizam o planeta-calçado.

Foram reinventados mocassins, espadrilles, e outros estilos de calçados já existentes, utilizando-se de novas paletas de cores. As sandálias de plástico eram moldadas em vastas variedades de cores, que também foram uma grande moda passageira. Porém todos esses excessos estavam tornando-se cansativos.

É nesta década que surge a invasão da moda esportiva, os e o culto à forma física e a popularização dos tênis.




1970 a 1979

Os anos 70 foram tempos intensamente tumultuosos onde podemos destacar:

·As diversidades de culturas e subcultutas;

·O cinismo aflorou com a militância feminista;

·Os direitos civis;

·O escândalo de Watergate;

·A guerra do Vietnã.

A cultura jovem é predominante, a violência dos jovens da década anterior abre caminho para uma cultura da não-violência, cuja ideologia pregava um mundo sem guerra, baseado em vida comunitária com estreita ligação com a natureza, onde a filosofia oriental foi difundida, em paralelo a isto, a era disco propõe roupas práticas para o dia e sexy para a noite. A TV ocupa o lugar do cinema e seriados como “As Panteras” e outros ditam os modismos.

Ícones culturais como “Mulher Maravilha” criaram o interesse por botas, que podiam ser utilizadas com calças justas ou saias curtas.

Em muitos casos a maneira de vestir-se era utilizada para chocar, sem dúvida o movimento “Punk” e o “Glam” levaram isto ao extremo. Muitas peças do vestuário foram inspiradas em motivos folclóricos e étnicos, houve também uma larga utilização das cores e as extravagâncias reinaram.

Estas influências deram para os estilistas muita munição e o público estava ansioso para a mais recente onda da moda. Os estilistas então puderam experimentar e extravasar nas criações dos calçados, onde estrelas como Elton John, David Bowie e Cher, foram adeptos a estas novas criações.

Estilistas como Biba, Ossie Clark e Yves St. Laurent buscaram inspirações históricas na década de 40 e em outros séculos passados.

Os calçados foram levados as alturas através das novas plataformas e saltos que chegaram a alcançar cerca de 20 cm. As botas utilizavam materiais brilhantes, texturas, desenhos psicodélicos ou florais, mas eles raramente eram enfadonhos. Outros estilos de calçados foram utilizados nesta época como os chinelos, as sandálias e botas de cowboy ou patchwork, entre os materiais mais utilizados estavam os vernizes com muitos brilhos e cores contrastantes, além da ráfia, juta, couros com acabamentos naturais com cores neutras, os saltos baixos ou altos, mas sempre grossos, os bicos geralmente arredondados.

O filme “Embalos de Sábado a Noite”, impulsionou a era “Disco”, embora esta tenha durado pouco tempo, foi tão intensa que virou um símbolo da década.

Ainda nesta década aconteceu a influência das atividades esportivas. O culto à forma física elege o tênis como calçado popular e é grande o desenvolvimento tanto quantitativo quanto qualitativo deste produto, sedo que em 1972, surge a Nike. As primeiras grifes se destacam como: Fiorucc e Benetton e se difunde o estilo unisex.




1960 a 1969

A década de 60 teve um inicio bastante modesto, mas muitas mudanças viriam, os conflitos e divergências vinham crescendo, embora boa parte da população vivesse tempos felizes. Jackie Kennedy era uma enorme celebridade, afamada por sua gentileza e por sua elegância, marcada pelos clássicos ternos de Chanel. A década é marcada pela emancipação da mulher com a invenção da pílula anticoncepcional, além do “boom” econômico que é percebido pelo grande e rápido desenvolvimento de estilos.

O movimento dos Direitos Civis estava preparando-se, bem como o movimento “Rippie”. Música, literatura e arte sofreram grandes mudanças. Os Beatles, Bob Dylan, Motown e Andy Warhollogo viraram ídolos de uma sociedade que clamava por mudanças.

As pessoas tinham sede de liberdade social e auto-expressão. O estilo fashion dos Kennedy que há pouco era modelo para todos, logo foi descartada, abrindo possibilidades para novos experimentos e novos estilistas como Mary Quant, muito conhecida como introdutora da míni-saia, vestido bem curtos apresentados com botas longas e justas, utilizando também estampas geométricas, todos estes muito utilizados pela modelo Twiggy. Surgiam também o Biquíni e o jeans.

Com o interesse crescente pela lua e a ascensão da NASA, os looks especiais influenciariam a moda que adotou materiais futuristas. Enquanto alguns estilistas olhavam para o futuro, outros buscavam inspirações em culturas antepassadas. Depois do êxito do movimento rippie a moda exigiu formas mais orgânicas e confortáveis para todos os ambientes.

Yves Saint Laurent, o “enfant prodige” da alta-costura e aluno de Dior, veste as mulheres com uma forte e dinâmica sensualidade, saltos mais baixos e bicos arredondados, sendo que os calçados refletiram a experimentação excessiva de cores cítricas e dos arco-íris, textura, forma e estilo. Os materiais evoluíram o conforto, a maciez, as condições de impermeabilidade, a transpiração e os acabamentos destacaram-se nas indústrias do setor. A atriz Audrey Hepburn difundiu a “ballerina”, famoso sapato baixo de bico arredondado. Neste momento o “mocassim” preto inspirado nos estudantes de Oxford aparece e domina o gosto dos rapazes.




1950 a 1959

Os aliados saem vitoriosos de uma amarga. As televisões começam a invadir as residências e os programas “Eu Amo Lucy” e “Recém Casados” refletem os ideais deste novo tempo. As estrelas como Marilyn Monroe, Brigitte Bardot, e Elvis Presley introduziu sex appeal em uma sociedade bastante conservadora.

Consumismo se tornou um passatempo popular nos anos 50, como o “boom” do pós-guerra proveu um senso de otimismo econômico. Novos dispositivos e produtos proclamaram o futuro e libertaram muitas mulheres de tarefas domésticas bastante árduas. Os serviços domésticos não pareciam tão ruins quando se tinha fogões elétricos, aspiradores de pó e refrigeradores. As mulheres poderiam concentrar seus esforços em ter uma casa confortável para as famílias e ainda sobrava tempo para ter uma vida fora da cozinha, como reuniões constantes para churrascos, coquetéis e outros eventos sociais.

A reconstrução da Europa durante o pós-guerra foi um dos grandes incentivadores do consumo de moda, trazendo a volta do estilo glamoroso com saias amplas e tomara-que-caia. O “New Look” de Christian Dior influenciou moda, bem como a elegância conservadora de Coco Chanel. A camiseta ganha status com James Dean e Marlon Brando.

Os adolescentes novamente eram o foco. Filmes como “Rebelde sem uma Causa” influenciavam o modo de vestir dos adolescentes. A cultura Beatnik inspiradas por autores como Jack Kerouac, estava em evidência. A jaqueta de couro, a calça Levi’s e os tênis ajudam a compor o “look”. As famosas saias poodle, juto aos rabos-de-cavalo, tênis coloridos com aspectos envelhecidos, sandálias, sapatilhas e outros calçados casuais entravam em evidência devido às crescentes atividades ao ar livre a as festas a beira das piscinas.

Nos calçados os bicos redondos, as plataformas em madeira recobertas de couro dominam, até que Charles Jourdan lançou o salto agulha em 1951, o famoso “stiletto” e junto aos bicos finos alongados deixaram os calçados femininos muito delicados, por conseqüência, decretando o fim dos calçados mais robustos de anteriormente. Grandes nomes elaboram propostas para este novo tipo de calçado, surgem variedades de formas e materiais, além da utilização de uma enorme gama de cores, mas sem dúvida, foi da interlocução entre Christian Dior e seu colaborador Roger Vivier, que originaram o conceito de vestir os pés e alongar as pernas, uma vez que o calçado se transforma em uma continuação da perna. Perugia, Ferragamo e Jacques Fath, são nomes importantes neste período e através do trabalho destes estilistas elaboram-se novas formas, bicos, desenhos de salto e proporções para os calçados nesta década.




1940 a 1949

Todas as atenções e pensamentos estão voltados para a Segunda Grande Guerra, até mesmo Hollywood seria afetada, com seus filmes e propagandas impulsionando moralmente os serviços militares. Algumas de suas estrelas eram transportadas junto aos militares, ou mesmo eram levadas para entretê-los, a menina de Pin-Up se tornou um fenômeno, milhares de soldados aclamaram por fotografias de Betty Grable, cujo estúdio de cinema teve as pernas dela asseguradas por U$1 milhão.

A moda incluiu uma silhueta austera, o estilo militar com os tailleurs retos, quadris estreitos, ombros largos, sutiã com bojo para avolumar os seios, chapéus de todos os estilos, bolsas grandes e sapatos pesados. As saias eram mais curtas, com pregas finas ou franzidas, as calças compridas invadem definitivamente o guarda-roupa feminino.

O vestuário do proletariado torna-se comum a todas as classes, uma vez que mulheres de todas as posições sociais unem-se para contribuírem nos esforços de guerra. Elas assumiram o controle das casas, e ainda partiram para ocupar os postos de trabalhos deixados pelos maridos e outros parentes que partiram para a guerra. Barreiras de classe caíram e as pessoas vestiram de forma simples e muito parecida. Essa forma simples de vestir-se em tempos de escassez, passou a ser visto com bons olhos e considerado chique.

É nesta época que surge o chamado “ready-to-wear” (pronto para usar), que é a forma de produzir roupas de qualidade em grande escala.

Os estilistas tiveram que se desdobrarem e serem muito criativos, chegando a criarem máscaras de gás graciosamente decoradas para serem utilizadas com trajes de gala.

A utilização do couro foi restringida ao uso militar, forçando os estilistas que se desdobrarem e serem muito criativos, então passam a incorporar nos calçados varias tipos de materiais antes não utilizados como: Peles de répteis, cortiça, solados de madeira presos por grampos, os ornamentos foram mantidos um mínimo necessário. Algumas mulheres chegaram a utilizar alguns utensílios domésticos para decorarem seus sapatos de festas como o celofane e outros.

Tudo era reciclado, enquanto criava-se a campanha com o tema “Make Do & Mend”. A escassez de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar as suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose e as fibras sintéticas. O nylon e a seda escasseavam, fazendo com que as meia-calças desaparecessem do mercado e fossem trocadas pelas meias soquetes ou pelas pernas nuas, revistas e salões de beleza ajudavam oferecendo dicas de como simular a utilização destas meia-calças pitando uma costura na parte de trás das pernas e utilizando maquiagem nas pernas a fim de deixá-las com uma tonalidade igual ou próxima as das meia-calças. Algo pouco prático como um ritual contínuo.

Fábricas de bens de consumo foram transformadas em fábricas de produção militar. Esses esforços de guerra impunham várias limitações e regras tais como altura máxima do salto do calçados em uma polegada e apenas seis cores.

Em 1947, Christian Dior lançou o “New Look”, que era, basicamente, composto por saias amplas quase até os tornozelos, cinturas bem marcadas e ombros naturais. Era a volta da mulher feminina e elegante.