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Nov 13

Calçados… A paixão feminina! – Capítulo XVII

Capítulo XVII

FINAL DO SÉCULO XIX – O fim para um novo recomeço.

 

O século XIX fio marcado por profundas mudanças políticas, sociais, culturais e econômicas, onde guerras e diversos conflitos provocaram grandes mudanças geopolíticas nos mapas globais. Também é fato de que após a segunda metade deste século as questões de ordens políticas foram abrandadas e quando muito suplantadas por questões de ordens econômicas e sociais, devido a Revolução Industrial que alastrou-se por toda a Europa e ao Novo Mundo, Revolução esta que trouxe grandes avanços nas questões de produção em massa, possibilitando a aquisição de diversos produtos, por quem outrora, já mais poderia imaginar.

Este grande desenvolvimento industrial em contra partida demandou para muitos enormes sofrimentos, pois acarretou inúmeros desempregos e grandes dificuldades financeiras devido aos baixos salários e a exploração de muitos trabalhadores, que eram obrigados a enfrentar jornadas de trabalhos desumanas como 18 horas de trabalhos. Este desenvolvimento industrial trouxe a muitas cidades um crescimento desordenado, devido a pouca infra-estrutura disponível. A esta conjuntura de falta de emprego, baixos salários, falta de infra-estrutura básica como moradias, saneamento e outros trouxeram a sociedade os mais altos níveis de pobreza, onde a insegurança e a violência cresciam vertiginosamente. È também neste difícil cenário que surgem as primeiras tentativas de criações de sindicatos e associações de classes, a fim controlar os salários e as altas jornadas de trabalho nas indústrias.

Embora houvesse relativa paz no continente europeu, pois conflitos entre nações houvessem cessado, em algumas colônias, principalmente africanas estes conflitos seguiam como, por exemplo, A Guerra dos Bôeres, também conhecida como: Guerras Boers, que foram dois confrontos armados na África do Sul, que opuseram os colonos de origem holandesa e francesa ao exército britânico, que pretendia apoderar-se das minas de diamantes recentemente encontradas naquele território. A Primeira Guerra dos Bôeres deu-se em 1880 a 1881 e foi ganha pelos Boers. A Segunda Guerra dos Bôeres, entre 1899 e 1902 levou à anexação das Repúblicas Bôeres do Transvaal e do Estado Livre de Orange, à Colônia Britânica do Cabo. Em virtude da Revolução Industrial ocorrida primeiramente a Inglaterra, o processo de produção e aumento bélico facilitou sua vitória na Segunda Guerra dos Bôeres.

Em face destes acontecimentos e outros de menores destaques originavam em parte da população já no final do século XIX, um profundo descontentamento de cunho social, que viria a se aprofundar na primeira década do século seguinte.

O final do século XIX não apresenta mudanças significativas nos vestuários masculinos e femininos em relação do período que o antecedeu, o Romântico. Onde as rígidas e restritivas normas dos vestuários femininos eram seguidas e as crinolinas reinavam absolutas dando as mulheres, uma silhueta mais curvilínea e pouco natural.

Os calçados masculinos ao exemplo do vestuário não apresentaram também grandes alterações a não ser pelo fado de que por volta de 1885, os bicos dos calçados foram alongados e sua largura diminuída, porém esta fase durou cerca de 7 anos e logo após a este curto período seus formatos voltaram a ter formas arredondadas com larguras mais amplas.

Os saltos destes calçados masculinos permaneceram com altura entre 2 e 3 cm e geralmente eram confeccionados em couros por meio de empilhamento, tendo seus formatos grandes semelhanças com os tradicionais saltos de sapatos masculinos como os conhecemos hoje.

Os modelos mais utilizados eram: Side-Gore tendo sua maior utilização no período noturno em ocasiões não tão formais. Já para eventos noturnos de maior formalidade o modelo Oxford era o mais indicado, muitas das vezes com laços de fitas em maior volume, sendo este mais glamoroso do que o modelo fechado por botões. Ainda em algumas ocasiões noturnas podiam ser notadas as utilização dos Pumps (um modelo originário dos meados do século XVI, que muitos atribuem como sendo os pré-cursores dos Scarpins, que em momentos foram utilizados sem saltos e posteriormente com saltos), em couros macios. Os modelos Derby acabaram por perderem as biqueiras e nos Estados Unidos foram rebatizados de Gibson, já na Europa foram mais conhecidos como Napolitano.

Outro acessório muito utilizado no final do século XIX e início do século XX, que impunha formalidade foi uma variação do Gaiter, agora chamado de Spats (espécie de canos sobressalentes, só que mais curto, que cobre parte dos calçados até pouco acima do tornozelo, sendo fechado geralmente por três botões e com uma cinta que as prende sob o solado do calçado, nesta versão geralmente confeccionada em couro).

Em relação aos calçados femininos, os Oxfords de modelagem mais ampla alcançavam os tornozelos e possuíam fechamentos laterais por três botões. Os Derbys recém batizados de Gibsons diferenciaram-se dos modelos masculinos, por terem também uma modelagem mais ampla cobrindo os pés até os tornozelos. O modelo Cromwells, ou Coloniais, com suas linguetas amplas e suas vistosas fivelas, também fizeram-se presentes entre os anos de 1885 e 1900, modelos estes muito utilizados pelos puritanos do século XVII.

Os saltos alcançaram alturas consideráveis até mesmo nos dias de hoje, uma vez que podem ser encontrados relados de calçados com saltos de até 6 polegadas, ou pouco mais de 15 cm, sendo que eram comumente encontrados saltos em torno de 7 a 8 cm. Essas alturas foram possíveis devido ao emprego da borracha, não só nos solados, mas também nos saltos, embora a já houvesse o emprego da borracha em solados desde 1837. Isso só foi possível por que o inventor norte-americano Wait Webster, patenteou em New York o processo de “aplicar sola de borracha índia em sapatos e botas”, sendo que na seqüência Charles Goodyear em 1839 nos Estados Unidos, com intuito de melhorar a qualidade dos pneus que sua empresa fabricava, descobriu a fórmula de preservação da borracha. Esta fórmula deu origem à vulcanização, que consiste geralmente na aplicação de calor e pressão há uma composição de borracha, a fim de dar forma e propriedades ao produto final. Sem dúvida é a fase mais importante da indústria da borracha.

Nas décadas de 1880 e 1890, o emprego da borracha foi amplamente utilizado tornando-se comuns a muitos sapatos trazendo leveza, maciez e possibilitando novas estruturas de solados e saltos.

Há também relatos da possível utilização de filamentos metálicos que seriam fixados sob os solados do calçados, na região do arco dos pés, isso anos a frente daria origem às almas de aço. A isso foi atribuído maior durabilidade e estabilidade a muitos calçados.

As cores que no início do século eram bastante sóbrias, assim permaneceram por muitos anos, porém nas últimas décadas esta sobriedade deu lugar a cores mais vibrantes como o amarelo e vermelho, além do marfim e branco.

Uma maior variedade de materiais pôde ser empregada na confecção dos calçados do final do século XIX, como os tradicionais couros de flor, muito utilizados nos invernos e nos verões as camurças, lonas, suedes e cetins.

As botas neste período tiveram grandes destaques, tanto as masculinas quanto as femininas, este destaque deveu-se aos intensos conflitos originados por guerras, revoluções e perturbações sociais decorrentes desde o início do século.

Entre as botas masculinas destacavam-se as botas de cano curto ou botinas conhecidas como: Coburg e Oxonian.

Já entre as botas femininas, os modelos mais encontrados eram as: Barrette, Balmoral e as Openwork, estas botas em muito utilizadas nas caminhadas e muitas delas eram confeccionadas em tecidos como lona, cetim e camurças, e claro as tradicionais em couro e camurça.

Um grande avanço da moda prêt-à-porter dos calçados foi à padronização ocorrida por volta de 1885, onde os calçados passaram a seguir padrões em seus tamanhos, tanto na Inglaterra, quanto nos Estados Unidos, ainda na década de 1880, outras medidas foram incorporadas como os meios números e variações de medidas também nas larguras, o que proporcionaram calçados com melhores ajustes, sem a necessidade da produção sob encomenda.

Com o crescente interesse pelos esportes, os calçados esportivos voltaram a ter as atenções voltadas a eles, sendo que em 1876 foi fundada por Albert Spalding, a indústria Spalding, que teria sido a primeira empresa especializada em materiais esportivos da história, que iniciou a produção de um calçado destinado aos atletas confeccionados com solados e cabedais em couro macio, fixado aos pés por atacadores (cadarços), sendo que nos solados havia uma estrutura onde eram fixadas tachas para uma melhor tração. A empresa tinha sede em Springfield, Massachusetts – Estados Unidos. A empresa foi conhecida por desenvolver o primeiro bastão de baseball, com o formato que conhecemos hoje e já em 1892, Wright & Spalding adquiriu as Ditson & AJ Reach, ambas empresas rivais de produtos de produtos esportivos. Hoje a empresa é muito conhecida pelos produtos voltados ao basquete, onde fornece a bola da NBA, desde 1983, porém a empresa produz materiais para a prática de diversos esportes como: Futebol americano, softball, baseball, vôlei, futebol, esqui, golfe entre outros. A empresa foi também uma das primeiras a contratar atletas de alto rendimento para endossar seus produtos, com o contrato de patrocínio ao tenista Ricardo Alonso González, também conhecido como Pancho Gonzales (tenista americano número 1 do mundo por inigualáveis oito anos na década de 1950 e 1960).

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